No Porto de Los Angeles, um projeto piloto chama a atenção pela ousadia. Pás flutuantes azuis estão sendo testadas para transformar a força das ondas em eletricidade limpa e renovável.
O Porto de Los Angeles abriga um experimento inovador no setor de energia renovável. A empresa Eco Wave Power está testando pás flutuantes azuis que transformam o movimento das ondas em eletricidade limpa.
O sistema, chamado Unidade de Conversão de Energia (ECU), concluiu seus primeiros testes operacionais em 27 de agosto.
Segundo a empresa, o marco representa a transição da fase de construção para a pré-operação. A CEO Inna Braverman destacou que esse passo abre caminho para a adoção prática da energia das ondas nos Estados Unidos.
-
Três adolescentes surpreendem o mundo ao criarem pó com sementes de tamarindo que remove microplásticos da água, dispensa eletricidade e vence prêmio internacional de US$ 12.500 no The Earth Prize 2026
-
China prepara um “Hubble panorâmico” com 2,5 bilhões de pixels e campo de visão 300 vezes maior: Xuntian terá espelho de 2 metros, resolução próxima à do telescópio americano, poderá atracar na estação espacial Tiangong para manutenção e promete mapear 40% do céu em uma década
-
EMS lança caneta Ozivy por R$ 452 e entra de vez na briga das emagrecedoras que movimentam farmácias e pacientes no Brasil
-
Panamá aposta em ponte ferroviária de US$ 4,5 bilhões sobre o Canal do Panamá e chama a Renfe para validar uma linha de alta velocidade de 450 km que promete 50 mil empregos, mas ainda enfrenta o desafio técnico de cruzar uma das rotas mais estratégicas do mundo
Fundada em Israel em 2011, a Eco Wave Power já possui experiência com projetos semelhantes.
Como funciona o sistema
O projeto usa dispositivos flutuantes que lembram teclas de piano. Conforme as ondas sobem e descem, pistões hidráulicos são acionados.
Eles pressionam um fluido que circula em tubulações, gerando força suficiente para girar uma turbina. A energia resultante é convertida em eletricidade dentro de contêineres de 20 pés.
No piloto atual, oito flutuadores estão presos a um píer de concreto. O design permite que os equipamentos sejam recolhidos durante tempestades, reduzindo riscos de danos e custos de manutenção.
Essa característica torna a tecnologia mais prática e econômica quando comparada a sistemas instalados em alto-mar.
Potencial de expansão
Se os resultados convencerem as autoridades da Califórnia, a Eco Wave Power planeja uma expansão significativa.
A meta é instalar centenas de conversores ao longo dos 13 quilômetros do quebra-mar que protege o Porto de Los Angeles. Essa infraestrutura poderia abastecer até 60 mil residências com energia limpa.
De acordo com a Agência AFP, o projeto é visto como promissor porque aproveita o movimento constante do mar. Diferente da energia solar, que para de produzir à noite, e da energia eólica, que depende do vento, as ondas oferecem maior previsibilidade.
Energia das ondas nos Estados Unidos
O Departamento de Energia dos EUA calcula que somente as ondas da Costa Oeste poderiam, em teoria, suprir 130 milhões de lares. Isso equivaleria a um terço do consumo anual de eletricidade do país. Mesmo com esse potencial, a indústria enfrentou dificuldades para se consolidar em larga escala.
Projetos anteriores falharam porque foram instalados longe da costa, o que aumentava os custos e a complexidade. A Eco Wave Power busca se diferenciar com um modelo fixado em docas, mais simples de manter e operar.
Perspectiva internacional
A ambição da empresa vai além do território americano. Em Israel, no porto de Jaffa, os flutuadores já alimentaram residências locais.
Além disso, os próximos planos incluem instalações em Portugal, Taiwan e Índia. A visão de longo prazo prevê projetos de até 20 megawatts, capazes de competir diretamente com outras fontes renováveis.
Outro ponto enfatizado pela companhia é o impacto ambiental. O projeto promete não afetar a vida marinha, fator que atrai interesse em regiões como a Califórnia, onde há metas de neutralidade de carbono até 2045.
Importância estratégica
Autoridades e especialistas consideram a iniciativa um passo relevante no combate às mudanças climáticas.
A dependência de combustíveis fósseis ainda é grande, mas soluções como essa podem acelerar a transição energética.
A empresa já marcou uma data para apresentar oficialmente o projeto. A cerimônia está prevista para 9 de setembro de 2025, no espaço AltaSea, dentro do Porto de Los Angeles.
Até lá, a expectativa é que a fase de pré-operação mostre resultados práticos e reforce o potencial das ondas como fonte de energia limpa.

Seja o primeiro a reagir!