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Cientistas confirmam o “esverdeamento” da Antártida: o gelo do continente mais gelado do mundo está “ficando verde” com musgos que se multiplicaram mais de dez vezes em quatro décadas

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 06/07/2026 às 22:48 Atualizado em 06/07/2026 às 22:49
Assista o vídeoO esverdeamento da Antártida é real: o musgo cresceu 10x na Península Antártica com o aquecimento global, e o degelo ameaça o nível do mar. Entenda.
O esverdeamento da Antártida é real: o musgo cresceu 10x na Península Antártica com o aquecimento global, e o degelo ameaça o nível do mar. Entenda.
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Um estudo das universidades britânicas de Exeter e Hertfordshire com o British Antarctic Survey, publicado em outubro de 2024, confirmou o esverdeamento da Antártida: a vegetação da Península Antártica, feita sobretudo de musgo, cresceu mais de dez vezes em quatro décadas. Cientistas ligam o fenômeno ao aquecimento global, e o Brasil acompanha tudo de dentro, no mesmo continente onde o degelo ameaça elevar o nível do mar.

A imagem de uma Antártida só de gelo branco está mudando. O continente mais frio do planeta passa por um esverdeamento silencioso, com plantas ganhando terreno em suas bordas, como abordou um vídeo do canal Top10 Channel. O fenômeno soa improvável, mas é real e vem sendo medido por satélite.

A confirmação científica veio de um estudo robusto. Segundo a Universidade de Exeter, pesquisadores britânicos analisaram quase quarenta anos de imagens de satélite e concluíram que a vegetação da Península Antártica, dominada por musgo, se expandiu de forma dramática, num claro sinal de aquecimento global naquela região.

Os números impressionam. A área coberta por vegetação saltou de menos de um quilômetro quadrado, em 1986, para quase doze quilômetros quadrados, em 2021, um crescimento de mais de dez vezes que define o que os cientistas chamam de esverdeamento da Antártida, um dos rostos mais visíveis do aquecimento global no planeta.

A seguir, veja o que significa a Antártida ficar verde, o que o estudo do musgo revelou, por que a Península Antártica está esverdeando, como isso se conecta ao degelo que ameaça o nível do mar e por que o esverdeamento da Antártida interessa diretamente ao Brasil.

Musgo no gelo: o estudo que mediu o esverdeamento da Antártida

O coração dessa história é um tapete verde inesperado. O esverdeamento da Antártida não é feito de árvores nem de florestas, mas principalmente de musgo, uma planta simples e resistente que consegue sobreviver em algumas das condições mais duras da Terra.

O estudo que mediu o fenômeno foi minucioso. Pesquisadores das universidades de Exeter e Hertfordshire, em parceria com o British Antarctic Survey, usaram quase quarenta anos de imagens de satélite para mapear como o musgo avançou pela Península Antártica, publicando os resultados numa revista científica em outubro de 2024.

Os dados mostram uma explosão de verde. A vegetação passou de menos de um quilômetro quadrado, em 1986, para cerca de doze quilômetros quadrados, em 2021, o que representa o tal crescimento de mais de dez vezes que caracteriza o esverdeamento da Antártida ligado ao aquecimento global.

E o ritmo vem acelerando. Segundo os cientistas, entre 2016 e 2021 a expansão do musgo foi ainda mais rápida do que na média das décadas anteriores, sinal de que o esverdeamento da Antártida não é um acaso passageiro, mas uma tendência que se intensifica com o aquecimento global.

Vale entender a escala real do fenômeno. Doze quilômetros quadrados de musgo são pouco perto dos catorze milhões de quilômetros quadrados do continente, mas o que assusta não é o tamanho atual, e sim a velocidade: o esverdeamento da Antártida mostra o quanto o aquecimento global já mexe até no lugar mais gelado do mundo.

Por que a Península Antártica está ficando verde

 O esverdeamento da Antártida é real: o musgo cresceu 10x na Península Antártica com o aquecimento global, e o degelo ameaça o nível do mar. Entenda.
 O esverdeamento da Antártida é real: o musgo cresceu 10x na Península Antártica com o aquecimento global, e o degelo ameaça o nível do mar. Entenda.

A explicação para o esverdeamento está no clima. A Península Antártica, aquele braço de terra que aponta para a América do Sul, é uma das regiões que mais aquecem no planeta, e é justamente ali que o musgo encontrou condições para se espalhar sob o efeito do aquecimento global.

Com o gelo recuando, sobra espaço para a vida. À medida que a neve e o gelo derretem por causa do aquecimento global, áreas antes cobertas ficam expostas, e o musgo aproveita esses novos terrenos para crescer, empurrando o esverdeamento da Antártida cada vez mais longe.

