A Odfjell inicia operações regulares entre Brasil e Europa com uso de biocombustíveis e B24 sustentável, consolidando o primeiro corredor verde e avançando na descarbonização do transporte marítimo internacional
A Odfjell iniciou oficialmente a operação do primeiro corredor verde totalmente funcional entre Brasil e Europa, utilizando B24 sustentável em rotas marítimas de longa distância. Segundo publicação da própria empresa feita em seu site no dia 15 de dezembro, a iniciativa conecta portos estratégicos no Brasil e no norte da Europa e marca um avanço concreto no uso de biocombustíveis certificados na navegação em alto-mar.
Primeiro corredor verde da Odfjell entre Brasil e Europa já está em operação
Diferentemente de projetos experimentais, o corredor verde da Odfjell já opera de forma regular, com viagens recorrentes, combustível garantido e integração logística entre portos, armadores e fornecedores. O projeto reforça a avaliação da empresa de que soluções de baixo carbono já estão disponíveis para aplicação operacional no transporte marítimo.
O primeiro corredor verde operacional da Odfjell liga o Porto de Rio Grande, no Brasil, aos portos europeus de Antuérpia-Bruges e Roterdã. A rota cobre cerca de 5.000 milhas náuticas entre Brasil e Europa, sendo percorrida por navios-tanque químicos da companhia.
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Estão previstas entre 12 e 15 viagens por ano, com duração média de aproximadamente 40 dias por travessia. Todas essas operações utilizam B24 sustentável, resultando em emissões significativamente menores em comparação ao combustível marítimo convencional.
O corredor verde não é uma iniciativa pontual, mas uma operação contínua integrada à estratégia de descarbonização da empresa.
B24 sustentável e o papel dos biocombustíveis na navegação marítima
O B24 sustentável utilizado pela Odfjell no Brasil é uma mistura composta por 24% de biodiesel renovável derivado de resíduos e 76% de VLSFO, combustível marítimo de baixo teor de enxofre. Trata-se de um produto certificado e rastreável, atendendo a critérios internacionais de sustentabilidade.
O uso de biocombustíveis como o B24 permite reduzir emissões sem a necessidade de grandes adaptações técnicas nos navios, o que viabiliza sua adoção imediata em rotas oceânicas de longa distância. Esse fator torna o B24 sustentável uma solução pragmática para a transição energética no transporte marítimo, especialmente no curto e médio prazos.
Contrato de fornecimento garante escala ao corredor verde Brasil e Europa
Para assegurar a continuidade do primeiro corredor verde, a Odfjell firmou um contrato de fornecimento de B24 sustentável no Porto de Rio Grande, garantindo disponibilidade de combustível a longo prazo.
Além disso, os portos de Rio Grande, Antuérpia-Bruges e Roterdã atuam de forma coordenada com a empresa para otimizar processos portuários, reduzir tempos de espera e aumentar a eficiência operacional.
A colaboração portuária é essencial para o sucesso do corredor verde entre Brasil e Europa, contribuindo para a redução de emissões não apenas durante a navegação, mas também nas operações em terra.
Odfjell assume custos e avança sem subsídios públicos
Um dos aspectos mais relevantes da iniciativa é a decisão da Odfjell de autofinanciar o projeto, sem recorrer a subsídios governamentais. Ao assumir o custo adicional associado aos biocombustíveis, a empresa eliminou o fator financeiro como barreira à implementação.
Segundo o CEO Harald Fotland, essa abordagem permitiu avançar diretamente para a operação real do corredor verde. Segundo ele, a iniciativa demonstra que combustíveis, tecnologias e infraestrutura certificados já estão disponíveis para viabilizar a navegação de baixo carbono. A estratégia reforça o compromisso de longo prazo da Odfjell com a descarbonização, indo além de ações pontuais ou projetos demonstrativos.
Redução de emissões e estratégia de descarbonização da Odfjell
A introdução do B24 sustentável no primeiro corredor verde é parte de um esforço contínuo da Odfjell para reduzir sua pegada de carbono. Ao longo da última década, a empresa conseguiu reduzir sua intensidade de carbono em mais de 54%, em comparação com o índice de referência de 2008.
Esse resultado foi alcançado por meio de melhorias técnicas, otimização operacional e, mais recentemente, pela incorporação estruturada de biocombustíveis na frota. O corredor verde consolida os combustíveis mais limpos como um novo pilar estratégico, integrando toda a cadeia de valor marítima.
Alinhamento com metas globais e acordos entre Brasil e Europa
A iniciativa da Odfjell está alinhada às metas da Organização Marítima Internacional para 2030, bem como às ambições climáticas da União Europeia no âmbito do programa Fit for 55.
O projeto também se apoia no memorando de entendimento firmado entre Noruega e Brasil em 2024, que estabelece as bases para o desenvolvimento de um corredor de navegação transatlântico sustentável. Esse alinhamento reforça o papel do corredor verde como um modelo replicável para outras rotas globais.
Apoio institucional fortalece o primeiro corredor verde
O Ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega, Anders Bjelland Eriksen, destacou que os corredores verdes de longa distância ainda estão em fase inicial, e que a iniciativa da Odfjell representa um passo fundamental rumo às emissões zero no transporte marítimo.
Para ele, o oceano é um elo comercial entre Brasil e Noruega, e o novo corredor verde simboliza a cooperação internacional em prol de uma navegação mais sustentável.
Biocombustíveis como solução viável para o transporte marítimo global
Estudos ressaltam que o transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que torna iniciativas como essa essenciais para alcançar as metas climáticas até 2050.
O CEO Marítimo da DNV, Knut Ørbeck-Nilssen, afirmou que os biocombustíveis representam uma opção viável para a navegação em águas profundas, especialmente quando associados a sistemas robustos de certificação, como ocorre com o B24 sustentável adotado pela Odfjell.
Um marco operacional para a navegação de baixo carbono
O início da operação do primeiro corredor verde entre Brasil e Europa posiciona a Odfjell como uma das referências globais na descarbonização do transporte marítimo.
Mais do que um projeto piloto, trata-se de uma operação regular, escalável e financeiramente viável, baseada no uso contínuo de biocombustíveis certificados.
O corredor verde demonstra que a transição energética no setor marítimo já está em curso, combinando combustível limpo, infraestrutura portuária eficiente e cooperação internacional para reduzir emissões em uma das rotas comerciais mais relevantes do Atlântico.

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