A construção da fábrica da Heineken em Minas Gerais pode causar danos à região onde foi encontrado o fóssil humano mais antigo das Américas
Ontem, terça-feira (21/09), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) embargou a área onde funcionaria a fábrica da cervejaria Heineken em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O empreendimento, que pretende produzir 760 milhões de litros por ano, causaria danos à área onde foi encontrado o fóssil humano mais atingido das Américas, conhecido como “Luzia”. Leia ainda: Empresa farmacêutica investirá R$ 70 milhões para a construção de nova fábrica, em Minas Gerais
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Paralisação da construção da fábrica da Heineken, em Minas Gerais
A ameaça de soterrar o complexo de grutas e cavernas onde foi encontrado o esqueleto mais antigo da América do Sul —o crânio de Luzia— levou o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) a paralisar as obras de uma fábrica da cervejaria Heineken em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte. O órgão do Ministério do Meio Ambiente também enviou ofício para o governo mineiro, que já havia concedido a licença prévia para a construção, e aplicou duas multas na empresa, que somam R$ 83 mil.
A construção da fábrica chegou a ser usada pelo governador Romeu Zema (Novo) como bandeira política. Quando anunciou o acordo com a cervejaria, o político postou nas redes sociais um vídeo exaltando a atração de um investimento de R$ 1,8 bilhão para o Estado. Um dos secretários de Zema destacou a “dinamicidade” do governo para conseguir convencer a Heineken a construir a fábrica em Pedro Leopoldo, distante 40 quilômetros de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
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Impactos à Área de Proteção Ambiental
Os fiscais do ICMBio, dizem que “Os impactos [à Área de Proteção Ambiental Carste Lagoa Santa, vizinho à construção da fábrica] são desconhecidos e imprevisíveis.”, pois os estudos apresentados pela Heineken e aprovados pelo governo mineiro na nova fábrica são falhos.
A caverna Lapa Vermelha 4, onde foi encontrado o crânio de Luzia, pode ser “fatalmente afetada” com a futura fábrica, continuam os fiscais. O órgão classifica a concessão da licença ambiental do governo mineiro como “uma grave falha”. O ICMBio afirma que não foram apresentados estudos que possibilitem saber como a construção da fábrica afetará a dinâmica da drenagem da água. Uma das fontes de captação para produzir a cerveja é o subsolo, com um volume de 310m³ por hora, o que seria suficiente para abastecer uma cidade de 37 mil habitantes. “A retirada de água do subsolo poderá implicar em consequências danosas ao meio ambiente”, afirma a nota do ICMBio.
Alguns detalhes da nova fábrica da Heineken, em Minas Gerais
Esta unidade é a primeira fábrica da Heineken totalmente construída no Brasil, todas as outras 15 unidades de produção pertencentes a multinacional no país foi adquirida durante a compra da Brasil Kirin em 2017, que por sua vez possuía as cervejarias que uma vez eram da Schincariol. Seis meses após o anúncio oficial da instalação de uma fábrica da Heineken no estado, a empresa está no aguardo da emissão de licenças por parte da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais.
Em maio, foi noticiado que a cervejaria Heineken já havia adquirido um terreno do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), teria comprado uma área da Precon Engenharia, e negociava outras ao redor. Na época, a empresa não comentou o assunto, mas a reportagem teve acesso a documentos e informações que indicam que a construção será nas proximidades de onde seria o empreendimento. Uma fonte relacionada às negociações, que pediu para não ser identificada, detalhou que a instalação da fábrica da cervejaria ocorrerá em uma junção de quatro terrenos.

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