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O maior computador já construído no mundo ocupa o espaço de quadras esportivas, consome energia de uma cidade e faz mais cálculos por segundo do que todos os cérebros humanos juntos

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 16/12/2025 às 19:21
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O maior computador já construído no mundo ocupa o espaço de quadras esportivas, consome energia de uma cidade e faz mais cálculos por segundo do que todos os cérebros humanos juntos
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Intitulado de Frontier, o maior computador do mundo ocupa quadras esportivas, consome energia de uma cidade e realiza mais cálculos por segundo do que todos os cérebros humanos juntos.

Quando se fala em “computador”, a imagem comum ainda é a de um notebook ou, no máximo, de um data center cheio de servidores. Mas o maior computador já construído pela humanidade está em outra escala. Ele não cabe em salas, não funciona ligado a uma tomada comum e não existe para tarefas cotidianas. Trata-se de uma infraestrutura científica monumental, projetada para resolver problemas que nenhum outro sistema do planeta consegue enfrentar. Esse computador é o Frontier, instalado no Oak Ridge National Laboratory, nos Estados Unidos.

Onde fica o maior computador do mundo e por que ele foi criado

O Frontier foi desenvolvido como parte de um programa estratégico do governo americano para alcançar a chamada era exascale, um patamar de processamento nunca antes atingido.

Ele foi projetado para lidar com simulações científicas extremamente complexas, como clima global, fusão nuclear, dinâmica de materiais, inteligência artificial em larga escala e até estudos avançados sobre armas, energia e saúde.

Diferentemente de computadores comerciais, o Frontier não existe para usuários comuns. Ele é uma ferramenta nacional, usada por pesquisadores selecionados, universidades e centros científicos.

O tamanho físico impressiona mais do que qualquer foto

O Frontier ocupa uma área equivalente a múltiplas quadras esportivas, distribuídas em longos corredores de racks metálicos que se estendem por dezenas de metros. Cada corredor abriga milhares de componentes eletrônicos, todos interligados por uma rede interna de altíssima velocidade.

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Não é exagero dizer que caminhar dentro do ambiente onde o Frontier opera lembra mais visitar uma usina industrial do que uma sala de informática. O ruído constante dos sistemas de refrigeração e o controle rigoroso de temperatura deixam claro que ali cada grau importa.

Energia suficiente para abastecer uma cidade

Para funcionar, o Frontier consome cerca de 21 megawatts de energia elétrica. Isso é o bastante para abastecer uma cidade de médio porte. O consumo não se limita ao processamento em si: grande parte dessa energia é usada para manter o sistema resfriado, já que o calor gerado por bilhões de operações simultâneas poderia destruir os componentes em minutos.

Por isso, o computador opera com sistemas avançados de refrigeração líquida, algo impensável em computadores convencionais.

Um poder de cálculo fora de qualquer referência humana

O ponto que realmente coloca o Frontier em outra dimensão é seu poder de processamento. Ele foi o primeiro computador da história a ultrapassar a marca de 1 exaflop, o que significa mais de um quintilhão de cálculos por segundo.

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Para comparação, estimativas apontam que o cérebro humano realiza algo na ordem de 10¹⁶ operações por segundo. Mesmo considerando todos os cérebros humanos vivos simultaneamente, o Frontier ainda executa mais cálculos por segundo do que essa soma teórica.

Essa capacidade permite simular fenômenos que antes levariam décadas — ou simplesmente eram impossíveis.

Como o Frontier é construído por dentro

O Frontier combina:
milhares de processadores (CPUs) de alto desempenho
dezenas de milhares de aceleradores gráficos (GPUs)
– interconexões ultrarrápidas capazes de trocar dados quase instantaneamente

Essa arquitetura híbrida é essencial para atingir desempenho extremo, especialmente em simulações científicas e aplicações de inteligência artificial em escala massiva.

Para que serve um computador tão poderoso?

O Frontier não existe para rodar softwares comuns. Ele é usado para:

  • simular mudanças climáticas com precisão inédita,
  • testar novos materiais atômicos e moleculares,
  • avançar em pesquisas de fusão nuclear,
  • treinar modelos de inteligência artificial gigantes,
  • simular pandemias e propagação de doenças,
  • estudar fenômenos físicos impossíveis de reproduzir em laboratório.

Em muitos casos, o que o Frontier calcula não poderia ser testado no mundo real por questões de custo, risco ou simplesmente por não existir ainda.

Comparação com computadores do passado

Para entender o salto tecnológico, basta olhar para o ENIAC, o primeiro grande computador eletrônico da história, construído em 1945.

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Ele ocupava uma sala inteira, pesava cerca de 30 toneladas e realizava poucos milhares de cálculos por segundo. Hoje, um smartphone simples é milhões de vezes mais potente.

O Frontier, por sua vez, está milhões de vezes à frente até mesmo dos supercomputadores do início dos anos 2000, mostrando como a evolução computacional não é linear, mas exponencial.

O custo ‘invisível’ do maior computador do mundo

Embora o valor exato varie conforme contratos e manutenção, o Frontier custou centenas de milhões de dólares para ser projetado, construído e operado.

Além do investimento financeiro, há custos ambientais, logísticos e humanos envolvidos na operação contínua dessa máquina.

Ainda assim, os países que lideram esse tipo de tecnologia consideram o investimento estratégico, pois quem domina o poder de computação extrema domina a capacidade de prever, simular e inovar.

O Frontier não é apenas o maior computador já construído. Ele representa um novo patamar da relação entre humanidade e tecnologia.

Assim como grandes máquinas industriais marcaram a Revolução Industrial, supercomputadores como o Frontier marcam a era da simulação total, onde testar o futuro no mundo virtual se torna mais rápido, barato e seguro do que no mundo real.

Mais do que números impressionantes, ele simboliza até onde a engenharia humana já conseguiu chegar — e o quão distante ainda estamos do limite final da computação.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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