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O Brasil agora pode exportar um subproduto do etanol de milho para Rússia, Belarus e mais três países, pólen de batata para o Peru usar em pesquisa genética e cavalos reprodutores para o Togo na África, somando 609 mercados abertos para o agronegócio desde 2023

Publicado em 11/05/2026 às 18:46
Atualizado em 11/05/2026 às 18:50
O Brasil abriu mercado para exportar um subproduto do etanol de milho para Rússia e Belarus, pólen de batata para o Peru e cavalos reprodutores para o Togo. São 609 mercados abertos para o agronegócio desde 2023.
O Brasil abriu mercado para exportar um subproduto do etanol de milho para Rússia e Belarus, pólen de batata para o Peru e cavalos reprodutores para o Togo. São 609 mercados abertos para o agronegócio desde 2023.
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Segundo a CNN Brasil, o governo brasileiro concluiu negociações que abriram mercado para a exportação de DDG de milho, um subproduto da produção de etanol, para cinco países da União Econômica Euroasiática, pólen de batata para pesquisa genética no Peru e cavalos reprodutores para o Togo. Com essas autorizações, o agronegócio brasileiro soma 609 aberturas de mercado desde o início de 2023.

O agronegócio brasileiro acaba de conquistar três novas frentes de exportação que ilustram a diversidade do que o país é capaz de vender ao mundo. A mais expressiva delas é a autorização para exportar DDG de milho, um subproduto gerado na fabricação de etanol, para os cinco países que formam a União Econômica Euroasiática: Rússia, Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão. O DDG é utilizado na alimentação animal e representa um mercado em expansão à medida que a produção brasileira de etanol de milho cresce aceleradamente. As negociações foram conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

As outras duas aberturas de mercado envolvem produtos que poucos associam ao agronegócio convencional. O Peru autorizou a importação de pólen de batata brasileiro para fins de pesquisa e melhoramento vegetal, enquanto o Togo, na África Ocidental, abriu suas portas para cavalos brasileiros destinados à reprodução. Com esses três anúncios, o Brasil atingiu a marca de 609 mercados abertos para o agronegócio desde 2023, um ritmo de expansão comercial que reflete tanto a capacidade negociadora da diplomacia brasileira quanto a amplitude do portfólio agropecuário nacional.

O que é DDG e por que esse subproduto interessa a cinco países

DDG é a sigla para Dried Distillers Grains, ou grãos secos de destilaria em tradução livre. Trata-se de um subproduto sólido que sobra após a fermentação e a destilação do milho na produção de etanol. Rico em proteínas, fibras e nutrientes, o DDG é utilizado como ingrediente na formulação de rações para bovinos, suínos e aves, substituindo parcialmente fontes proteicas mais caras como o farelo de soja. Para a indústria de etanol de milho, a comercialização desse subproduto é uma receita adicional que melhora a equação econômica de cada litro de combustível produzido.

A autorização para exportar DDG de milho à União Econômica Euroasiática abre um mercado de cinco países que importou mais de US$ 1,4 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025. Rússia e Belarus, os dois maiores integrantes do bloco, são potências pecuárias que demandam volumes significativos de insumos para alimentação animal. A chegada do subproduto brasileiro a esse mercado se soma a exportações já consolidadas de café, proteínas animais e fumo, diversificando a pauta comercial entre o Brasil e o bloco euroasiático.

A produção de DDG no Brasil está em plena expansão

O contexto que torna essa abertura de mercado especialmente relevante é o crescimento acelerado da produção de etanol de milho no Brasil. Estimativas do setor indicam que a produção de DDG pode ultrapassar 15 milhões de toneladas até 2030, acompanhando a expansão das usinas de etanol de milho concentradas principalmente em Mato Grosso e Goiás. Cada tonelada de milho processada para etanol gera aproximadamente um terço de seu peso em subproduto, o que significa que quanto mais etanol o Brasil produzir, mais DDG terá disponível para exportar.

Esse volume crescente de subproduto precisa de destinos comerciais para não pressionar os preços no mercado interno. O Brasil já realizou embarques significativos de DDG para outros destinos, como as 45 mil toneladas enviadas à Turquia recentemente. A abertura do mercado euroasiático amplia as opções de escoamento e permite que os produtores brasileiros negociem com mais compradores, reduzindo a dependência de poucos destinos e fortalecendo o poder de barganha nas negociações de preço.

