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ONU alerta que Terra está acumulando calor em níveis sem precedentes e fenômeno El Niño pode agravar ainda mais a crise climática global

Publicado em 23/03/2026 às 21:19
Atualizado em 27/03/2026 às 23:47
El Niño e aquecimento global explicados: desequilíbrio energético, gases de efeito estufa e eventos extremos no alerta da ONU.
El Niño e aquecimento global explicados: desequilíbrio energético, gases de efeito estufa e eventos extremos no alerta da ONU.
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Relatório da OMM, ligada à ONU, aponta desequilíbrio energético recorde: a Terra absorve mais calor do que devolve, com oceanos aquecendo, gelo em retração e eventos extremos em alta. Cientistas alertam que o El Niño, previsto para 2026, pode empurrar novas marcas até 2027 e intensificar impactos sentidos no Brasil.

O alerta mais recente da ONU coloca o El Niño no centro de um cenário já pressionado: a Terra estaria acumulando calor em um ritmo sem precedentes, porque está retendo mais energia térmica do que consegue “devolver” ao espaço. Na prática, isso eleva a temperatura do ar, aquece a superfície e, principalmente, carrega os oceanos com a maior parte dessa energia extra.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) descreve esse quadro como um “desequilíbrio energético” em nível recorde, impulsionado por gases de efeito estufa como o dióxido de carbono. A preocupação é que a soma entre aquecimento de origem humana e um El Niño na segunda metade de 2026 amplifique a chance de novos recordes globais, com reflexos em extremos climáticos e impactos no dia a dia.

O que significa a Terra “acumular calor” e por que isso virou um alerta vermelho

Quando a OMM fala em desequilíbrio energético, a ideia é direta: entra muita energia do Sol e uma parte maior do que o normal fica “presa” no sistema climático, em vez de sair de volta para o espaço. Esse excesso não é abstrato: ele se manifesta como calor adicional distribuído entre oceano, atmosfera, terra e gelo e é justamente essa soma que ajuda a explicar por que tantos indicadores climáticos aparecem em níveis críticos ao mesmo tempo.

A OMM associa o recorde recente desse desequilíbrio à concentração elevada de gases que retêm calor, especialmente o CO₂, em patamares que não seriam vistos há pelo menos dois milhões de anos. Não é um detalhe técnico: é o mecanismo central que empurra o termômetro para cima mesmo quando há variações naturais de um ano para outro, como La Niña e El Niño.

Para onde vai a maior parte do calor: o oceano como “depósito” do planeta

O dado que muda a forma de enxergar o problema é a distribuição do calor extra: mais de 90% da energia adicional fica nos oceanos, enquanto uma fração menor aquece a terra e a atmosfera e outra parte contribui para o derretimento do gelo. Isso significa que o oceano é o grande amortecedor e também o grande “arquivo” do aquecimento, acumulando calor que pode influenciar o clima por longos períodos.

A OMM indica que o calor armazenado nos 2 km superiores do oceano global atingiu novo recorde e que, nas últimas duas décadas, o ritmo de aquecimento foi mais do que o dobro do observado no fim do século 20. Esse armazenamento tem consequências em cadeia: prejudica ecossistemas marinhos, contribui para a elevação do nível do mar e pode favorecer tempestades mais intensas. Em outras palavras, o que acontece no oceano não fica no oceano.

Recordes recentes: por que 11 anos seguidos no topo importam para o próximo ciclo

Segundo a OMM, os últimos 11 anos foram também os 11 mais quentes desde o início dos registros em 1850. Esse tipo de sequência altera o “ponto de partida” de cada novo ano: quando a base já está elevada, qualquer empurrão adicional natural ou provocado por emissões tende a produzir efeitos mais visíveis e mais rápidos.

Nesse contexto, a OMM aponta que 2025 ficou cerca de 1,43 °C acima dos níveis do período pré-industrial. Ao mesmo tempo, um resfriamento temporário associado à La Niña ajudou a explicar por que 2025 não superou 2024, que havia sido intensificado pela fase oposta, o El Niño. A leitura central é que a variabilidade natural continua existindo, mas está “operando” em cima de um patamar mais quente do que antes.

