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Não jogue mais fora seus dispositivos eletrônicos; existe uma maneira de recuperar o ouro que eles contêm

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 19/11/2025 às 23:11
Método suíço usa resíduo da produção de queijo para extrair ouro de placas-mãe, reduzindo custos e tornando a reciclagem eletrônica
Método suíço usa resíduo da produção de queijo para extrair ouro de placas-mãe, reduzindo custos e tornando a reciclagem eletrônica
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Pesquisadores suíços desenvolveram um método sustentável que usa proteínas do soro do leite para recuperar ouro presente em placas-mãe antigas, oferecendo uma alternativa econômica e menos poluente para lidar com o descarte crescente de dispositivos eletrônicos

Os dispositivos eletrônicos acumulados em gavetas e armários guardam mais do que lembranças de um passado recente. Eles concentram metais preciosos e semipreciosos que continuam em uso e estão presentes em celulares, computadores antigos, consoles e diversos eletrodomésticos.

Entre esses materiais, o ouro se destaca por sua presença em pequenas quantidades nas placas-mãe, embora seu processo de extração tenha sido, até agora, caro e ambientalmente prejudicial.

Tradicionalmente, a forma mais eficiente de recuperar o metal é por meio de métodos que envolvem carvão, o que torna o procedimento complexo e pouco sustentável.

O potencial da reciclagem eletrônica

A grande quantidade de aparelhos obsoletos acumulada nas residências ilustra um cenário comum. Há modelos pesados, celulares flip, smartphones com baterias inutilizáveis e computadores que perderam sua função original.

Todos esses itens são compostos por materiais como cobre, cobalto e lítio, que permanecem essenciais para a indústria. Por esse motivo, o incentivo à reciclagem dessas peças se torna cada vez mais relevante, principalmente pela dificuldade de obtenção de alguns desses elementos.

Transformando resíduos em ouro

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique anunciaram um avanço importante ao demonstrar que é possível recuperar ouro de placas-mãe utilizando um resíduo da produção de queijo.

O grupo liderado pelo professor Raffaele Mezzenga desenvolveu uma esponja feita com proteínas do soro do leite, subproduto comum da fabricação de queijos. O procedimento consistiu em extrair o ouro de vinte placas-mãe, dissolvê-lo e submetê-lo ao material proteico.

Quando a esponja entrou em contato com a solução, suas fibras absorveram os íons do metal. Em seguida, o aquecimento da esponja reduziu esses íons a flocos que, posteriormente, foram derretidos para formar uma pequena pepita de ouro.

Segundo o instituto, a técnica não envolve processos químicos perigosos e aproveita resíduos que normalmente não teriam outra utilidade.

Sustentabilidade e economia

De acordo com o professor Mezzenga, a relevância do método está no fato de unir dois resíduos diferentes e transformá-los em ouro, representando uma solução com forte apelo ambiental.

A instituição estima que os custos de energia e de materiais utilizados na técnica são cinquenta vezes menores que o valor do ouro recuperado ao final do processo, o que indica uma alternativa potencialmente viável para reciclagem em maior escala.

O pesquisador afirmou que pretende comercializar a tecnologia e destacou a grande quantidade de solicitações que tem recebido de pessoas interessadas em replicar o experimento em casa. Ele observou, porém, que apesar de ser relativamente simples, o processo exige condições adequadas e não pode ser realizado em qualquer tipo de ambiente doméstico.

A ilusão de lucros pessoais

O método não significa uma oportunidade de enriquecimento para a população. A experiência conduzida pelos pesquisadores suíços, utilizando cerca de vinte placas-mãe, resultou em aproximadamente 450 mg de ouro de 22 quilates. Com base no preço atual do metal, em torno de 90 euros por grama, o valor obtido seria equivalente a cerca de 35 euros.

Além disso, para que o ouro reciclado chegue ao consumidor final, seria necessário contar com empresas intermediárias especializadas, o que reduz ainda mais a margem de retorno para indivíduos que desejem explorar o método por conta própria.

Impactos ambientais da extração tradicional

A pesquisa ganha relevância diante dos danos provocados pela mineração convencional. Segundo o WWF, a extração de ouro costuma depender de substâncias altamente tóxicas, como mercúrio e cianeto, que contaminam o solo, a água e o ar, prejudicando a biodiversidade e impactando a saúde de comunidades inteiras. Além dos riscos ambientais, há consequências sociais associadas à busca pelo lucro nesse setor.

O avanço suíço sugere que o reaproveitamento de resíduos eletrônicos pode se tornar mais sustentável e eficiente, especialmente se aplicado de forma coletiva.

O uso de materiais simples, como o soro de leite, abre caminho para novas alternativas de reciclagem e reforça a importância de iniciativas que reduzam os impactos ambientais da indústria tecnológica.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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