Pólen de batata para o Peru: ciência como produto de exportação

A autorização do Peru para importar pólen de batata brasileiro pode parecer uma curiosidade, mas carrega importância estratégica para ambos os países. O pólen será utilizado em programas de pesquisa e melhoramento genético vegetal, uma área em que o intercâmbio de material genético entre diferentes regiões produtoras é essencial para desenvolver variedades mais resistentes a pragas, doenças e mudanças climáticas. O Peru é o centro de origem da batata e abriga o maior banco de germoplasma do tubérculo no mundo, o que torna a cooperação científica com o Brasil especialmente valiosa.

O Peru importou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para produtos florestais, proteínas animais, itens do complexo soja, cereais e farinhas. A abertura para pólen de batata acrescenta uma dimensão científica a uma relação comercial que já é robusta no campo dos produtos tradicionais. Para o agronegócio brasileiro, cada novo tipo de produto autorizado para exportação representa uma camada adicional de complexidade e valor na pauta comercial.

Cavalos reprodutores para o Togo: genética animal cruza o Atlântico

A terceira abertura de mercado anunciada envolve a exportação de cavalos brasileiros destinados à reprodução para o Togo, país da África Ocidental. A autorização abre espaço para negócios ligados à genética animal, segmento em que o Brasil possui reconhecida competência, especialmente em raças como Mangalarga Marchador, Quarto de Milha e outras que combinam rusticidade e desempenho. Para o Togo, a importação de reprodutores brasileiros pode contribuir para o melhoramento dos rebanhos equinos locais.

Em 2025, o Togo importou mais de US$ 148 milhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para itens do complexo sucroalcooleiro, proteínas animais e couro. A adição de cavalos reprodutores à pauta comercial entre os dois países é mais um exemplo de como o agronegócio brasileiro encontra oportunidades em mercados que muitos considerariam improváveis. A África tem sido um dos focos da diplomacia comercial brasileira, com aberturas de mercado para gado vivo e material genético em diversos países do continente nos últimos anos.

609 mercados abertos: o que esse número significa

A marca de 609 aberturas de mercado para o agronegócio brasileiro desde o início de 2023 traduz um esforço diplomático e técnico que envolve negociações sanitárias, fitossanitárias e regulatórias com dezenas de países. Cada abertura de mercado exige que o Brasil comprove a segurança e a qualidade de seus produtos perante as autoridades do país importador, um processo que pode levar meses ou anos de análise técnica, inspeções e troca de documentos entre os governos. O subproduto DDG para a União Econômica Euroasiática, o pólen de batata para o Peru e os cavalos para o Togo são três resultados recentes desse trabalho contínuo.

O ritmo de 609 aberturas em pouco mais de dois anos indica que o Brasil está priorizando a diversificação de destinos para seus produtos agropecuários. Essa estratégia reduz a vulnerabilidade do setor a crises bilaterais, barreiras tarifárias ou sanitárias impostas por um único comprador. Quando um mercado se fecha ou impõe restrições, a existência de dezenas de outros destinos já abertos permite redirecionar o fluxo comercial com mais agilidade. Para um país que exportou US$ 9,2 bilhões em produtos do agro apenas em abril, a diversificação não é luxo, é necessidade.

De subproduto a oportunidade: o agro brasileiro encontra mercados onde ninguém esperava

DDG de milho para a Rússia, pólen de batata para o Peru e cavalos reprodutores para o Togo. Os três produtos anunciados nesta rodada de abertura de mercados mostram que o agronegócio brasileiro não se limita a soja, carne e café. O setor exporta desde subprodutos industriais até material genético vegetal e animal, alcançando mercados que vão da Eurásia à África Ocidental. A marca de 609 aberturas desde 2023 é a medida concreta dessa expansão.

Você sabia que o Brasil exporta até subproduto de etanol de milho para a Rússia? Conte nos comentários o que mais surpreendeu você nessa lista de produtos: o DDG, o pólen de batata ou os cavalos para a África. E se você trabalha no agronegócio, compartilhe como essas aberturas de mercado impactam o seu setor. Queremos ouvir quem vive essa realidade.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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