El Niño: por que a fase quente pode empurrar as temperaturas até 2027

O El Niño é a fase quente do fenômeno conhecido como El Niño–Oscilação Sul (ENSO), que acopla mudanças no oceano e na atmosfera. Em termos físicos, ele envolve águas mais quentes na faixa equatorial do Pacífico e alterações na circulação atmosférica, frequentemente associadas ao enfraquecimento dos ventos alísios. Não é “a causa” do aquecimento global, mas pode amplificar temporariamente o aquecimento já em curso, elevando as médias globais.

A OMM relata que previsões de longo prazo indicam forte possibilidade de uma fase de aquecimento do El Niño se formar na segunda metade de 2026.

A preocupação é explícita: um El Niño somado ao aquecimento provocado por atividades humanas pode elevar as temperaturas até 2027, aumentando a chance de novos recordes globais. Quando o “fundo” já está alto, o pico fica mais fácil de alcançar — e mais difícil de ignorar.

Impactos já observados: extremos, gelo em retração e riscos indiretos para a saúde

O mesmo aquecimento que eleva as médias ajuda a intensificar diferentes tipos de eventos extremos. A OMM cita que geleiras do mundo tiveram um dos cinco piores anos já registrados em 2024/25 e que o gelo marinho nos dois polos ficou em níveis mínimos ou próximos disso durante grande parte de 2025. O gelo funciona como um regulador do clima; quando ele encolhe, o sistema perde uma camada importante de estabilidade.

Além disso, o relatório relaciona o aumento de temperatura a efeitos como tempestades mais intensas e condições favoráveis à disseminação de doenças, incluindo a dengue.

Um exemplo recente mencionado é uma onda de calor recorde no sudoeste dos Estados Unidos no início da temporada, com temperaturas passando de 40 °C em alguns locais e ficando cerca de 10 °C a 15 °C acima da média; uma análise rápida do grupo World Weather Attribution concluiu que essa intensidade seria “virtualmente impossível” sem a mudança climática causada pelos humanos. O recado por trás do exemplo é simples: o que antes era raro tende a ficar mais provável.

El Niño e La Niña no Brasil: como o ENSO costuma mexer com chuva e temperatura

No Brasil, as fases do ENSO costumam reorganizar padrões de chuva e temperatura, especialmente entre o fim do inverno e o verão. A descrição é um jogo de sinais: a La Niña tende a deixar as chuvas mais irregulares no Sul (com mais risco de estiagens) e aumenta precipitações no Norte e Nordeste; também pode favorecer temperaturas abaixo da média ao facilitar a passagem de frentes frias, ajudando a explicar verões mais amenos em algumas regiões.

Já o El Niño costuma reforçar o calor em todo o país e inverter o padrão das chuvas: no Norte e Nordeste, a precipitação tende a ficar abaixo da média, enquanto no Sul tende a ficar acima. Isso não significa que cada cidade terá o mesmo resultado, mas aponta uma direção de risco e, em um planeta mais quente, esses padrões podem se combinar com ondas de calor, estiagens ou temporais de forma mais problemática.

O alerta da ONU, via OMM, junta duas forças que costumam pesar no clima: um aquecimento global sustentado por gases de efeito estufa e a possibilidade de um El Niño a partir da segunda metade de 2026, capaz de elevar as temperaturas globais até 2027.

Em um cenário de recordes recentes e oceanos armazenando a maior parte do calor extra, o risco não é apenas “mais calor”, mas mais instabilidade e mais impactos em cascata.

Com informações do portal BBC.

Quero te ouvir: na sua região, você já percebeu mudanças mais claras em calor, chuvas ou estiagens nos últimos anos? E, quando o El Niño aparece, o que costuma mudar primeiro aí temperatura, chuva, saúde, rotina? Deixe nos comentários com sua cidade/estado.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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