Asteroide Ryugu contém nucleobases do DNA e RNA e reforça teoria de que a vida na Terra pode ter surgido com impactos espaciais.
O asteroide Ryugu surpreendeu cientistas ao revelar, em análises recentes, a presença dos cinco componentes fundamentais para a formação da vida na Terra. A descoberta foi feita por uma equipe liderada pelo biogeoquímico Toshiki Koga, com resultados publicados na revista Nature Astronomy em março de 2026.
As amostras foram coletadas entre 2018 e 2019 pela missão Hayabusa2, da agência espacial japonesa JAXA, e trazidas à Terra em 2020.
A análise confirmou a presença das cinco nucleobases — adenina, citosina, guanina, timina e uracila — que formam o DNA e o RNA, moléculas essenciais para qualquer forma de vida conhecida.
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Além disso, a descoberta reforça uma hipótese importante: o bombardeio de asteroide no início da Terra pode ter sido crucial para o surgimento da vida no planeta.
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O que são nucleobases e por que são essenciais para a vida?
As nucleobases são compostos químicos orgânicos que funcionam como as “letras” do código genético.
Elas formam o DNA (ácido desoxirribonucleico) e o RNA (ácido ribonucleico), responsáveis por armazenar e transmitir informações genéticas em todos os organismos vivos.
Sem essas moléculas, a vida como conhecemos simplesmente não existiria.
Quando combinadas com açúcares e fosfatos, essas bases formam os nucleotídeos, que estruturam o material genético.
Asteroide Ryugu e Bennu: pistas sobre a origem da vida
O asteroide Ryugu não é o único a apresentar esses compostos. Estudos anteriores já haviam identificado nucleobases no asteroide Bennu.
No entanto, há diferenças importantes entre eles.
Enquanto o Ryugu apresenta níveis equilibrados das cinco nucleobases, o Bennu possui maior concentração de citosina, timina e uracila.
Segundo os pesquisadores, essa variação pode estar relacionada às condições químicas específicas de cada asteroide, como a presença de amônia.
Descoberta reforça teoria do “bombardeio de asteroides”
A nova análise fortalece uma das principais teorias sobre a origem da vida: a de que compostos orgânicos essenciais foram trazidos à Terra por impactos de asteroide bilhões de anos atrás.
Esse período, conhecido como bombardeio intenso tardio, ocorreu quando o Sistema Solar ainda estava em formação.
Os cientistas destacam no estudo:
“A detecção de diversas nucleobases em materiais de asteroides e meteoritos demonstra sua presença generalizada em todo o Sistema Solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o inventário químico pré-biótico da Terra primitiva”.
Assim, a presença dessas moléculas fora da Terra indica que elas podem se formar de maneira natural, sem depender de organismos vivos.
Por que o asteroide Ryugu é tão importante?
O asteroide Ryugu tem cerca de 4,6 bilhões de anos, praticamente a mesma idade do Sistema Solar.
Isso significa que suas rochas permaneceram quase inalteradas desde a formação dos planetas.
Portanto, ele funciona como uma “cápsula do tempo”, preservando compostos químicos que existiam antes mesmo do surgimento da vida na Terra.
Essa característica torna o Ryugu um dos objetos mais valiosos já estudados na busca por respostas sobre nossas origens.
Evidências crescentes de vida além da Terra?
Embora a descoberta não indique diretamente a existência de vida fora do planeta, ela mostra que os ingredientes necessários são comuns no espaço.
Isso amplia significativamente as possibilidades de que a vida possa surgir em outros locais do universo.
Além disso, reforça a ideia de que o DNA e o RNA podem ter origens cósmicas, e não exclusivamente terrestres.
