A gasolina vendida no Brasil deve passar a ter até 35% de etanol e o diesel até 25% de biodiesel, conforme a Lei do Combustível do Futuro. O governo estruturou uma rede nacional de pesquisa coordenada pela ANP com investimento de R$ 30 milhões e previsão de três anos de testes em laboratórios de oito universidades e institutos.
A gasolina vendida no Brasil está prestes a passar por uma mudança histórica. O governo federal anunciou que estruturou uma série de estudos técnicos e testes laboratoriais para avaliar o impacto do aumento da mistura de etanol na gasolina de 27% para 35%, além da elevação do biodiesel no diesel de 14% para 25%. O investimento é de R$ 30 milhões e os estudos devem durar três anos. A iniciativa busca fornecer as evidências científicas necessárias para garantir que as novas misturas não comprometam o desempenho dos motores nem a segurança dos veículos que circulam no país.
Conforme a Fecombustíveis, os testes serão conduzidos por uma rede nacional de pesquisa coordenada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP. A rede inclui laboratórios de oito instituições: UFMG, IPT, IMT, INT, LACTEC, UFG, UFRJ e UFRN. As mudanças estão previstas na Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que estabelece as metas de aumento da gasolina E35 e do diesel B25 como parte da estratégia brasileira de descarbonização do setor de transportes.
O que muda na gasolina e no diesel com as novas misturas de biocombustíveis

Atualmente, a gasolina brasileira contém 27% de etanol anidro, a chamada gasolina E27. Com a nova regulamentação, esse percentual poderá subir para 35%, dando origem à gasolina E35. No caso do diesel, a mistura de biodiesel passará dos atuais 14% para até 25%, o chamado diesel B25.
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Essas alterações não acontecerão da noite para o dia. Os testes técnicos precisam comprovar que os motores dos veículos brasileiros suportam as novas proporções sem perda de desempenho, aumento de consumo ou danos mecânicos.
Para o consumidor, a mudança na gasolina e no diesel será imperceptível no momento do abastecimento. A composição é alterada na distribuidora, não no posto.
O objetivo do governo é aumentar a participação de biocombustíveis renováveis na matriz energética de transportes sem que o motorista precise fazer qualquer adaptação no seu veículo. Mas para que isso seja possível, os testes com a gasolina E35 e o diesel B25 precisam demonstrar compatibilidade total com a frota existente.
R$ 30 milhões em pesquisas: como os testes vão funcionar na prática
O investimento de R$ 30 milhões será distribuído entre os laboratórios que integram a rede nacional de pesquisa coordenada pela ANP. Os estudos incluem testes de desempenho de motores com a nova gasolina E35, análise de desgaste de componentes mecânicos, medição de emissões e avaliação de consumo.
No caso do biodiesel B25, o plano de testes já foi submetido à consulta pública para garantir transparência no processo.
A previsão é de que os estudos durem três anos. As oito instituições envolvidas cobrem diferentes regiões do Brasil e têm experiência comprovada em pesquisas sobre combustíveis e motores.
O Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro acompanha todo o processo, envolvendo não apenas o governo, mas também montadoras de veículos, fabricantes de motores e produtores de biocombustíveis. Essa participação conjunta é fundamental para que a gasolina E35 e o diesel B25 cheguem ao mercado com segurança.
A Lei do Combustível do Futuro: o que ela prevê e por que a gasolina vai mudar
A Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), sancionada em 2024, é o marco legal que autoriza o aumento da mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel. A legislação faz parte da estratégia brasileira de reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes, um dos maiores emissores do país.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da mistura de etanol na gasolina pode evitar emissões de cerca de 55 milhões de toneladas de CO2 até 2037.
O Brasil já é referência mundial no uso de biocombustíveis. O programa do etanol existe desde a década de 1970, e o biodiesel foi incorporado ao diesel a partir de 2005. O salto de E27 para E35 na gasolina e de B14 para B25 no diesel representa o avanço mais significativo em proporção de biocombustível das últimas duas décadas.
Para que a transição seja bem-sucedida, os R$ 30 milhões em pesquisas são o investimento mínimo para garantir que a frota brasileira, composta por milhões de veículos de diferentes idades e tecnologias, não seja prejudicada.
O que os motoristas precisam saber sobre a nova gasolina e o novo diesel
Para o motorista comum, a mudança na composição da gasolina e do diesel não deve exigir nenhuma ação prática. A alteração é feita na etapa de distribuição, antes de o combustível chegar ao posto.
O objetivo é que a gasolina E35 funcione nos mesmos motores que hoje usam a gasolina E27, sem necessidade de adaptações. O mesmo vale para o diesel B25 em relação ao B14 atual. Porém, essa compatibilidade só será confirmada após a conclusão dos três anos de testes.
Há dúvidas sobre como veículos mais antigos, com motores projetados para proporções menores de etanol na gasolina, vão reagir à nova mistura. É exatamente essa questão que os laboratórios vão investigar.
A participação das montadoras no Comitê Técnico é uma garantia de que os fabricantes estão acompanhando os resultados e poderão orientar proprietários caso algum ajuste seja necessário. Até que os testes sejam concluídos, a gasolina e o diesel vendidos nos postos continuam com a composição atual.
O que você acha dessa mudança na gasolina?

Como sempre quem se **** somos nós consumidores,bando de FDPs
Tragédia anunciada no caso do diesel, com maior formação de borra, entupimentos e quebra de corrente de comando e no caso da gasolina vai danificar todos que não forem flex.
Ou seja que se danem todos o que vale é o lucro do agro que está aproveitando todas as oportunidades sem medir as consequências…