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O calor extremo já invade lavouras, reduz produtividade e pressiona pecuária, pesca e florestas no mundo inteiro, e dados da FAO mostram que o aumento das temperaturas deixou de ser risco climático para se tornar uma ameaça direta à produção global de alimentos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 10/04/2026 às 15:07 Atualizado em 10/04/2026 às 15:09
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Foto: Calor nas lavouras
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Calor extremo já impacta lavouras, pecuária e pesca no mundo; relatório da FAO mostra efeitos diretos na produção global de alimentos.

Em 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) publicou o relatório “Extreme Heat and Agriculture”, dedicado a um fenômeno que deixou de ser apenas climático para assumir caráter estrutural: o impacto do calor extremo sobre os sistemas produtivos. Com base em evidências científicas recentes e estudos de caso em diferentes países, o documento mostra que a maior frequência e severidade desses eventos já afeta diretamente a produção agrícola, a pecuária, a pesca, a aquicultura e os sistemas florestais em várias regiões do mundo.

O relatório deixa claro que o calor não atua isoladamente. Ele funciona como um multiplicador de riscos, interagindo com seca, disponibilidade hídrica, solo e resposta fisiológica de plantas e animais, até o ponto em que a produtividade deixa de depender apenas do manejo e passa a esbarrar no limite térmico dos sistemas biológicos.

Na formulação adotada pela própria FAO, cada cultura, animal e espécie aquática possui uma margem de segurança térmica, e o calor se torna extremo quando ultrapassa esse limiar e começa a impor barreiras físicas reais à produção de alimentos.

Impactos do calor extremo na produtividade agrícola e rendimento das lavouras

A agricultura é uma das áreas mais diretamente afetadas pelo aumento das temperaturas. Culturas como milho, trigo, soja e arroz possuem faixas térmicas ideais para crescimento e desenvolvimento. Quando essas faixas são ultrapassadas, ocorrem efeitos fisiológicos que reduzem o rendimento.

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Entre os principais impactos observados estão:

  • Redução da taxa de fotossíntese em temperaturas elevadas
  • Aceleração do ciclo das plantas, encurtando o período de enchimento de grãos
  • Aumento da evapotranspiração, exigindo mais água
  • Estresse térmico durante fases críticas, como floração

Esses fatores combinados podem resultar em perdas significativas de produtividade, mesmo em áreas com manejo adequado. Em cenários mais extremos, o calor pode causar falhas completas na produção.

Além disso, o aumento das temperaturas favorece a proliferação de pragas e doenças, alterando o equilíbrio biológico das lavouras e exigindo novos padrões de controle fitossanitário.

Estresse térmico na pecuária reduz ganho de peso e produção de leite

Na pecuária, o calor extremo afeta diretamente o metabolismo dos animais. Bovinos, suínos e aves possuem limites térmicos bem definidos, e quando esses limites são ultrapassados, ocorre o chamado estresse térmico.

Esse fenômeno provoca:

  • Redução do consumo de alimento
  • Queda na taxa de crescimento
  • Diminuição da produção de leite
  • Comprometimento da reprodução

No caso de vacas leiteiras, por exemplo, temperaturas elevadas podem reduzir significativamente a produção diária. Já na pecuária de corte, o impacto aparece na forma de menor ganho de peso e aumento do tempo necessário para atingir o ponto de abate.

Em regiões tropicais, onde as temperaturas já são naturalmente elevadas, o aumento adicional provocado pelas mudanças climáticas intensifica esses efeitos e pressiona a rentabilidade da atividade.

Calor extremo também afeta pesca e aquicultura em escala global

O relatório da FAO também destaca impactos importantes sobre a pesca e a aquicultura, setores frequentemente menos associados às mudanças térmicas, mas altamente sensíveis a elas.

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O aumento da temperatura da água provoca:

  • Alterações na distribuição de espécies marinhas e de água doce
  • Redução de oxigênio dissolvido na água
  • Mudanças nos ciclos reprodutivos dos peixes
  • Aumento da mortalidade em sistemas de criação intensiva

Esses fatores afetam tanto a captura quanto a produção aquícola, criando instabilidade em cadeias produtivas que dependem de condições ambientais específicas.

Em algumas regiões, espécies tradicionais estão migrando para áreas mais frias, o que altera completamente a geografia da pesca e impacta comunidades que dependem diretamente desses recursos.

Sistemas florestais sob pressão: incêndios e perda de biomassa

As florestas também entram na equação do calor extremo. O aumento das temperaturas, combinado com períodos de seca, eleva o risco de incêndios florestais e reduz a capacidade de regeneração natural.

Entre os principais efeitos estão:

  • Aumento da frequência e intensidade de incêndios
  • Redução da biomassa e da capacidade de sequestro de carbono
  • Alterações na composição de espécies
  • Maior vulnerabilidade a pragas e doenças

Essas mudanças afetam não apenas os ecossistemas naturais, mas também a produção florestal voltada para madeira, celulose e outros produtos.

O calor extremo como variável estrutural no agro global

Um dos pontos mais relevantes do relatório da FAO é a mudança de percepção sobre o calor extremo. Ele deixa de ser tratado como um evento pontual e passa a ser considerado uma variável estrutural.

Isso significa que:

  • O planejamento agrícola precisa incorporar o risco térmico de forma permanente
  • Tecnologias de adaptação ganham protagonismo
  • A escolha de cultivares e sistemas produtivos passa a considerar limites térmicos

Essa mudança redefine a forma como o agro opera, exigindo uma abordagem mais integrada entre clima, genética, manejo e tecnologia.

Adaptação tecnológica no campo diante do aumento das temperaturas

Diante desse cenário, diferentes estratégias estão sendo adotadas para reduzir os impactos do calor extremo. Entre elas:

  • Desenvolvimento de cultivares mais resistentes ao estresse térmico
  • Expansão da irrigação em regiões estratégicas
  • Uso de sombreamento e sistemas integrados na pecuária
  • Monitoramento climático em tempo real

Além disso, a agricultura digital começa a desempenhar um papel importante, permitindo ajustes mais rápidos e precisos nas operações.

Essas soluções não eliminam o problema, mas ajudam a reduzir perdas e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.

Segurança alimentar global entra em alerta com avanço do calor extremo

O impacto combinado sobre agricultura, pecuária, pesca e florestas coloca em evidência um tema central: a segurança alimentar global.

Com a população mundial em crescimento e a demanda por alimentos aumentando, qualquer redução consistente na produtividade pode gerar efeitos em cadeia, como:

  • Aumento de preços
  • Pressão sobre mercados internacionais
  • Maior vulnerabilidade de países importadores

O calor extremo, nesse contexto, deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a ser um fator econômico e social de grande escala.

Comente: o agro está preparado para lidar com o calor extremo como nova realidade?

O avanço das temperaturas já começa a redesenhar o funcionamento do agro em escala global. O que antes era tratado como exceção agora passa a fazer parte do planejamento produtivo.

Na sua visão, o setor agrícola está preparado para lidar com esse novo cenário ou ainda estamos reagindo a um problema que já virou permanente?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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