A Terceira Avaliação Global dos Oceanos, da ONU, confirma que o nível do mar sobe mais rápido: passou de 3,2 para 4,3 milímetros por ano. O estudo é um alerta para os 8 mil quilômetros de litoral do Brasil e também aponta o avanço da poluição nos mares.
O mar está subindo cada vez mais rápido, e o aviso agora vem com números. Um novo relatório da ONU, divulgado nesta segunda-feira (8), Dia Mundial dos Oceanos, confirma que a velocidade de elevação do nível do mar deu um salto: passou de 3,2 para 4,3 milímetros por ano em apenas quatro anos.
O dado faz parte da Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), considerada o levantamento mais completo já feito sobre os mares. O documento é um alerta direto para o Brasil, que tem mais de 8 mil quilômetros de litoral e milhões de pessoas vivendo em cidades costeiras espalhadas por 17 estados.
O salto silencioso no nível do mar e o risco para o litoral do Brasil

O número assusta justamente por parecer pequeno. A taxa de elevação do mar cresceu mais de 50% em apenas quatro anos: era de cerca de 3,2 milímetros por ano em 2022 e está agora confirmada em torno de 4,3 milímetros por ano. Segundo Ronaldo Christofoletti, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos autores do estudo, em entrevista à ONU News, é nas zonas costeiras que esse avanço se faz sentir com mais força.
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E é aí que mora o risco para o Brasil. O país tem mais de 8 mil quilômetros de litoral e abriga capitais e milhões de habitantes em 17 estados banhados pelo mar. Cada centímetro que o nível da água sobe pode significar, em média, vários metros de costa invadida, o que coloca o litoral brasileiro entre os mais expostos a essa mudança silenciosa.
Degelo nos polos muda o clima e as chuvas no Brasil

O relatório também conecta a alta do mar a outro fenômeno: o derretimento acelerado das geleiras. De acordo com Christofoletti, novos recordes de perda de gelo no Ártico e na Antártica alteram a forma como o oceano e a atmosfera trocam energia, com efeitos que vão muito além da praia.
Na prática, isso significa que o mar que sobe não ameaça apenas as cidades à beira da costa. Essas mudanças afetam padrões climáticos e o próprio regime de chuvas em território brasileiro, ligando a saúde dos oceanos ao clima de regiões distantes do litoral. As mudanças climáticas aparecem, assim, como a raiz de boa parte do problema.
A poluição vai além do plástico: antibióticos preocupam

Outro alerta forte do estudo é o avanço da poluição marinha, e nem toda ela é visível. A pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno, também autora do relatório, chamou atenção para o aumento da concentração de antibióticos no mar, o que favorece o surgimento de bactérias e genes resistentes na água, em um quadro parecido com o das superinfecções enfrentadas nos hospitais.
A poluição por plástico, por sua vez, cresceu de forma expressiva. Enquanto a avaliação anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por resíduos plásticos, a nova edição aponta 4.076 espécies atingidas. Soma-se a isso a acidificação das águas, o aquecimento dos oceanos e a perda de oxigênio, a chamada desoxigenação, que ameaça a sobrevivência de inúmeras espécies marinhas.
ONU fala em crise tripla e cobra nova relação com o mar
Ao apresentar o estudo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os oceanos vivem uma situação crítica e pediu que deixem de ser tratados como recursos inesgotáveis.
Para ele, o mar está no centro de uma crise tripla, marcada pelas mudanças climáticas, pela perda de biodiversidade e pela poluição, e cumpre papel essencial na regulação do clima, nos ecossistemas e na economia que alimenta bilhões de pessoas.
O peso do documento vem da sua dimensão: o WOA-3 reúne mais de 550 cientistas de 86 países e analisa dados coletados principalmente entre 2018 e 2023. Apesar do tom de alerta, especialistas como Christofoletti lembram que há caminhos para reduzir os danos, como cortar a emissão de gases de efeito estufa e investir em soluções baseadas na natureza.
Mais do que anunciar uma catástrofe, o relatório serve para mostrar ao Brasil e ao mundo que ainda há tempo de agir diante do avanço da poluição e da subida do mar.
Saber que o mar avança sobre o litoral do Brasil de forma silenciosa, enquanto a poluição cresce nos oceanos, acende um alerta que vai muito além da praia.
Conte nos comentários se você acha que o país está preparado para proteger suas cidades costeiras.

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