Produção de derivados do petróleo cai em outubro após paralisações e fiscalização em refinarias, segundo dados do IBGE e da Pesquisa Industrial Mensal.
O setor ligado ao petróleo voltou ao centro das atenções após registrar forte retração na produção industrial. Paralisações em unidades produtivas de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis impactaram diretamente o desempenho da indústria em outubro, contribuindo para um resultado negativo no período.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo IBGE, e refletem um cenário de interrupções operacionais e ações de fiscalização intensificadas nos últimos meses.
Embora outros segmentos tenham apresentado crescimento, o recuo no refino e na produção de derivados teve peso significativo no balanço geral.
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Produção de derivados do petróleo registra queda expressiva
O segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis apresentou retração de 10,7% em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 2025, a queda chega a 4,9%. Já no intervalo de 12 meses, a baixa é de 4,3%.
Além disso, o desempenho mensal também evidenciou perda de ritmo. Em outubro, a redução foi de 3,9% frente a setembro, uma intensidade maior do que a registrada no mês anterior, quando a retração havia sido de 0,5%.
Segundo o IBGE, esse comportamento está diretamente relacionado à paralisação de unidades produtivas, que comprometeu a cadeia de produção e distribuição de derivados do petróleo.
Fiscalizações e interdições afetam refinarias e plataformas
Parte relevante das interrupções ocorreu após operações de fiscalização no setor. A Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, foi alvo da Operação Carbono Oculto.
Em decorrência da ação, quatro navios com cargas foram apreendidos e a unidade foi interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em setembro.
Pesaram sobre a refinaria suspeitas de importação irregular de gasolina e de descumprimento da atividade de refino de petróleo, apesar do acesso a benefícios tributários vinculados a essa função.
Ainda nesse contexto, a ANP também determinou a interdição do navio-plataforma FPSO Peregrino, em agosto. A decisão ocorreu após auditoria do Sistema de Gestão da Segurança Operacional (SGSO) e afetou diretamente as atividades do campo offshore.
Impacto direto na oferta de óleo e derivados
O campo Peregrino tem papel relevante na produção nacional. De acordo com estimativas, ele contribui com aproximadamente 39.200 barris de óleo equivalente por dia. A paralisação temporária, portanto, exerceu influência imediata sobre a oferta de petróleo.
A Prio, que futuramente assumirá a operação do campo após adquirir participação da Equinor, informou que os trabalhos para sanar as pendências levantadas pela auditoria poderiam levar até seis semanas.
Durante esse período, a redução operacional permaneceu como fator de pressão para o setor.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo segmento de derivados, a indústria extrativa apresentou resultado positivo e ajudou a sustentar parte da produção nacional. O ramo responsável pela extração de petróleo, minério de ferro e gás natural avançou 10,1% na comparação anual.
Na análise mensal, o crescimento foi de 3,6% em relação a setembro. Sobre esse movimento, o gerente da PIM, André Macedo, ressaltou a recuperação recente.
“O crescimento observado em outubro eliminou a perda de 1,7% acumulada nos meses de agosto e setembro deste ano”, destaca Macedo.
Assim, enquanto o refino de petróleo enfrentou entraves operacionais e regulatórios, a etapa de extração manteve desempenho robusto e impediu uma retração ainda maior da indústria como um todo.
