Achado arqueológico nas obras da Linha 4 do metrô revelou cerca de 1.800 peças históricas em Ipanema e no Leblon, incluindo louças, moedas, vidros, talheres e trilhos de bonde do início do século 20
Um achado surpreendeu o Brasil em 2014. Cerca de 1.800 artefatos no metrô foram encontrados em escavações da Linha 4, em Ipanema e no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. As peças, ligadas ao final do século 19 e início do século 20, incluem louças, moedas, vidros, talheres e trilhos de bonde.
Artefatos no metrô incluem louças, moedas e trilhos de bonde
Entre as cerca de 1.800 peças estão porcelanas, pratos, tigelas, talheres, moedas, objetos de vidro e trilhos do bonde que funcionou nos bairros a partir de 1902.
Alguns utensílios foram encontrados intactos, como peças de louça, porcelana e frascos de vidro. A quantidade e a variedade do material ajudam a revelar aspectos da ocupação da região naquele período.
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Peças ajudam a reconstruir a ocupação de Ipanema e Leblon
O coordenador da equipe de arqueologia, Cláudio Prado de Mello, explicou que os achados podem mostrar detalhes da vida na região quando Ipanema e Leblon tinham cerca de 100 chácaras, conforme documentos históricos.
Até então, foi a segunda vez que milhares de peças foram encontradas pela equipe contratada pelo Consórcio Linha 4 Sul. A primeira ocorreu no ano anterior, ao lado da antiga estação da Leopoldina, no centro do Rio de Janeiro.
O trabalho arqueológico começou em janeiro de 2013 e seguiu com fiscalização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.
Penicos com matéria orgânica serão analisados pela Fiocruz
Entre os objetos encontrados estão penicos, alguns com matéria orgânica no interior. Esses materiais serão encaminhados à Fundação Oswaldo Cruz para análise de paleoparasitologia.
Segundo Cláudio Prado de Mello na época, a análise pode ajudar a identificar doenças presentes na população que viveu na área há 100 ou 200 anos. Para o arqueólogo, esse tipo de estudo também pode contribuir para a medicina.
Outra peça que chamou atenção foi uma ampola de vidro com líquido translúcido ainda não identificado. O conteúdo não foi detalhado no material consultado.

Material será estudado, catalogado e usado em educação patrimonial
Todo o material recolhido está acondicionado e será estudado. As peças também devem ser expostas em trabalhos de educação patrimonial voltados à comunidade, conforme orientação do licenciamento ambiental.
Os objetos serão organizados e fotografados para a produção de um catálogo. O trabalho arqueológico deve continuar até a inauguração do metrô, prevista no material para 2016.
O arqueólogo também afirmou na época que o aprofundamento da origem dos artefatos pode ajudar a explicar relações de comércio e contatos entre diferentes sociedades. Ele ainda esperava encontrar vestígios pré-coloniais na área, como sepultamento ou acampamento indígena.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Agência Brasil, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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