Pesquisa do FGV Ibre mostra que o transporte ganhou espaço entre as principais despesas, enquanto alimentação, serviços públicos e moradia continuam dominando o orçamento familiar.
Dados do FGV Ibre mostram que 27,6% dos entrevistados colocaram o transporte entre as três despesas que mais pesaram no mês.
O percentual registrado em junho de 2025 era de apenas 2%.
-
Muito antes de o guaraná movimentar fábricas e chegar às prateleiras, os Sateré Mawé domesticaram a planta, criaram técnicas de processamento e hoje reúnem 337 famílias produtoras na Amazônia
-
Jornalista quase perde todas as economias após golpista “incrivelmente sofisticado” usar dados bancários para convencê-lo
-
Por que o brasileiro parcela até compras pequenas? A explicação está na inflação, no orçamento apertado e em um truque do cérebro que faz a prestação parecer muito mais leve do que o preço total
-
Justiça barra festa de São João na Paraíba e determina que prefeitura só poderá liberar gastos com o evento após quitar salários atrasados, devolver descontos a servidores da saúde e comprovar regularização trabalhista
A diferença representa um avanço de 25,6 pontos percentuais em apenas um ano, a maior variação identificada no levantamento.
A 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho foi divulgada em 14 de julho de 2026.
Alimentação continua no topo das despesas familiares
A alimentação permaneceu como o principal gasto apontado pelos brasileiros.
O item foi citado por 75% dos entrevistados em junho de 2026.
O resultado registrado no mesmo mês de 2025 havia sido de 74,2%.
As contas de serviços públicos também ganharam espaço no orçamento.
O percentual subiu de 36,8% para 50,3%.
Os gastos com aluguel ou financiamento da moradia avançaram de 42,2% para 45,6%.
As despesas com saúde passaram de 31% para 32,7%.
As dívidas cresceram de 19,2% para 23,3%.
O lazer aumentou de 12,8% para 21,1%.
A educação apresentou variação menor, passando de 17,7% para 18,5%.
Combustíveis ajudam a explicar a alta do transporte
Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, relaciona o avanço aos custos de deslocamento.
Os combustíveis aparecem como um dos principais fatores dessa pressão.
O conflito no Oriente Médio aumentou as incertezas no mercado internacional de petróleo, segundo o pesquisador.
Os preços dos combustíveis e dos transportes individual e coletivo foram diretamente afetados.
Tobler avalia que esse gasto poderá permanecer em nível elevado.
Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, também destacou a volatilidade do grupo de transportes no IPCA.
Combustíveis, tarifas de transporte público e custos dos veículos influenciam diretamente esse comportamento.
Menos famílias conseguem pagar as contas essenciais
A pesquisa mostra que 69,1% dos entrevistados pagaram as despesas essenciais entre abril e junho de 2026.
O percentual vem apresentando queda desde fevereiro.
O indicador registrado naquele mês era de 72,4%.
Menos famílias, dessa maneira, conseguem encerrar o mês com todas as contas essenciais em dia.
Tobler avalia que o principal problema está na pressão dos custos.
A renda não necessariamente caiu, mas os gastos aumentaram.
O crescimento dos rendimentos também perdeu força em comparação com períodos anteriores.
O mercado de trabalho, ainda assim, permanece relativamente estável.
A alta das despesas reduz a percepção de bem-estar financeiro.
Orçamento fica preso aos gastos que não podem esperar
André Matos, CEO da MA7 Negócios, destaca a concentração das despesas em necessidades básicas.
Alimentação, contas públicas e moradia não podem ser adiadas.
Esses compromissos absorvem grande parte da renda disponível.
As famílias, consequentemente, possuem menos espaço para lazer, educação e outras despesas.
Satisfação com o trabalho também recua
A satisfação dos trabalhadores caiu no trimestre encerrado em junho de 2026.
O percentual de entrevistados satisfeitos ficou em 64%.
O índice registrado em janeiro havia alcançado 68%.
A parcela de insatisfeitos passou de 5,7% para 6,9%.
A baixa remuneração foi apontada como principal motivo por 57,9% dos participantes insatisfeitos.
A dificuldade para conseguir emprego também preocupa.
A pesquisa mostra que 41% dos entrevistados consideram difícil encontrar uma oportunidade no Brasil.
Tobler identifica cautela entre os trabalhadores diante de uma possível desaceleração econômica.
Matos também chama atenção para a informalidade e o trabalho por conta própria.
Novas fontes de renda podem surgir com rapidez nesse cenário.
Essas ocupações, porém, normalmente não oferecem FGTS, seguro-desemprego ou proteção financeira.
O mercado, dessa forma, oferece alguma oportunidade de renda, mas não garante segurança diante de uma eventual perda de ganhos.
Na sua opinião, o transporte continuará pesando cada vez mais no orçamento ou os preços dos combustíveis ainda podem aliviar essa pressão? Deixe seu comentário!
