Setor impulsionado pela alta das proteínas alternativas e pela demanda internacional eleva o Brasil ao topo do agronegócio avícola, com três empresas entre as 30 maiores do mundo e produção crescente nas principais regiões produtoras
O Brasil alcançou em 2024 a marca recorde de 4,67 bilhões de dúzias de ovos produzidos, consolidando sua posição como o quinto maior produtor mundial. O crescimento foi impulsionado pela alta dos preços de outras proteínas e pelo avanço de grandes empresas do setor.
Segundo dados do IBGE, o país registrou uma alta de 10% na produção de ovos de galinha em relação a 2023. A escalada foi observada em 25 das 26 unidades federativas que participam da pesquisa. O estado de São Paulo manteve a liderança nacional, com 26% da produção, seguido por Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo.
Esse crescimento está diretamente ligado à expansão do agronegócio avícola, à elevação da demanda internacional e à substituição de carnes mais caras no mercado interno. Em paralelo, a presença de grandes fazendas de galinhas especializadas em alta escala industrial tem sustentado a produção de ovos mesmo em cenários desafiadores.
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Três gigantes nacionais se destacam no ranking mundial da produção de ovos
O Brasil também se firmou como potência empresarial no setor. De acordo com o relatório World’s Top 30 Egg Producers, da WATT Global Media, três empresas brasileiras aparecem no ranking global de maiores produtoras. A Mantiqueira Brasil ocupa a 10ª posição no mundo, com 16,5 milhões de galinhas poedeiras e uma produção de 4 bilhões de ovos anuais.
Em janeiro de 2025, a gigante da carne JBS anunciou a compra de 50% da Mantiqueira, num movimento que amplia sua atuação no segmento de proteína animal e fortalece a internacionalização da produção brasileira de ovos. A união foi considerada estratégica para acesso a novos mercados e ampliação de capacidade produtiva.
A Granja Faria, com 16,2 milhões de aves e 5,2 bilhões de ovos produzidos por ano, aparece em seguida. Fundada em 2006, a empresa atua também no comércio exterior, exportando para 18 países, incluindo Japão, Emirados Árabes e Alemanha. Em 2024, seu fundador, Ricardo Faria, foi incluído na lista de bilionários da Forbes Brasil.
De tradição familiar à liderança nacional na produção de ovos
Fechando o trio nacional no ranking está a Granja Yabuta, com 10 milhões de aves distribuídas por unidades em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. A empresa produz desde ovos comuns até ovos caipiras, de codorna e enriquecidos com ômega 3 e vitamina E, mostrando a diversificação como estratégia de mercado.
Além da estrutura empresarial, o avanço tecnológico na agricultura e a melhoria na gestão das granjas contribuíram para esse salto. A produção rural intensiva e bem distribuída pelo território nacional ajuda a atender o crescimento da demanda interna, que subiu de 82 ovos per capita em 1997 para 242 ovos por habitante em 2023, segundo a ABPA.
Mesmo com os bons números, o setor enfrentou pressões de mercado. Em 2024, o preço dos ovos disparou no Brasil e nos Estados Unidos. No Brasil, o aumento se deu por controle de oferta por parte dos produtores, o que deve se ajustar após a Quaresma, segundo o Ministério da Agricultura.

