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O Japão está transformando hashis descartáveis usados em um projeto ambicioso e surpreendente que pode mudar para sempre a forma como restaurantes e escritórios lidam com um dos resíduos mais comuns da vida urbana

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/04/2026 às 21:20
Atualizado em 08/04/2026 às 21:28
Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.
Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.
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Resíduo cotidiano ganha nova função industrial ao ser reaproveitado em escala urbana no Japão, conectando restaurantes, escritórios e construção civil em uma cadeia circular que transforma hashis descartáveis em mobiliário e materiais duráveis de alto uso.

Hashis descartáveis, um dos resíduos mais frequentes da rotina urbana japonesa, passaram a abastecer uma cadeia de reaproveitamento voltada à produção de móveis e componentes de interiores para uso comercial.

A operação é conduzida pela ChopValue Japan, subsidiária criada em Tóquio em julho de 2024, que estruturou no país um modelo de coleta local e transformação industrial do material em peças destinadas a restaurantes, escritórios e outros ambientes de circulação intensa.

A proposta ganhou espaço porque atua sobre um item marcado pelo descarte imediato e o reposiciona como insumo produtivo.

Em vez de seguir para a incineração ou para o fluxo comum do lixo, os hashis usados são recolhidos em restaurantes, centros comerciais, aeroportos e empresas, processados com calor, vapor e pressão e convertidos em mobiliário e materiais de construção com padrão comercial.

Esse é o desenho descrito pela Japan External Trade Organization, que acompanhou a instalação da empresa no mercado japonês.

Microfábrica e economia circular no Japão

Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.
Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.

O centro desse modelo é a microfábrica instalada em Kawasaki, na província de Kanagawa.

Quando a subsidiária japonesa foi anunciada, a previsão era iniciar a operação em escala plena na primavera de 2025, com a lógica de recolher o resíduo nas redondezas e devolvê-lo ao mesmo ecossistema urbano na forma de novos produtos.

A empresa apresenta essa dinâmica como um sistema de manufatura circular de base local, pensado para reduzir deslocamentos e encurtar a distância entre coleta, processamento e uso final.

Esse arranjo ajuda a explicar por que a iniciativa vai além de uma ação simbólica de reciclagem.

O material resultante não é tratado como souvenir ou peça decorativa de baixa escala, mas como um compósito densificado voltado a superfícies, mesas, revestimentos, sinalização, acessórios e soluções sob medida para negócios.

No site institucional, a ChopValue afirma que esse compósito é produzido por tecnologia proprietária de compressão e pode receber acabamento comercial para ampliar a resistência à água, à luz solar e a agentes químicos.

A empresa também sustenta que o material tem desempenho comparável ao de madeiras tradicionalmente usadas no mercado.

Segundo a descrição institucional, o compósito fabricado a partir de hashis reciclados seria mais duro que maple, mais resistente que carvalho e tão durável quanto teca.

Como essas comparações partem da própria companhia, elas aparecem como parte da apresentação comercial do produto, e não como certificação independente de desempenho.

Parceria leva reciclagem de hashis para escritórios

Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.
Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.

O avanço da operação no Japão passou a chamar atenção quando o projeto deixou de mirar apenas restaurantes e expandiu sua ambição para escritórios.

Em abril de 2025, a ChopValue anunciou uma colaboração estratégica com a KOKUYO, tradicional fabricante japonesa de mobiliário e soluções para ambientes de trabalho.

Pelo acordo, a empresa japonesa informou que pretende estruturar um sistema de coleta de hashis usados gerados em escritórios e incorporar esse material ao desenvolvimento de móveis corporativos destinados ao mercado local.

A conexão com o universo corporativo não surgiu como detalhe secundário.

Na mesma comunicação, a KOKUYO vinculou a parceria a sua meta de fazer com que, até 2030, mais de 80% das vendas do grupo venham de produtos circulares.

O objetivo dialoga com a política mais ampla da companhia de ampliar iniciativas de reciclagem, reuso e desenho de produtos com lógica de circulação de materiais.

