Embora a antimatéria atinja valores inalcançáveis, o califórnio-252 concentra custos reais, produção limitada, meia-vida curta, riscos radiológicos e aplicações estratégicas que explicam seu preço extremo no mundo industrial contemporâneo global
Não são ouro, diamantes ou terras raras estratégicas. Segundo o CERN, a substância (material) mais cara do mundo é a antimatéria, avaliada em US$ 62,5 trilhões por grama, o equivalente a cerca de R$ 335,2 trilhões, valor que ajuda a dimensionar limites tecnológicos e científicos atuais.
Apesar do preço teórico da antimatéria, sua produção exige quantidades colossais de energia, levaria milhões de anos com a tecnologia disponível e enfrenta obstáculos quase intransponíveis de armazenamento seguro.
Quando o critério passa a ser o material mais caro efetivamente acessível para uso industrial, o destaque muda para o califórnio-252, um isótopo sintético extremamente raro e radioativo.
-
Ela passou 73 anos respirando dentro de um pulmão de aço, sobreviveu às sequelas da poliomielite e se tornou a última mulher dos Estados Unidos dependente do equipamento antes de morrer aos 78 anos
-
Estudantes brasileiros criam filtro de US$ 1 no sertão de Pernambuco para enfrentar líquido tóxico da mandioca, usando cascas de pinus, algodão e peças impressas em 3D para transformar veneno descartado em solução para comunidades rurais
-
Astronauta da Artemis II se afasta do cargo após missão à Lua e decisão surpreende após recorde de 406.771 km, viagem histórica de 10 dias e feito inédito para o Canadá.
-
Um fóssil guardado por anos num pequeno museu de Montreal escondia tecido mole de 450 milhões de anos, um achado que só aconteceu uma vez antes na história
Um elemento que não existe na natureza
O califórnio-252 não ocorre naturalmente na Terra e só pode ser obtido de forma artificial em ambientes controlados de laboratório e reatores nucleares especializados.
Trata-se de um actinídeo altamente instável, produzido por processos nucleares complexos, o que limita sua disponibilidade e encarece drasticamente cada fração obtida.
Fisicamente, o elemento é descrito como um metal brilhante, macio e branco-prateado, com propriedades teóricas de maleabilidade e ductilidade pouco exploradas.
Meia-vida curta e produção contínua
Um dos fatores centrais de seu custo é a meia-vida de cerca de 2,6 anos, o que significa que metade do material se decompõe nesse intervalo.
Essa característica obriga a produção contínua para manter qualquer estoque funcional, elevando ainda mais os custos operacionais e logísticos envolvidos.
O califórnio foi sintetizado inicialmente em um laboratório da Universidade de Berkeley e identificado dois anos depois em resíduos do teste nuclear Ivy Mike.
Infraestrutura nuclear e poucos produtores
A produção comercial começou no Complexo de Savannah River, nos Estados Unidos, e posteriormente foi transferida para o Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee.
Atualmente, apenas Oak Ridge e o Instituto de Pesquisa de Reatores Atômicos de Dimitrovgrad, na Rússia, dominam plenamente essa tecnologia sensível.
Os reatores envolvidos são o HFIR americano e o SM3 russo, considerados ativos estratégicos devido à complexidade e ao custo de operação.
Um processo longo, caro e ineficiente
A obtenção do califórnio-252 exige bombardear alvos de cúrio durante anos, resultando em apenas alguns miligramas aproveitáveis ao final do processo.
Além disso, o material precisa ser manuseado com equipamentos altamente blindados, devido à intensa radiação emitida durante todo o seu ciclo de vida.
Esse conjunto de fatores leva ao custo estimado de US$ 27 milhões por grama, cerca de R$ 144,8 milhões, frente a US$ 148 por grama de ouro.
Califórnio-252: Uma usina nuclear de bolso
O alto preço se justifica pelas propriedades únicas do isótopo, que emite partículas alfa e aproximadamente 2,3 bilhões de nêutrons por miligrama por segundo.
Essa taxa é cerca de 15 a 20 vezes maior em partículas alfa, liberando enorme energia a cada evento de fissão espontânea, em torno de 200 MeV.
Essas características fazem do califórnio-252 uma fonte compacta e extremamente potente de nêutrons, algo raro fora de grandes instalações nucleares.
O “palito de fósforo” dos reatores
Na indústria nuclear, o isótopo é conhecido como o “palito de fósforo” usado para iniciar reações em cadeia de forma controlada e segura.
Ele substitui, em aplicações específicas, reatores nucleares ou aceleradores de partículas, oferecendo portabilidade e eficiência incomparáeis para certas tarefas.
Essa versatilidade explica seu uso em múltiplos setores científicos e industriais altamente especializados.
Aplicações estratégicas e riscos elevados do material mais caro
O califórnio-252 é utilizado em medicina, geoquímica, pesquisa espacial e segurança, incluindo tratamentos de câncer por braquiterapia e inspeções industriais críticas.
Também é empregado pela NASA na análise de superfícies planetárias e na detecção de falhas estruturais e explosivos.
Porém, sua maior virtude é também o maior risco: um micrograma emite 170 milhões de nêutrons por minuto, exigindo protocolos rigorosos de transporte, licenciamento e manuseio seguro.
Com informações de Xataka.

