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Originário do Japão, o wagyu ganhou fama internacional pelo marmoreio intenso, pela maciez dos cortes e pelos preços elevados encontrados no mercado brasileiro.

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 29/06/2026 às 14:52 Atualizado em 29/06/2026 às 14:55
Peça de carne wagyu crua com marmoreio intenso sobre superfície de madeira, destacando a gordura intramuscular que explica o alto valor da carne japonesa.
Imagem mostra um corte de wagyu com forte marmoreio, característica genética que torna a carne mais macia, suculenta e valorizada no mercado.
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Uma das carnes bovinas mais valorizadas do mundo nasceu no Japão e já ocupa espaço em propriedades rurais brasileiras.

O quilo da carne wagyu pode ultrapassar R$ 1 mil no Brasil, principalmente quando o corte apresenta grau elevado de marmoreio.

O marmoreio corresponde à gordura distribuída entre as fibras musculares. Essa característica cria um aspecto semelhante ao mármore.

A gordura intramuscular também contribui para a maciez, a suculência e o sabor da carne.

Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, o preço tende a aumentar conforme cresce o nível de marmoreio.

Marmoreio ajuda a explicar o alto valor da carne wagyu

Diversos cortes de wagyu podem ser encontrados no mercado brasileiro, especialmente em açougues e restaurantes especializados.

Entre as opções mais conhecidas estão:

  • Picanha
  • Ancho
  • Chorizo
  • Fralda

Os preços variam de acordo com o corte, a procedência, a genética do animal e a classificação da gordura intramuscular.

Peças com marmoreio mais intenso costumam alcançar os valores mais elevados.

Essa valorização ocorre porque a gordura se distribui pela musculatura e interfere diretamente na textura final da carne.

Kobe Beef precisa seguir regras rigorosas no Japão

Todo Kobe Beef é wagyu, mas nem todo wagyu pode ser chamado de Kobe Beef.

A certificação exige que o animal pertença à linhagem Tajima e tenha origem controlada.

O bovino precisa nascer, ser criado e ser abatido na província japonesa de Hyogo.

A carne também deve cumprir critérios específicos de rendimento, qualidade e marmoreio.

A Kobe Beef Marketing & Distribution Promotion Association é responsável por fiscalizar e certificar esses padrões.

O nome Kobe, portanto, não pode ser usado livremente por produtores de outras regiões.

Cerveja e massagem realmente fazem parte da criação?

O wagyu ficou conhecido por histórias envolvendo bois que recebiam massagens e bebiam cerveja.

A cerveja era associada ao relaxamento e à melhora da digestão dos animais.

A massagem, por sua vez, era apontada como uma forma de estimular a circulação e favorecer o marmoreio.

Essas práticas não possuem comprovação científica, segundo Daniel Steinbruch, presidente da ABCWagyu.

A qualidade da carne depende principalmente da genética e das condições oferecidas durante a criação.

O manejo adequado permite que o animal desenvolva o potencial herdado de suas linhagens.

Trabalhadora oferece alimento a um bezerro em uma propriedade rural, ilustrando os cuidados de manejo e alimentação na criação de bovinos wagyu.
Profissional rural alimenta um bezerro preto com mamadeira dentro de um estábulo de madeira.

Dieta rica em amido favorece o desenvolvimento do marmoreio

A alimentação equilibrada ocupa papel importante na produção de carne wagyu.

Grãos ricos em amido fornecem energia para a formação da gordura intramuscular.

Entre os principais alimentos utilizados estão:

  • Milho
  • Sorgo
  • Arroz
  • Trigo
  • Cevada

Alguns criadores brasileiros também utilizam resíduos gerados durante a fermentação da cevada.

A borra restante desse processo pode funcionar como fonte de proteína para os bovinos.

A presença da cevada na dieta não significa que os animais recebam cerveja diretamente.

As massagens podem contribuir para o bem-estar, mas não são comuns em grandes confinamentos.

Origem do wagyu remonta ao século II

O nome wagyu reúne dois termos japoneses.

“Wa” significa japonês, enquanto “gyu” significa gado.

Segundo a associação WagyuBrasil, os ancestrais do wagyu moderno chegaram ao Japão por volta do século II.

Esses animais vieram da península coreana e eram utilizados para arar terras e movimentar moinhos de grãos.

O esforço físico exigia força e resistência durante longos períodos.

Essa característica contribuiu para o desenvolvimento da capacidade de armazenar gordura entre as fibras musculares.

O rebanho permaneceu relativamente isolado até 1868, durante a Restauração Meiji.

Criadores japoneses passaram, então, a realizar cruzamentos com raças importadas.

Esse processo ajudou a formar as linhagens conhecidas atualmente.

Wagyu chegou ao Brasil pelas mãos da Yakult em 1992

Os primeiros exemplares de wagyu deixaram o Japão rumo aos Estados Unidos em 1976.

A expansão internacional ganhou força durante a década de 1990.

O wagyu puro chegou ao Brasil em 1992, por iniciativa da Yakult.

A empresa trouxe um casal de animais japoneses para sua fazenda em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

A Yakult desenvolve, desde então, trabalhos de seleção e melhoramento genético.

A companhia permanece entre as principais produtoras brasileiras da raça.

O rebanho nacional reúne animais puros e cruzamentos com outras raças.

Dados da ABCWagyu apontam aproximadamente 5 mil wagyus puros e 30 mil animais cruzados no país.

Bovino wagyu em uma propriedade rural, ilustrando a criação da raça japonesa conhecida pela genética e pelo marmoreio intenso da carne.
Touro preto da raça wagyu em pastagem cercada, com colinas e áreas rurais ao fundo.

Genética, alimentação e manejo definem a qualidade da carne

O elevado preço do wagyu não depende de cerveja ou de massagens.

Genética, alimentação balanceada, manejo adequado e marmoreio explicam a valorização dos cortes.

A intensidade da gordura intramuscular pode elevar o preço e diferenciar a carne no mercado.

O wagyu, dessa forma, reúne tradição japonesa, seleção genética e um sistema de produção voltado à qualidade.

Você pagaria mais de R$ 1 mil por um quilo de carne wagyu para experimentar um dos cortes bovinos mais valorizados do mundo? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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