Meses depois, a frente corporativa avançou com a entrada da Takenaka Corporation, uma das maiores construtoras do Japão.

Em fevereiro de 2026, as três companhias anunciaram um programa conjunto de pesquisa e comercialização para testar a coleta de hashis descartáveis em escritórios da KOKUYO e da própria Takenaka.

A proposta prevê transformar esse material em mobiliário e elementos de interiores, ao mesmo tempo em que avalia a percepção de usuários e designers sobre espaços produzidos com insumos reciclados.

Nesse arranjo, cada parceiro ocupa uma frente específica.

Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.
Japão transforma hashis descartáveis em móveis sustentáveis e aposta na economia circular para reduzir resíduos urbanos e inovar na indústria.

A KOKUYO atua no desenvolvimento de móveis e componentes internos.

A Takenaka explora aplicações potenciais em partes de edificações.

A ChopValue Japan entra com o sistema de coleta e o processamento do material.

A parceria também prevê a ampliação do uso desses insumos reciclados em projetos futuros, além de pesquisas sobre certificação de segurança contra incêndio para expandir o emprego das soluções circulares em diferentes tipos de edifícios.

Crescimento da reciclagem de hashis e escala global

A presença mais estruturada da ChopValue no Japão é recente, mas os números divulgados pela própria empresa indicam rápida expansão.

Em fevereiro de 2026, a companhia informou que já havia reciclado mais de 4 milhões de hashis no país desde o início da operação local e estabelecido parcerias com grupos como TORIDOLL Holdings, KOKUYO e Takenaka.

No mesmo comunicado, a empresa citou entregas concluídas para a Expo 2025 de Osaka e para a loja flagship da Koala Furniture em Aoyama.

Em escala global, o projeto também cresceu desde as primeiras reportagens sobre a empresa.

Em 2021, o Fórum Econômico Mundial citava a marca de mais de 32 milhões de hashis reaproveitados.

Já em 2025 e 2026, comunicados oficiais e a página institucional da ChopValue passaram a registrar patamares muito superiores.

Os dados mais recentes indicam mais de 279 milhões de hashis reciclados no mundo.

Essa diferença mostra que os números mais antigos ficaram defasados diante da expansão recente da rede.

Por que o hashi virou matéria-prima estratégica

Parte do interesse despertado pelo caso japonês está no peso simbólico do próprio objeto.

O hashi descartável é associado a um uso de curtíssima duração, mas faz parte de uma rotina de consumo reconhecível dentro e fora do Japão.

Quando reaparece em tampos de mesa, painéis ou mobiliário de escritório, o salto entre descarte imediato e aplicação durável fica visível de forma quase intuitiva.

Esse aspecto ajuda a traduzir a lógica da economia circular para consumidores e empresas. Há ainda uma razão operacional para o modelo ganhar tração no país.

Em comunicado divulgado em 2026, a liderança da ChopValue Japan afirmou que o Japão descarta cerca de 20 bilhões de hashis por ano.

O volume transforma um resíduo banal em matéria-prima disponível em larga escala. A mesma empresa sustenta que o desafio agora não é mais provar a viabilidade técnica do conceito.

O foco passou a ser ampliar a execução com parcerias locais, padronização industrial e aplicações em hospitalidade, espaços comerciais e ambientes públicos.

Na prática, o que está em curso no Japão é uma tentativa de reposicionar um objeto historicamente tratado como sobra inevitável da refeição rápida.

A cadeia começa na separação do resíduo em pontos de consumo. Avança para a conversão industrial em Kawasaki.

E retorna ao mercado em forma de mobiliário, revestimentos e componentes de interiores para uso prolongado.

Ao levar esse fluxo também para dentro dos escritórios e da construção, a iniciativa procura demonstrar que materiais vistos como descartáveis podem ganhar valor econômico e função durável sem sair do circuito urbano em que foram consumidos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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