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Operador de máquina percebe marcas estranhas no piso de uma pedreira em Oxfordshire e revela 200 pegadas de dinossauros com 166 milhões de anos, expondo o maior sítio de rastros já encontrado no Reino Unido sob uma camada que parecia apenas rocha comum

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 08/06/2026 às 12:33
Operador de máquina sente “soluços” no solo de pedreira em Oxfordshire, revela 200 pegadas de 166 milhões de anos e expõe o maior sítio de rastros de dinossauros já encontrado no Reino Unido
Credit: Oxford University Museum of Natural History.
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Descoberta em Oxfordshire revelou 200 pegadas de 166 milhões de anos, incluindo trilhas de Cetiosaurus e Megalosaurus, no maior sítio de rastros do Reino Unido.

Segundo a Universidade de Oxford, a descoberta começou quando Gary Johnson operava uma máquina na Dewars Farm Quarry, pedreira de calcário perto de Bicester, em Oxfordshire, e sentiu o que descreveu como “soluços estranhos” sob as rodas. Ao parar o equipamento e observar o chão, ele encontrou o que ninguém via havia 166 milhões de anos: uma sequência de pegadas de dinossauros preservadas logo abaixo da argila.

A partir desse momento, equipes das universidades de Oxford e Birmingham coordenaram uma escavação com mais de 100 cientistas, estudantes e voluntários, que trabalharam durante uma semana inteira no local. O resultado foi a identificação de cinco trilhas extensas com cerca de 200 pegadas individuais, formando o que já foi descrito como o maior sítio de rastros de dinossauros já descoberto no Reino Unido.

Pegadas de dinossauros em Oxfordshire revelaram trilhas de Cetiosaurus e Megalosaurus

Segundo o Natural History Museum, quatro das cinco trilhas foram feitas por Cetiosaurus, um saurópode herbívoro de pescoço longo que podia atingir cerca de 18 metros de comprimento. A quinta trilha foi atribuída ao Megalosaurus, o maior predador carnívoro conhecido do Jurássico britânico, com aproximadamente 9 metros de comprimento e mais de 2 toneladas.

A trilha contínua mais longa encontrada no local ultrapassou 150 metros. As pegadas do Megalosaurus tinham cerca de 65 centímetros de comprimento, enquanto as maiores marcas do Cetiosaurus chegavam a 90 centímetros, mostrando a diferença de porte entre o predador e o herbívoro que cruzaram a mesma área.

A partir do tamanho e do espaçamento das pegadas, os pesquisadores estimaram que ambos caminhavam a cerca de 5 km/h, uma velocidade semelhante à de um ser humano andando normalmente. Isso sugere que os animais não estavam correndo nem perseguindo algo naquele momento, mas apenas se deslocando com relativa tranquilidade pelo terreno lodoso.

Gary Johnson salvou um sítio paleontológico que poderia ter sido destruído em segundos

O episódio ganhou importância extra porque a descoberta só sobreviveu graças à atenção de Gary Johnson. Se ele tivesse continuado removendo a camada de argila com a máquina, as pegadas poderiam ter sido destruídas antes mesmo de qualquer pesquisador saber que estavam ali.

Foi essa interrupção imediata que permitiu a chegada dos especialistas e a preservação do sítio. O caso virou um exemplo raro e positivo de cooperação entre atividade industrial e ciência, mostrando que o uso comercial do solo nem sempre precisa entrar em choque com a preservação do patrimônio paleontológico.

A própria operação da pedreira colaborou com toda a escavação, permitindo que o local fosse estudado com cuidado. Em vez de virar apenas mais uma frente de extração, a área se transformou em um dos achados paleontológicos mais importantes do Reino Unido nos últimos anos.

Megalosaurus tem ligação histórica com Oxfordshire desde 1824

A descoberta ficou ainda mais simbólica porque o Megalosaurus tem uma relação histórica direta com Oxfordshire. Foi nesse mesmo condado que o animal se tornou, em 1824, o primeiro dinossauro a ser cientificamente nomeado na história, quando o anatomista William Buckland descreveu ossos encontrados em Stonesfield.

Durante quase 200 anos, o Megalosaurus foi conhecido principalmente a partir de restos ósseos fragmentados. As trilhas da Dewars Farm Quarry mudam esse quadro porque mostram não apenas como o animal era, mas como ele se movia, qual era sua passada e em que ritmo atravessava o ambiente jurássico.

Segundo a Universidade de Oxford, esse tipo de evidência amplia muito o valor científico da descoberta. Ossos ajudam a reconstruir anatomia. Pegadas ajudam a reconstruir comportamento, deslocamento e uso do espaço, oferecendo uma dimensão que o registro ósseo sozinho não consegue entregar.

Trilhas mostram predador e herbívoros usando a mesma área no Jurássico médio

Um dos pontos mais importantes da descoberta está na distribuição das cinco trilhas no mesmo espaço. Segundo o Natural History Museum, a predominância de rastros de Cetiosaurus sobre a trilha solitária do Megalosaurus é compatível com a lógica ecológica esperada, já que grandes predadores tendem a ser menos numerosos do que grandes herbívoros.

Mais importante que isso é o fato de as pegadas terem sido preservadas na mesma camada de lama. Isso indica que esses animais usaram aquela área em momentos próximos o suficiente para deixar um retrato quase congelado do movimento de dinossauros no Jurássico médio britânico.

Esse detalhe ajuda os pesquisadores a interpretar o local não como um ponto isolado, mas como parte de um corredor de circulação usado repetidamente por grandes dinossauros. Em vez de uma cena aleatória, a pedreira parece registrar uma paisagem viva e ativa de 166 milhões de anos atrás.

Nova escavação revelou trilha de saurópode com 220 metros e ampliou a escala da descoberta

Segundo a Universidade de Oxford, a primeira escavação não encerrou a história da Dewars Farm Quarry. Em uma segunda temporada de campo, os pesquisadores voltaram ao local e revelaram uma trilha ainda maior, atribuída a um saurópode, com 220 metros de extensão. Essa sequência foi descrita como a maior trilha de saurópode já encontrada na Europa e a segunda maior do mundo. O novo achado reforçou a ideia de que a área guarda um sistema muito mais amplo de deslocamento de dinossauros do que se imaginava no início das escavações.

A documentação foi feita com escavação manual e também com fotogrametria aérea por drone, gerando modelos em 3D de alta resolução. Isso permite que cientistas estudem as pegadas com precisão milimétrica mesmo sem estar fisicamente no local, além de garantir uma preservação digital extremamente detalhada.

Pegadas de dinossauros revelam comportamentos que ossos nunca conseguem mostrar

Trilhas fossilizadas têm um valor especial na paleontologia porque registram algo que esqueletos não conseguem guardar. Um osso mostra forma, tamanho e estrutura corporal. Uma trilha mostra comportamento em vida, incluindo velocidade, postura, direção e padrão de deslocamento.

No caso da Dewars Farm Quarry, os pesquisadores puderam calcular que tanto o Megalosaurus quanto o Cetiosaurus caminhavam a cerca de 5 km/h. Também puderam confirmar que os saurópodes se deslocavam com postura ereta, sem arrastar a cauda no chão, algo importante para a reconstrução científica desses gigantes.

O que Gary Johnson sentiu como “soluços estranhos” sob as rodas da máquina era, na prática, a superfície de um sistema paleontológico muito maior, enterrado por milhões de anos a poucos centímetros do solo. A descoberta não revelou apenas pegadas. Revelou uma paisagem inteira de circulação de dinossauros preservada no calcário de Oxfordshire. centímetros abaixo da argila.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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