Acionamento inédito do plano emergencial ocorreu após alta geração solar e eólica, baixo consumo no domingo e necessidade de evitar instabilidade no fornecimento de energia no país
O ONS acionou neste domingo (7), pela primeira vez, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A medida foi tomada diante da combinação entre clima favorável à geração solar e eólica, baixo consumo no domingo e necessidade de manter o equilíbrio do sistema elétrico.
Plano foi adotado após redução da geração centralizada
Antes de acionar o plano emergencial, o Operador Nacional do Sistema Elétrico informou que solicitou a redução dos recursos da geração centralizada, que estão sob sua responsabilidade direta.
Com essa providência esgotada, o ONS colocou em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Aneel no ano passado.
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O acionamento envolveu distribuidoras, que foram chamadas a reduzir geração dentro de suas áreas de concessão.
O Operador explicou que não possui controle direto sobre essas fontes, embora elas afetem a operação do sistema elétrico.
Excedentes de energia exigem ajuste entre geração e consumo
A medida determina a redução temporária da geração de energia sob responsabilidade das distribuidoras.
O objetivo é evitar desequilíbrio entre produção e consumo, condição que pode provocar instabilidade no fornecimento.
O plano busca impedir desligamentos em cascata e preservar a segurança da operação para a população. A decisão foi adotada em um cenário de sobreoferta provocada por fontes renováveis, especialmente solar e eólica.
Segundo o material do ONS, parte dessa geração está fora da rede básica. Mesmo sem controle direto do Operador, ela influencia o funcionamento do sistema elétrico nacional.
Pequenas usinas e geração distribuída entram no alcance da medida
A ação afeta a operação de pequenas hidrelétricas e também a mini e microgeração distribuída. Essa modalidade reúne consumidores que produzem a própria energia e recebem desconto na conta de luz ao injetar excedentes na rede.
Esse tipo de geração cresceu fora da estrutura controlada diretamente pelo ONS. Ainda assim, quando há baixa demanda e alta produção renovável, o volume injetado pode contribuir para excesso de energia no sistema.
A situação deste domingo ocorreu em meio a condições climáticas favoráveis à produção de energia pelo vento e pelo sol. Ao mesmo tempo, o consumo não apresentou índices elevados.
Absolar vê medida como reflexo de problema estrutural
Para a Absolar, as medidas do ONS são necessárias, mas indicam um problema estrutural mais profundo na gestão da transição energética no Brasil.
A associação afirmou que a combinação entre alta irradiação solar e baixa demanda no feriado prolongado não representa uma anomalia.
Para a entidade, trata-se de um cenário previsível em países que ampliaram a participação das fontes renováveis.
Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da Absolar, afirmou que o avanço da geração renovável é uma conquista estratégica para o Brasil.
Segundo ela, esse crescimento ajudou a diversificar o suprimento elétrico nacional e reduzir riscos de apagão por falta de chuvas.
A representante também destacou que transições em grande escala exigem planejamento e infraestrutura compatíveis. Para ela, o país acumula déficit justamente na capacidade de gestão dos recursos disponíveis.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do ONS e da Absolar, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
