Aparelho da Apple volta à rotina da Geração Z em 2026 com nostalgia, foco e rejeição ao excesso de telas
O hábito de ouvir música longe das notificações voltou a ganhar espaço entre jovens brasileiros em 2026. Parte da Geração Z passou a trocar o celular pelo iPod, antigo tocador de música da Apple, durante treinos, estudos e deslocamentos.
A mudança vai além da nostalgia. Segundo relatos ao g1, o interesse pelo aparelho cresceu porque ele não oferece redes sociais, algoritmos, alertas constantes ou feeds infinitos. Para muitos usuários, o iPod virou uma forma simples de ouvir música em paz.
Procura por iPods cresce em sites de revenda
O retorno do aparelho também aparece nos números do mercado de usados. Segundo o Enjoei, o valor total de iPods vendidos na plataforma no primeiro trimestre de 2026 foi 47% maior que no mesmo período de 2025.
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A OLX informou que as buscas por iPods cresceram 18,9% em abril de 2026, na comparação com abril de 2025. Entre janeiro e abril de 2026, o aumento nas buscas chegou a 22% frente ao mesmo intervalo do ano anterior.
Jovens buscam música sem distrações

Entre os jovens ouvidos pelo g1, o motivo principal é a vontade de reduzir interrupções. Lisandra Reis, de 29 anos, contou que o celular atrapalhava suas corridas, pois qualquer notificação despertava curiosidade.
Ela passou a usar um iPod Touch comprado em 2019. Embora goste da estética nostálgica, o principal objetivo é ouvir música sem pausas.
Emanuelle Assunção, de 27 anos, também usa um iPod Touch. O aparelho foi comprado usado em 2024, por R$ 230. Hoje, ele acompanha treinos de musculação, leituras e deslocamentos por carro de aplicativo.
Spotify deixa de funcionar em modelos antigos
O iPod Touch ainda lembra um iPhone, porém deixou de oferecer algumas funções atuais. Segundo Emanuelle, em 2024 ainda era possível usar o Spotify no aparelho.
Em 2026, o aplicativo já não funcionava mais. Conforme verificação citada pelo g1, o Spotify não aparece mais como compatível com nenhum modelo de iPod na App Store.
A solução foi recuperar o processo antigo: baixar músicas manualmente no computador e transferi-las para o dispositivo.
Processo manual vira parte da experiência
Para Cláudio Wollace, de 26 anos, esse processo não representa um problema. Ele considera a transferência manual de músicas uma experiência “revigorante”.
Segundo Cláudio, a ausência de algoritmos muda a relação com a música. O usuário escuta apenas aquilo que decidiu colocar no aparelho.
Mesmo assinando serviços de streaming, ele prefere usar o iPod. Cláudio afirma sentir até uma qualidade sonora melhor no dispositivo.
O jovem usa um iPod Nano comprado em 2025 por R$ 130, principalmente na academia e durante os estudos da faculdade.
Comunidades mantêm iPods antigos em funcionamento

O interesse atual também movimenta comunidades de restauração. Segundo Filipe Esposito, especialista em Apple que acompanha a empresa há 17 anos, ainda existe uma grande comunidade dedicada a recuperar iPods antigos.
Esses usuários trocam baterias, ampliam armazenamento e mantêm os aparelhos funcionando tanto por memória afetiva quanto para uso diário.
Para Esposito, o sucesso histórico do iPod veio da combinação com o iTunes, que facilitava a compra de músicas e a criação de playlists.
Na época, faixas podiam ser compradas separadamente por US$ 0,99, cerca de R$ 1,80 no período citado. Inicialmente, o primeiro iPod funcionava apenas com computadores Mac. Depois, a Apple lançou o iTunes para PC e ampliou o alcance do produto.
Nostalgia vira resposta à hiperconectividade
A volta dos iPods acompanha outro movimento recente: o resgate de produtos dos anos 2000. Fones com fio, câmeras Cyber-shot e walkmans também voltaram a aparecer entre jovens que buscam experiências mais simples.
Para Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, a tendência revela uma recusa simbólica da hiperconectividade. Segundo ela, baixar músicas e atualizar playlists manualmente vai contra a conveniência atual, mas devolve autonomia ao usuário.
Angelica também afirma que os fones com fio geram uma sensação física de conexão, perdida com o Bluetooth.
A procura por simplicidade, porém, ficou mais cara. Um iPod Classic usado, desejado por Cláudio, pode passar de R$ 1 mil na internet.
O iPod deixou de ser apenas um item antigo. O aparelho se tornou um símbolo de foco, escolha manual e pausa nas distrações digitais.
Em uma rotina dominada por telas, notificações e recomendações automáticas, será que ouvir música sem interrupções virou o novo luxo da vida conectada?

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