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O iPod voltou com tudo: jovens resgatam aparelho antigo da Apple para fugir das distrações digitais e controlar a própria trilha sonora

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 25/05/2026 às 10:21
Atualizado em 25/05/2026 às 10:23
iPod antigo com fones de ouvido com fio sobre mesa de madeira ao lado de acessórios personalizados e itens de estudo
Aparelhos antigos da Apple e fones com fio ganham espaço entre jovens que querem ouvir música sem notificações e algoritmos.
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Aparelho da Apple volta à rotina da Geração Z em 2026 com nostalgia, foco e rejeição ao excesso de telas

O hábito de ouvir música longe das notificações voltou a ganhar espaço entre jovens brasileiros em 2026. Parte da Geração Z passou a trocar o celular pelo iPod, antigo tocador de música da Apple, durante treinos, estudos e deslocamentos.

A mudança vai além da nostalgia. Segundo relatos ao g1, o interesse pelo aparelho cresceu porque ele não oferece redes sociais, algoritmos, alertas constantes ou feeds infinitos. Para muitos usuários, o iPod virou uma forma simples de ouvir música em paz.

Procura por iPods cresce em sites de revenda

O retorno do aparelho também aparece nos números do mercado de usados. Segundo o Enjoei, o valor total de iPods vendidos na plataforma no primeiro trimestre de 2026 foi 47% maior que no mesmo período de 2025.

A OLX informou que as buscas por iPods cresceram 18,9% em abril de 2026, na comparação com abril de 2025. Entre janeiro e abril de 2026, o aumento nas buscas chegou a 22% frente ao mesmo intervalo do ano anterior.

Jovens buscam música sem distrações

Jovens usando iPods antigos e fones com fio em ambientes de estudo e descanso para ouvir música sem distrações digitais em 2026
Geração Z volta a usar iPods e fones com fio para ouvir música sem notificações, algoritmos e interrupções das redes sociais.

Entre os jovens ouvidos pelo g1, o motivo principal é a vontade de reduzir interrupções. Lisandra Reis, de 29 anos, contou que o celular atrapalhava suas corridas, pois qualquer notificação despertava curiosidade.

Ela passou a usar um iPod Touch comprado em 2019. Embora goste da estética nostálgica, o principal objetivo é ouvir música sem pausas.

Emanuelle Assunção, de 27 anos, também usa um iPod Touch. O aparelho foi comprado usado em 2024, por R$ 230. Hoje, ele acompanha treinos de musculação, leituras e deslocamentos por carro de aplicativo.

Spotify deixa de funcionar em modelos antigos

O iPod Touch ainda lembra um iPhone, porém deixou de oferecer algumas funções atuais. Segundo Emanuelle, em 2024 ainda era possível usar o Spotify no aparelho.

Em 2026, o aplicativo já não funcionava mais. Conforme verificação citada pelo g1, o Spotify não aparece mais como compatível com nenhum modelo de iPod na App Store.

A solução foi recuperar o processo antigo: baixar músicas manualmente no computador e transferi-las para o dispositivo.

Processo manual vira parte da experiência

Para Cláudio Wollace, de 26 anos, esse processo não representa um problema. Ele considera a transferência manual de músicas uma experiência “revigorante”.

Segundo Cláudio, a ausência de algoritmos muda a relação com a música. O usuário escuta apenas aquilo que decidiu colocar no aparelho.

Mesmo assinando serviços de streaming, ele prefere usar o iPod. Cláudio afirma sentir até uma qualidade sonora melhor no dispositivo.

O jovem usa um iPod Nano comprado em 2025 por R$ 130, principalmente na academia e durante os estudos da faculdade.

Comunidades mantêm iPods antigos em funcionamento

Linha de iPods antigos da Apple em embalagens transparentes, incluindo iPod Shuffle, iPod Nano e iPod Touch, posicionados sobre superfície clara em ambiente minimalista.
Modelos clássicos de iPod Shuffle, iPod Nano e iPod Touch voltam a chamar atenção de jovens que buscam ouvir música sem distrações digitais.

O interesse atual também movimenta comunidades de restauração. Segundo Filipe Esposito, especialista em Apple que acompanha a empresa há 17 anos, ainda existe uma grande comunidade dedicada a recuperar iPods antigos.

Esses usuários trocam baterias, ampliam armazenamento e mantêm os aparelhos funcionando tanto por memória afetiva quanto para uso diário.

Para Esposito, o sucesso histórico do iPod veio da combinação com o iTunes, que facilitava a compra de músicas e a criação de playlists.

Na época, faixas podiam ser compradas separadamente por US$ 0,99, cerca de R$ 1,80 no período citado. Inicialmente, o primeiro iPod funcionava apenas com computadores Mac. Depois, a Apple lançou o iTunes para PC e ampliou o alcance do produto.

Nostalgia vira resposta à hiperconectividade

A volta dos iPods acompanha outro movimento recente: o resgate de produtos dos anos 2000. Fones com fio, câmeras Cyber-shot e walkmans também voltaram a aparecer entre jovens que buscam experiências mais simples.

Para Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, a tendência revela uma recusa simbólica da hiperconectividade. Segundo ela, baixar músicas e atualizar playlists manualmente vai contra a conveniência atual, mas devolve autonomia ao usuário.

Angelica também afirma que os fones com fio geram uma sensação física de conexão, perdida com o Bluetooth.

A procura por simplicidade, porém, ficou mais cara. Um iPod Classic usado, desejado por Cláudio, pode passar de R$ 1 mil na internet.

O iPod deixou de ser apenas um item antigo. O aparelho se tornou um símbolo de foco, escolha manual e pausa nas distrações digitais.

Em uma rotina dominada por telas, notificações e recomendações automáticas, será que ouvir música sem interrupções virou o novo luxo da vida conectada?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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