Pulgas não provocam apenas coceira: parte do ciclo ocorre fora do animal, em ovos, larvas e pupas espalhados pelo ambiente, enquanto a ingestão de um inseto infectado pode transmitir a cães e gatos a tênia Dipylidium caninum.
As pulgas são pequenas o suficiente para passar despercebidas entre os pelos de cães e gatos, mas o problema causado por esses insetos vai além do incômodo das picadas. Elas podem provocar reações na pele e participar do ciclo de parasitas capazes de infectar os animais.
Um dos riscos aparece quando o pet engole uma pulga contaminada durante a própria higiene. Nesse caso, o inseto pode funcionar como hospedeiro intermediário de uma tênia que completa seu desenvolvimento no intestino de cães e gatos.
-
Mulher retorna para casa após viagem e descobre que garagem construída pelo vizinho avançou alguns centímetros sobre seu terreno, ela exige demolição e vizinho oferece indenização pela faixa ocupada
-
Menina que começou a trabalhar aos 9 anos como babá e empregada doméstica passa dez anos testando fórmulas no quintal, cria aos 33 o produto que trata o cabelo crespo em vez de alisar e ergue o Beleza Natural, a maior rede do país para cabelos cacheados.
-
Palácio histórico da Bahia será transformado em hotel seis estrelas de R$ 250 milhões com 90 suítes após quase 500 anos de história, período em que foi sede do governo, quartel, prisão, recebeu Dom Pedro II e chegou a ser destruído por bombardeio
-
Instituto Federal convoca para cursos técnicos gratuitos em áreas como Informática, Administração, Edificações, Eletrotécnica e Mecânica
A explicação publicada pelo Unesp Para Jovens situa as pulgas em uma linhagem antiga, com registros fósseis associados ao Mesozoico, período em que os dinossauros ocupavam diferentes ambientes terrestres.
Embora as formas antigas apresentassem diferenças em relação às pulgas modernas, os insetos atuais reúnem adaptações diretamente ligadas ao parasitismo. O corpo achatado lateralmente facilita a movimentação entre os pelos, enquanto a estrutura rígida ajuda a protegê-los e a permanecer sobre o hospedeiro.
Algumas espécies também possuem fileiras de espinhos chamadas ctenídios, que auxiliam na fixação entre os pelos. As peças bucais são especializadas em perfurar a pele e obter sangue, alimento utilizado pelas pulgas adultas.
Sem asas, o deslocamento depende das pernas. O par traseiro é especialmente desenvolvido e permite que algumas pulgas alcancem saltos equivalentes a até 200 vezes o comprimento do próprio corpo, característica que facilita a passagem entre o ambiente e novos hospedeiros.
A maior parte da infestação fica fora do pet
Encontrar pulgas adultas no cachorro ou no gato revela apenas uma parcela do problema. O ciclo biológico passa por ovo, larva, pupa e adulto, e as três primeiras fases podem se desenvolver no ambiente frequentado pelo animal.
A fêmea pode produzir até 50 ovos por dia. Como eles não permanecem presos aos pelos, caem em camas, tapetes, sofás, frestas do piso e outros locais onde o pet circula ou descansa.
Depois da eclosão, surgem larvas que evitam a luz e procuram pontos protegidos. Elas se alimentam de matéria orgânica disponível no ambiente e de resíduos deixados pelas próprias pulgas adultas, antes de avançarem para a fase seguinte do desenvolvimento.
As larvas então formam um casulo protetor e chegam à fase de pupa. Essa estrutura pode permanecer no ambiente por semanas ou meses até que condições favoráveis estimulem a emergência de uma nova pulga adulta e reiniciem o contato com um hospedeiro.
Esse ciclo ajuda a explicar por que retirar apenas os insetos encontrados sobre o animal pode não eliminar a infestação. A publicação da Unesp estima que as pulgas adultas visíveis correspondam a cerca de 5% da população presente em uma área infestada, enquanto ovos, larvas e pupas representariam os 95% restantes.
Nas condições descritas pela publicação, o ciclo completo pode ocorrer em aproximadamente 21 a 28 dias. A duração, porém, pode ser influenciada pelas condições do ambiente e pelo período em que as pupas permanecem protegidas antes do surgimento dos adultos.
Como uma pulga transmite tênia ao animal
Entre os parasitas associados às pulgas está o Dipylidium caninum, uma tênia que pode infectar cães e gatos. A transmissão não ocorre pela picada: para que o verme alcance o animal, o pet precisa ingerir uma pulga infectada.
Isso pode acontecer quando o cachorro ou gato lambe ou morde os próprios pelos para aliviar a coceira. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) explica que larvas de pulgas podem ingerir ovos do parasita presentes no ambiente.
O verme continua seu desenvolvimento dentro do inseto. Quando a pulga adulta contaminada é engolida pelo animal, o parasita chega ao intestino e completa seu ciclo no novo hospedeiro.
A infecção pode ocorrer sem sinais evidentes. Um dos indícios possíveis é a presença de segmentos da tênia nas fezes ou na região próxima ao ânus do animal, estruturas cuja aparência pode lembrar pequenos grãos de arroz.
As pulgas também estão relacionadas à circulação de bactérias. A espécie Ctenocephalides felis, conhecida como pulga-do-gato, pode participar da transmissão de Bartonella henselae, bactéria associada à doença da arranhadura do gato em humanos.
Nesse ciclo, fezes de pulgas contaminadas podem entrar em contato com o animal durante a limpeza do pelo. A bactéria pode, posteriormente, alcançar uma pessoa por meio de arranhões ou mordidas do gato.
As picadas ainda podem causar vermelhidão, coceira intensa e dermatite alérgica associada às pulgas. O desconforto leva alguns animais a se lamber, coçar ou morder repetidamente, o que pode aumentar a irritação da pele.
O controle, portanto, não se limita ao que está visível sobre o pet. A orientação apresentada pela Unesp combina tratamento antipulgas indicado por veterinário com higienização dos ambientes frequentados pelo animal, porque ovos, larvas e pupas podem permanecer fora do hospedeiro e sustentar a infestação depois que as pulgas adultas desaparecem.

