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O que realmente pode disparar grandes erupções vulcânicas? Pesquisa aponta que o gás voltando ao magma pode ser mais perigoso do que sair dele

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 28/03/2026 às 11:07
Atualizado em 28/03/2026 às 12:02
Estudo aponta que grandes erupções vulcânicas podem ser aceleradas pela reabsorção de gases no magma, e não só pela exsolução.
Estudo aponta que grandes erupções vulcânicas podem ser aceleradas pela reabsorção de gases no magma, e não só pela exsolução.
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Estudo publicado na Nature Communications indica que grandes erupções vulcânicas podem ser aceleradas pela dissolução de gases de volta no magma, e não apenas pela liberação desses voláteis, alterando a compreensão sobre a pressurização em grandes câmaras magmáticas silícicas

Grandes erupções vulcânicas podem ser impulsionadas pela dissolução de gases de volta no magma, segundo um estudo publicado na revista Nature Communications. A pesquisa propõe um mecanismo diferente da explicação predominante e aponta que a reabsorção de voláteis pode acelerar a pressurização em grandes câmaras magmáticas silícicas.

A compreensão do que desencadeia grandes erupções é considerada crucial para a avaliação de riscos, mas o mecanismo exato que leva a esses eventos ainda não é totalmente compreendido.

Até agora, a principal teoria sustentava que a exsolução de voláteis, processo em que gases deixam o magma, seria um dos fatores centrais por trás dessas erupções.

O modelo predominante e a nova proposta

Pesquisas anteriores destacaram a exsolução de voláteis como fator determinante para erupções causadas pelo aumento de pressão em câmaras magmáticas. Nesse processo, gases dissolvidos, como vapor de água, dióxido de carbono e enxofre, se separam do magma silicatado e formam bolhas à medida que o material sobe ou esfria.

Esse comportamento reduz a solubilidade e gera uma sobrepressão magmática significativa, capaz de impulsionar erupções vulcânicas. Alguns estudos anteriores também indicaram que, em grandes sistemas vulcânicos, esses gases exsolvidos podem amortecer a pressão, o que tornaria as erupções menos frequentes, mas maiores quando acontecem.

Os autores do novo estudo afirmam, porém, que para a exsolução atuar como principal gatilho eruptivo, ela precisaria superar tanto a perda de voláteis por desgaseificação passiva quanto o relaxamento viscoso da crosta. Segundo eles, isso exigiria taxas rápidas de cristalização, algo difícil de manter em reservatórios maiores e termicamente tamponados.

De acordo com a equipe, em grandes sistemas silícicos, os voláteis exsolvidos podem exercer controle primário sobre a compressibilidade do magma e o crescimento da câmara magmática, em vez de provocar diretamente as erupções. A partir dessa avaliação, os pesquisadores voltaram a atenção para o processo oposto.

Reabsorção de voláteis nas erupções vulcânicas

O estudo investiga a chamada reabsorção de voláteis, fenômeno em que os gases se dissolvem novamente no magma. Segundo os autores, esse retorno reduz a compressibilidade do magma, altera a resposta do sistema à recarga e afeta sua estabilidade geral.

Na prática, isso faz com que o magma se torne mais difícil de comprimir, o que acelera a pressurização do sistema. Para a equipe, esse mecanismo pode aumentar rapidamente a pressão em grandes câmaras magmáticas silícicas e, assim, desencadear erupções mais depressa do que a exsolução de voláteis.

Os pesquisadores afirmam que essa diferença é importante porque altera a forma como a estabilidade da câmara magmática é interpretada. Em vez de funcionar apenas como um elemento ligado à liberação de gases, o sistema passaria a ser influenciado também pela dissolução desses voláteis no magma.

O caso da caldeira de Aso, no Japão

Como exemplo, os cientistas analisaram uma antiga erupção vulcânica no Japão. A equipe sustenta que a reabsorção de voláteis provavelmente teve papel fundamental na erupção conhecida como Aso-4, ocorrida há cerca de 86 mil anos no vulcão Aso.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram um modelo numérico termomecânico de câmaras magmáticas calibrado com dados geoquímicos do vulcão japonês. O estudo também recorreu a informações obtidas em cristais de apatita, um mineral de fosfato de cálcio expelido por esses vulcões.

Segundo os autores, a apatita pode funcionar como registro do comportamento da saturação de água no magma. Os dados extraídos desses cristais ajudaram a reconstruir como a erupção ocorreu e serviram de base para alimentar as simulações do modelo.

Resultados das simulações

As simulações testaram diferentes taxas de recarga, conteúdos de voláteis e condições térmicas. O objetivo foi identificar em que situações a reabsorção de voláteis ocorre e de que maneira ela interfere na estabilidade da câmara magmática.

Os resultados mostraram que a reabsorção reduz a compressibilidade do magma, amplifica a pressurização e desestabiliza a câmara. De acordo com os autores, esse efeito levou a uma erupção mais rápida do que nos cenários em que predominava a exsolução.

Ao analisar especificamente os casos com 5% em peso de H₂O, os pesquisadores observaram que a taxa de pressurização foi substancialmente maior na simulação de reabsorção. Nesse cenário, a erupção ocorreu após aproximadamente 2,3 mil anos, enquanto a simulação de exsolução não registrou erupção dentro do tempo de simulação de 5 mil anos.

Os autores atribuem essas altas taxas de pressurização não apenas às maiores taxas de recarga observadas nas simulações de reabsorção de voláteis. Segundo o estudo, elas também decorrem da redução na compressibilidade do magma causada pela diminuição induzida pela reabsorção na fase volátil magmática, que normalmente amortece o aumento de pressão em sistemas silícicos.

Alcance do estudo e próximos passos

Embora reconheçam que os modelos simplificam, em certa medida, a mecânica dos vulcões e se concentrem em um caso específico, os pesquisadores avaliam que o trabalho pode servir como ponto de partida para novas investigações. A proposta, segundo a equipe, é aprofundar a compreensão desse mecanismo em estudos futuros.

Os autores afirmam que pesquisas posteriores poderão refinar a análise da reabsorção de voláteis com modelos mais complexos e monitoramento em tempo real. Para a equipe, isso poderá abrir uma nova via para prever erupções vulcânicas catastróficas, com potencial para salvar vidas e reduzir perdas econômicas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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