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O natto parece estranho, forma fios pegajosos e assusta pelo aroma intenso, mas virou queridinho de quem ama novidades gastronômicas, ganhou fama de superalimento nas redes sociais e levou o Japão a exportar 5.248 toneladas somente em 2025

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 24/06/2026 às 00:31 Atualizado em 24/06/2026 às 00:33
Tigela de natto, alimento japonês de soja fermentada, com fios pegajosos sendo puxados pelos hashis sobre mesa de madeira, ao lado de arroz branco e molho.
Imagem mostra o natto, prato tradicional japonês feito de soja fermentada, servido com hashis e acompanhado de arroz, destacando a textura viscosa citada na matéria.
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Tradicional no café da manhã japonês, a soja fermentada triplicou suas exportações desde 2017 e passou a conquistar consumidores curiosos em vários países.

Um alimento japonês conhecido pelo cheiro intenso, pelo sabor ácido e pela consistência extremamente viscosa está conquistando cada vez mais espaço fora do país.

O natto, produzido por meio da fermentação da soja com bactérias, ganhou destaque internacional após aparecer com frequência nas redes sociais.

Sua associação com a alimentação saudável também aumentou a curiosidade de consumidores que nunca haviam experimentado o prato tradicional japonês.

Dados comerciais divulgados pelo Ministério das Finanças do Japão mostram que as exportações de natto triplicaram entre 2017 e 2025.

O Japão exportou 5.248 toneladas do alimento em 2025, principalmente para a China e os Estados Unidos.

A popularidade do natto passou a acompanhar o crescimento mundial de outros alimentos fermentados, como o kimchi e a kombucha.

Textura pegajosa surpreende turistas em Tóquio

O turista americano Wesley Smith experimentou o natto durante uma visita a um restaurante de Tóquio que oferece o alimento à vontade.

Diversos fios translúcidos e pegajosos ficaram suspensos entre o recipiente e a boca do visitante quando cada porção foi levantada com os hashis.

Smith relatou à agência AFP que sua primeira impressão foi de estranhamento.

O turista comparou o sabor do alimento ao de um queijo forte depois de provar as primeiras porções.

A consistência viscosa, segundo ele, dificilmente conquistaria consumidores em larga escala nos Estados Unidos.

A aparência pegajosa costuma provocar reações imediatas, mesmo quando o sabor é considerado familiar por parte do público.

Redes sociais impulsionam a fama de superalimento

Publicações sobre o natto começaram a circular com maior frequência nas redes sociais nos últimos anos.

O alimento passou a ser divulgado como um possível superalimento japonês, aumentando sua visibilidade fora da comunidade asiática.

Kenji Suzuki, proprietário do restaurante japonês Suehiro, em Los Angeles, percebeu uma mudança no perfil dos consumidores.

O empresário identificou um aumento no número de clientes não japoneses interessados em experimentar o prato.

Parte desse público procura o natto devido aos supostos benefícios relacionados à saúde.

Muitos consumidores também desejam descobrir se o alimento é realmente tão desagradável quanto algumas publicações sugerem.

A combinação entre curiosidade, experiências gastronômicas e alimentação saudável ajudou o produto a alcançar novos públicos.

Preço acessível mantém o natto popular no Japão

O natto continua fazendo parte da alimentação cotidiana de muitas famílias japonesas, apesar da crescente fama internacional.

O produto, tradicionalmente servido no café da manhã, também se destaca pelo preço acessível.

Um pacote com três porções custa aproximadamente 100 ienes no Japão.

O valor corresponde a cerca de US$ 0,60, ou aproximadamente R$ 3, conforme a conversão apresentada na reportagem da AFP.

O aumento dos custos de produção e comercialização também atingiu o natto.

Yoshihiro Noro, ex-presidente da Federação Japonesa de Cooperativas de Natto, afirmou que as embalagens ficaram mais caras.

A escassez de nafta, derivado do petróleo utilizado na fabricação desses recipientes, estaria pressionando os custos.

Noro relacionou essa dificuldade aos efeitos da guerra no Oriente Médio.

Produto tenta superar a imagem de “comida de pobre”

Yoshihiro Noro acredita que o novo cenário pode favorecer a valorização do natto.

O alimento foi associado durante muito tempo à expressão “comida de pobre”, principalmente pelo baixo preço e pela ampla disponibilidade.

Sua atual reputação como superalimento pode ajudar a modificar essa percepção entre consumidores japoneses e estrangeiros.

Poucos alimentos, segundo Noro, conseguem reunir preço acessível, tradição cultural e uma imagem relacionada à alimentação saudável.

O empresário de 72 anos também afirma ter desenvolvido uma versão destinada aos consumidores que rejeitam o aroma tradicional.

Versão sem cheiro busca conquistar novos consumidores

O produto criado por Noro recebeu o nome de Kamakurayama Natto.

A versão mantém uma consistência extremamente viscosa, porém não apresenta cheiro forte nem amargor, segundo o empresário.

O novo formato pode atrair pessoas interessadas na soja fermentada, mas incomodadas com suas características mais marcantes.

A adaptação ao natto, segundo Noro, pode exigir mais de uma experiência.

O empresário incentiva os consumidores a continuarem experimentando até se acostumarem com o sabor e a textura.

O crescimento das exportações mostra que o natto japonês já ultrapassou as fronteiras do país.

O prato continua dividindo opiniões, porém avança nos mercados internacionais graças às redes sociais e à fama de alimento saudável.

Você experimentaria uma soja fermentada conhecida pelo aroma intenso e pela textura extremamente pegajosa? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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