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País com pior economia do mundo tem inflação que dobra preços em 24h, notas de 100 trilhões e 90% de desemprego

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/11/2025 às 19:12
Assista o vídeoHiperinflação extrema, notas de 100 trilhões e desemprego recorde colocam o Zimbábue entre as economias mais frágeis do mundo. Entenda o cenário atual.
Hiperinflação extrema, notas de 100 trilhões e desemprego recorde colocam o Zimbábue entre as economias mais frágeis do mundo. Entenda o cenário atual.
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País vive ciclos de hiperinflação, múltiplas moedas e forte instabilidade, enquanto tenta recuperar confiança econômica após sucessivas crises estruturais.

A economia do Zimbábue se tornou um dos exemplos mais extremos de colapso monetário já registrados, com um episódio de hiperinflação em que os preços chegavam a dobrar em cerca de 24 horas, notas de 100 trilhões de dólares zimbabuanos em circulação e estimativas de que, em determinados momentos, mais de 90% da força de trabalho estava fora do emprego formal.

Hoje, mesmo após sucessivas mudanças de moeda, o país de quase 17 milhões de habitantes segue entre as economias mais frágeis do mundo, com inflação ainda elevada, ampla pobreza e forte dependência do dólar americano.

Crise prolongada afeta milhões de pessoas no Zimbábue

Localizado no sul da África, o Zimbábue reúne savanas, planícies extensas e uma biodiversidade rica, além de grande diversidade cultural.

Durante parte do século 20, o país era visto como uma das economias mais promissoras da região, apoiado em solo fértil, mineração relevante e forte produtividade agrícola.

Esse quadro mudou de forma drástica nas últimas décadas.

A economia passou por uma combinação de recessão longa, colapso produtivo, hiperinflação e perda de credibilidade institucional.

Vista aérea da capital Harare, ilustrando a infraestrutura urbana e contraste social num país marcado por crises econômicas. (Imagem: Getty Images)
Vista aérea da capital Harare, ilustrando a infraestrutura urbana e contraste social num país marcado por crises econômicas. (Imagem: Getty Images)

O PIB encolheu de maneira significativa em diversos períodos, a pobreza avançou e milhões passaram a depender de ajuda alimentar, especialmente em anos de seca severa.

Reforma agrária desordenada derruba o setor agrícola

A raiz de parte dos problemas atuais remonta aos anos posteriores à independência, obtida em 1980.

O país herdou forte desigualdade no acesso à terra, com as áreas mais produtivas concentradas nas mãos de uma minoria de grandes proprietários brancos.

Em vez de conduzir uma reforma agrária gradual, com indenizações claras e apoio técnico, o governo autorizou ou tolerou invasões de fazendas produtivas.

Proprietários e trabalhadores experientes foram expulsos, e propriedades que antes exportavam tabaco, milho e outras commodities tiveram a produção interrompida ou drasticamente reduzida.

Com isso, o principal pilar da economia, o agronegócio exportador, perdeu força.

A queda na produção interna de alimentos abriu espaço para escassez, pressionou preços e aumentou a dependência de importações e de ajuda internacional.

Impressão de dinheiro provoca hiperinflação histórica

A redução das receitas externas e o enfraquecimento da base produtiva levaram o governo a adotar uma política cada vez mais intervencionista.

Sem arrecadação suficiente para cobrir gastos públicos, salários e estatais, o Estado passou a imprimir grandes volumes de moeda para financiar o déficit.

Essa expansão intensa da base monetária, sem aumento proporcional da produção, alimentou uma escalada inflacionária ao longo dos anos 1990 e 2000.

O processo culminou, entre 2007 e 2008, em um dos episódios de hiperinflação mais extremos da história, com inflação mensal que chegou a 79,6 bilhões por cento, tornando comum que preços dobrassem em aproximadamente 24 horas.

Centro comercial em Harare, Zimbabwe, com mercado popular e comércio cotidiano ainda sob pressão econômica e desigualdade. (Imagem: Getty Images)
Centro comercial em Harare, Zimbabwe, com mercado popular e comércio cotidiano ainda sob pressão econômica e desigualdade. (Imagem: Getty Images)

Para tentar acompanhar a alta, o Banco Central passou a emitir cédulas com valores cada vez maiores, incluindo a nota de 100 trilhões de dólares zimbabuanos.

A moeda local perdeu quase todo seu poder de compra e deixou de funcionar como reserva de valor.