A água do degelo também ajuda. O derretimento fornece umidade que o musgo usa para se desenvolver, criando um ciclo em que o aquecimento global libera espaço e água ao mesmo tempo, acelerando o esverdeamento da Antártida naquela porção da Península Antártica.

O verde ainda muda o próprio solo. O musgo acumula matéria orgânica e ajuda a formar uma camada de solo onde antes só havia rocha e gelo, abrindo caminho para que outras plantas possam se instalar no futuro e ampliando o esverdeamento da Antártida provocado pelo aquecimento global.

Tudo isso faz da Península Antártica um laboratório do clima. Observar o esverdeamento da Antártida ali é como assistir, em tempo real, ao efeito do aquecimento global sobre um ecossistema extremo, um alerta visível de que nem o continente branco está imune às mudanças do planeta.

Do verde ao gelo: por que o esverdeamento é só metade da história

O esverdeamento da Antártida é a parte visível e quase simpática da mudança, mas ele é só metade da história. Enquanto o musgo avança nas bordas, o verdadeiro peso do aquecimento global está no gelo que derrete e ameaça o nível do mar.

É importante ligar os dois fenômenos. O mesmo calor que faz o musgo crescer na Península Antártica também derrete geleiras gigantes no restante da Antártida, e é esse degelo, muito mais do que o verde, que pode elevar o nível do mar e afetar o planeta inteiro.

Por isso, o esverdeamento funciona como um alerta. Ele é fácil de enxergar em imagens de satélite e serve de aviso de que o aquecimento global já chegou à Antártida, chamando a atenção para o que acontece embaixo do gelo, onde o risco ao nível do mar é bem maior.

É aí que entra a geleira mais temida do mundo. Para entender por que o aquecimento global na Antártida preocupa tanto, é preciso olhar além do musgo e conhecer a Thwaites, a geleira que pode redesenhar o nível do mar das cidades costeiras.

A outra face do continente: a geleira Thwaites e o nível do mar

 O esverdeamento da Antártida é real: o musgo cresceu 10x na Península Antártica com o aquecimento global, e o degelo ameaça o nível do mar. Entenda.
 O esverdeamento da Antártida é real: o musgo cresceu 10x na Península Antártica com o aquecimento global, e o degelo ameaça o nível do mar. Entenda.

Se o musgo é o rosto verde da Antártida, o gelo esconde uma ameaça bem maior. No lado oeste do continente está a geleira Thwaites, apelidada de “geleira do Juízo Final”, uma massa de gelo colossal que preocupa cientistas do mundo todo por seu impacto potencial no nível do mar.

O tamanho da Thwaites impressiona. Com cerca de 120 quilômetros de largura, ela é uma das maiores geleiras da Terra, e sua bacia tem uma área comparável à de um estado brasileiro, o que dá a dimensão do estrago que seu degelo causaria ao nível do mar por conta do aquecimento global.

O apelido dramático tem motivo. A Thwaites funciona como uma espécie de “rolha” que segura o gelo da Antártida Ocidental, e seu colapso poderia destravar uma quantidade enorme de gelo, elevando o nível do mar de forma significativa e afetando cidades costeiras em toda a Antártida e além.

Sozinha, a geleira já preocupa. Estima-se que o degelo completo da Thwaites elevaria o nível do mar em torno de 65 centímetros, e ela já responde por cerca de 4% da elevação anual do nível do mar no mundo, um lembrete de que o aquecimento global age tanto no verde quanto no branco da Antártida.

Ainda assim, é preciso evitar o alarmismo. Modelos científicos indicam que a Thwaites deve recuar nas próximas décadas, mas sem um colapso imediato, então o cenário mais extremo de elevação do nível do mar se refere ao longo prazo, e não ao amanhã, mesmo com o avanço do esverdeamento da Antártida.

O risco silencioso das espécies invasoras

Além da beleza inusitada, o esverdeamento traz um perigo. À medida que o musgo forma solo novo na Antártida, ele abre caminho para que outras plantas cheguem, inclusive espécies que não são nativas do continente e que poderiam desequilibrar aquele ambiente único.

O maior risco vem de fora. Sementes e esporos podem ser trazidos sem querer por turistas, cientistas e visitantes que pisam na Península Antártica, e com o aquecimento global deixando o clima menos hostil, essas espécies teriam mais chance de sobreviver e se espalhar junto com o esverdeamento da Antártida.

Uma invasão dessas seria difícil de reverter. Uma vez instalada, uma planta invasora pode competir com o musgo nativo e mudar para sempre o ecossistema da Antártida, motivo pelo qual os cientistas pedem regras rígidas de biossegurança para quem visita a região.

Por isso, o verde exige vigilância. O esverdeamento da Antártida é fascinante, mas também é um convite ao cuidado, já que o mesmo aquecimento global que traz o musgo pode abrir a porta para invasores capazes de descaracterizar um dos últimos lugares intocados do planeta.

