Uma das carnes bovinas mais valorizadas do mundo nasceu no Japão e já ocupa espaço em propriedades rurais brasileiras.
O quilo da carne wagyu pode ultrapassar R$ 1 mil no Brasil, principalmente quando o corte apresenta grau elevado de marmoreio.
O marmoreio corresponde à gordura distribuída entre as fibras musculares. Essa característica cria um aspecto semelhante ao mármore.
A gordura intramuscular também contribui para a maciez, a suculência e o sabor da carne.
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Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, o preço tende a aumentar conforme cresce o nível de marmoreio.
Marmoreio ajuda a explicar o alto valor da carne wagyu
Diversos cortes de wagyu podem ser encontrados no mercado brasileiro, especialmente em açougues e restaurantes especializados.
Entre as opções mais conhecidas estão:
- Picanha
- Ancho
- Chorizo
- Fralda
Os preços variam de acordo com o corte, a procedência, a genética do animal e a classificação da gordura intramuscular.
Peças com marmoreio mais intenso costumam alcançar os valores mais elevados.
Essa valorização ocorre porque a gordura se distribui pela musculatura e interfere diretamente na textura final da carne.
Kobe Beef precisa seguir regras rigorosas no Japão
Todo Kobe Beef é wagyu, mas nem todo wagyu pode ser chamado de Kobe Beef.
A certificação exige que o animal pertença à linhagem Tajima e tenha origem controlada.
O bovino precisa nascer, ser criado e ser abatido na província japonesa de Hyogo.
A carne também deve cumprir critérios específicos de rendimento, qualidade e marmoreio.
A Kobe Beef Marketing & Distribution Promotion Association é responsável por fiscalizar e certificar esses padrões.
O nome Kobe, portanto, não pode ser usado livremente por produtores de outras regiões.
Cerveja e massagem realmente fazem parte da criação?
O wagyu ficou conhecido por histórias envolvendo bois que recebiam massagens e bebiam cerveja.
A cerveja era associada ao relaxamento e à melhora da digestão dos animais.
A massagem, por sua vez, era apontada como uma forma de estimular a circulação e favorecer o marmoreio.
Essas práticas não possuem comprovação científica, segundo Daniel Steinbruch, presidente da ABCWagyu.
A qualidade da carne depende principalmente da genética e das condições oferecidas durante a criação.
O manejo adequado permite que o animal desenvolva o potencial herdado de suas linhagens.

Dieta rica em amido favorece o desenvolvimento do marmoreio
A alimentação equilibrada ocupa papel importante na produção de carne wagyu.
Grãos ricos em amido fornecem energia para a formação da gordura intramuscular.
Entre os principais alimentos utilizados estão:
- Milho
- Sorgo
- Arroz
- Trigo
- Cevada
Alguns criadores brasileiros também utilizam resíduos gerados durante a fermentação da cevada.
A borra restante desse processo pode funcionar como fonte de proteína para os bovinos.
A presença da cevada na dieta não significa que os animais recebam cerveja diretamente.
As massagens podem contribuir para o bem-estar, mas não são comuns em grandes confinamentos.
Origem do wagyu remonta ao século II
O nome wagyu reúne dois termos japoneses.
“Wa” significa japonês, enquanto “gyu” significa gado.
Segundo a associação WagyuBrasil, os ancestrais do wagyu moderno chegaram ao Japão por volta do século II.
Esses animais vieram da península coreana e eram utilizados para arar terras e movimentar moinhos de grãos.
O esforço físico exigia força e resistência durante longos períodos.
Essa característica contribuiu para o desenvolvimento da capacidade de armazenar gordura entre as fibras musculares.
O rebanho permaneceu relativamente isolado até 1868, durante a Restauração Meiji.
Criadores japoneses passaram, então, a realizar cruzamentos com raças importadas.
Esse processo ajudou a formar as linhagens conhecidas atualmente.
Wagyu chegou ao Brasil pelas mãos da Yakult em 1992
Os primeiros exemplares de wagyu deixaram o Japão rumo aos Estados Unidos em 1976.
A expansão internacional ganhou força durante a década de 1990.
O wagyu puro chegou ao Brasil em 1992, por iniciativa da Yakult.
A empresa trouxe um casal de animais japoneses para sua fazenda em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.
A Yakult desenvolve, desde então, trabalhos de seleção e melhoramento genético.
A companhia permanece entre as principais produtoras brasileiras da raça.
O rebanho nacional reúne animais puros e cruzamentos com outras raças.
Dados da ABCWagyu apontam aproximadamente 5 mil wagyus puros e 30 mil animais cruzados no país.

Genética, alimentação e manejo definem a qualidade da carne
O elevado preço do wagyu não depende de cerveja ou de massagens.
Genética, alimentação balanceada, manejo adequado e marmoreio explicam a valorização dos cortes.
A intensidade da gordura intramuscular pode elevar o preço e diferenciar a carne no mercado.
O wagyu, dessa forma, reúne tradição japonesa, seleção genética e um sistema de produção voltado à qualidade.
Você pagaria mais de R$ 1 mil por um quilo de carne wagyu para experimentar um dos cortes bovinos mais valorizados do mundo? Deixe sua opinião!