Dolarização encerra hiperinflação, mas cria nova dependência

Com o colapso total da confiança na moeda local, o país abandonou o dólar zimbabuano em 2009 e passou a operar com múltiplas divisas, principalmente o dólar americano.

A mudança encerrou a hiperinflação praticamente de imediato.

Salários e contratos passaram a ser denominados em moedas fortes, bancos reabriram contas indexadas e o comércio voltou a praticar preços estáveis.

O cenário trouxe algum alívio, com retomada moderada do crescimento, mas a economia seguiu frágil, com alta pobreza e informalidade.

Retorno da moeda local reacende inflação elevada

A partir de 2019, o governo decidiu encerrar gradualmente a dolarização e reintroduziu uma nova versão do dólar zimbabuano.

A volta da moeda ocorreu em um ambiente de baixa confiança, reservas internacionais limitadas e memória recente de hiperinflação.

Apresentação da nova moeda “Zimbabwe Gold (ZiG)” pelo banco central em 2024, tentativa de restaurar estabilidade monetária. (Imagem: Getty Images / Picture Alliance)
Apresentação da nova moeda “Zimbabwe Gold (ZiG)” pelo banco central em 2024, tentativa de restaurar estabilidade monetária. (Imagem: Getty Images / Picture Alliance)

A combinação de emissão de moeda, desconfiança e choques externos levou a um novo ciclo inflacionário.

Em 2020, índices anuais ultrapassaram 500%, e a população passou a usar, de forma crescente, dólares americanos em transações cotidianas.

Estudos apontaram que 70% a 80% das operações no país passaram a ocorrer em dólar, apesar das tentativas de fortalecer a moeda local.

ZiG: a nova moeda lastreada em ouro

Em abril de 2024, diante da rápida desvalorização do dólar zimbabuano, o Banco Central lançou o Zimbabwe Gold (ZiG).

A moeda foi anunciada com lastro em ouro, commodities e divisas, substituindo o antigo dólar local e circulando ao lado do dólar americano.

A proposta buscava reconstruir a confiança no sistema monetário.

A participação do ZiG nas transações cresceu ao longo de 2024 e 2025, chegando a mais de 40%, embora o dólar permanecesse dominante no comércio diário.

Mesmo assim, desafios persistiram, com episódios de desvalorização e alta inflacionária.

Projeções recentes apontam expectativa de queda da inflação anual para patamar entre 15% e 20% até o fim de 2025, após meses acima de 80%.

Desemprego, informalidade e pobreza seguem elevados

Mesmo em períodos de estabilização, o mercado de trabalho manteve fragilidade.

Estudos estimam que, em determinados momentos, mais de 90% da força de trabalho esteve fora do emprego formal, sustentando uma economia fortemente marcada pela informalidade.

A pobreza também se aprofundou.

Relatórios internacionais indicam que quase metade da população chegou a viver em extrema pobreza, quadro agravado por secas severas que aumentaram a demanda por ajuda alimentar.

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Corrupção e instabilidade institucional deterioram a economia

O Zimbábue convive com corrupção endêmica e instituições frágeis.

No Índice de Percepção da Corrupção de 2024, o país apareceu na posição 158 entre 180, reforçando a desconfiança na gestão pública.

Setores essenciais, como energia, água e transporte, sofreram com má gestão, contratos pouco transparentes e falta de manutenção.

Apagões frequentes, sistemas de abastecimento instáveis e precariedade nos serviços de saúde afastam investidores e dificultam uma retomada consistente.

Regras cambiais instáveis ampliam incerteza

O governo alterou repetidamente as regras cambiais e o uso de moedas estrangeiras ao longo dos últimos anos.

O país alternou entre dolarização, reintrodução do dólar local, uso simultâneo de múltiplas divisas e lançamento de nova moeda.

Congelamentos de preços, controles cambiais rígidos e intervenções em contas e ativos privados também marcaram o período.

Essas medidas ampliaram o câmbio paralelo, incentivaram a dolarização informal e criaram um ambiente de negócios instável.

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MOta 123
MOta 123
27/11/2025 13:51

Cuidado com os Sleelacks! Entendedores entenderão!

Sérgio A
Sérgio A
27/11/2025 09:40

É triste ver essa juventude de hoje , buscando mídia a qualquer custo! MENTINDO NA CARA DURA! Esse evento acima, aconteceu em 2008 , quase 20 anos atrás!!!!
Para as pessoas clicarem , como se fosse , hoje…

Edmilson
Edmilson
Em resposta a  Sérgio A
27/11/2025 16:49

E como está hoje?

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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