O Brasil na Antártida: a Estação Comandante Ferraz

O Brasil não é mero espectador dessa história. O país mantém, há décadas, a Estação Antártica Comandante Ferraz, instalada na Ilha Rei George, no arquipélago das Shetland do Sul, bem na região da Península Antártica que hoje passa pelo esverdeamento da Antártida.

A presença brasileira é antiga e organizada. Por meio do Programa Antártico Brasileiro, criado em 1982, e da Marinha do Brasil, o país realiza pesquisas científicas na Antártida desde os anos 1980, estudando de perto fenômenos como o avanço do musgo e os efeitos do aquecimento global.

A estação atual é moderna. Inaugurada em 2020, após um incêndio ter destruído a anterior, a nova Comandante Ferraz tem laboratórios que permitem estudar clima, biologia e geologia, colocando o Brasil no epicentro das mudanças que provocam o esverdeamento da Antártida e mexem com o nível do mar.

Estar ali dá ao Brasil um papel de peso. Como o país tem base própria na Península Antártica, seus cientistas podem acompanhar em primeira mão o esverdeamento da Antártida, contribuindo com dados sobre o aquecimento global e ajudando a entender o que o degelo pode significar para o nível do mar no mundo.

Há ainda um interesse estratégico. Manter presença na Antártida garante ao Brasil voz nas decisões sobre o continente e acesso a pesquisas de ponta, num momento em que o esverdeamento da Antártida e o comportamento de geleiras como a Thwaites viraram temas centrais do debate sobre o nível do mar.

A Antártida está mesmo virando uma “selva verde”?

Diante de manchetes chamativas, cabe uma dose de realismo. A Antártida não está virando uma floresta nem uma “selva verde”: o esverdeamento se resume, por enquanto, a musgo, liquens e algas espalhados por uma fração minúscula da Península Antártica.

Os números ajudam a colocar as coisas no lugar. Os cerca de doze quilômetros quadrados de vegetação são um ponto quase invisível no mapa de um continente gigante, então falar em esverdeamento da Antártida não significa dizer que o gelo será substituído por campos verdes por causa do aquecimento global.

O que importa é a tendência, não o tamanho. O alerta dos cientistas não é que a Antártida já esteja verde, e sim que o musgo avança rápido, e que essa velocidade revela o quanto o aquecimento global já transforma até o ambiente mais extremo do planeta, com reflexos futuros no nível do mar.

Ou seja, é preciso equilíbrio. O esverdeamento da Antártida é real e merece atenção, mas exagerar o fenômeno atrapalha a compreensão; o correto é encará-lo como um sintoma claro do aquecimento global, e não como o fim iminente do gelo antártico.

O que o esverdeamento da Antártida tem a ver com o Brasil

Pode parecer distante, mas o esverdeamento da Antártida toca o Brasil de várias formas. A começar pela ciência: pesquisadores brasileiros estudam o musgo e o clima justamente na Península Antártica, contribuindo para entender o aquecimento global que afeta o mundo inteiro.

Há também o elo com o litoral. O degelo da Antártida, incluindo geleiras como a Thwaites, eleva o nível do mar que banha as praias brasileiras, o que significa que o que acontece no continente gelado pode, no futuro, afetar cidades e portos ao longo da costa do Brasil.

O tema ainda reforça a importância da pesquisa nacional. Manter a Estação Comandante Ferraz e o Programa Antártico Brasileiro custa dinheiro, mas garante ao país dados próprios sobre o esverdeamento da Antártida e sobre o aquecimento global, algo estratégico diante das ameaças ao nível do mar.

Por fim, fica o alerta climático. O esverdeamento da Antártida é mais um sinal de que o aquecimento global não é problema de outro lugar, e sim uma questão que envolve o Brasil, tanto pela ciência que o país produz quanto pelos efeitos que o nível do mar pode ter no litoral brasileiro.

Assista o vídeo
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O esverdeamento da Antártida mostra como o planeta está mudando em lugares que pareciam intocáveis. Ver o musgo avançar mais de dez vezes em quatro décadas sobre o continente mais gelado do mundo é um retrato impressionante do aquecimento global em ação.

Mais do que curiosidade, é um recado sério. Enquanto o verde toma as bordas da Antártida, geleiras como a Thwaites ameaçam elevar o nível do mar, e o Brasil, presente no continente com a Comandante Ferraz, acompanha de perto essas transformações que ligam o gelo distante à nossa própria costa.

E você, imaginava que a Antártida pudesse estar “ficando verde” por causa do aquecimento global? Acha que o mundo está levando o esverdeamento da Antártida e a ameaça ao nível do mar a sério? Conta nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem se preocupa com o clima.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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