O governo lançará na segunda a nova fase do Desenrola com renegociação de dívidas de cartão, cheque especial, rotativo e crédito pessoal, oferecendo desconto de 30% a 90% e juros máximos de 1,99%, mas quem aderir ficará bloqueado por um ano em plataformas de apostas online, anunciou Lula no Dia do Trabalhador.
O novo Desenrola chega num momento em que mais da metade dos brasileiros está inadimplente segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa de março. O governo esperou a véspera do Dia do Trabalhador para anunciar oficialmente a segunda etapa do programa de renegociação que permite a milhões de endividados negociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e até FGTS com descontos que variam de 30% a 90% sobre o valor total e juros limitados a 1,99% ao mês, condições que tornam o Desenrola a porta de entrada mais acessível para quem quer sair da lista de inadimplentes. Em Santa Catarina, o cenário reforça a urgência: 40,46% dos moradores estão com o nome sujo, e quase 23% das dívidas são com bancos, 18,77% com cartões, 13,62% com serviços e 11,86% com varejo.
A novidade que diferencia este Desenrola da versão anterior é a exigência de que o participante abra mão das apostas online. O presidente Lula anunciou que quem aderir à nova fase do programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas, condição que vincula o benefício da renegociação de dívidas ao compromisso de não gastar dinheiro com jogos de azar digitais que, segundo especialistas, são uma das causas do endividamento crescente da população brasileira. Para economistas, a medida é necessária mas insuficiente se não vier acompanhada de educação financeira que ajude as famílias a entenderem como chegaram à situação de inadimplência.
O que o novo Desenrola oferece para quem está endividado
As condições da nova fase do Desenrola são mais agressivas do que as da primeira edição do programa. Os descontos de 30% a 90% sobre o valor da dívida significam que um débito de R$ 10 mil pode ser negociado por valor entre R$ 1 mil e R$ 7 mil dependendo do credor e do perfil do endividado, e os juros máximos de 1,99% ao mês substituem taxas que no rotativo do cartão de crédito ultrapassam 400% ao ano. Para quem está preso num ciclo de juros compostos que faz a dívida dobrar a cada poucos meses, o Desenrola oferece oportunidade de reconverter o débito em parcelas que cabem no orçamento.
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As modalidades de dívida cobertas pelo Desenrola abrangem os principais focos de endividamento das famílias brasileiras. Cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e até obrigações com o FGTS podem ser renegociados dentro do programa, cobertura que atinge praticamente todas as categorias de dívida bancária que mais afligem os consumidores. A possibilidade de usar o próprio FGTS para quitar débitos é opção que economistas consideram válida desde que o trabalhador não comprometa reserva que pode ser necessária em caso de demissão, equilíbrio que exige análise individual da situação de cada endividado.
Por que o Desenrola exige bloqueio de apostas online dos participantes
A vinculação entre renegociação de dívidas e proibição de apostas online é medida que reconhece oficialmente a relação entre jogos de azar digitais e endividamento. O governo avalia que parte dos brasileiros que precisam do Desenrola para limpar o nome chegaram à inadimplência por causa de gastos com apostas em plataformas que proliferaram nos últimos anos, e que oferecer desconto de 90% na dívida sem impedir que o beneficiário volte a apostar com o dinheiro economizado seria tratar o sintoma sem atacar a causa. O bloqueio de um ano é período que a administração federal considera suficiente para que o participante reorganize sua vida financeira sem a tentação dos jogos.
Para economistas, a medida precisa ser acompanhada por suporte mais amplo. “Não adianta a gente apenas estancar o problema e não tratar as causas desse problema, que é também entregar subsídios para que essas famílias consigam se educar financeiramente e também subsídios para que ela consiga ter um plano em relação à sua carreira, ao seu trabalho”, avalia especialista consultada sobre o novo Desenrola. O bloqueio de apostas é ferramenta que funciona como freio de emergência, mas sem educação financeira que ensine o endividado a gerenciar seus recursos, o risco de reincidência após o período de um ano é real e significativo.
O tamanho do endividamento que o Desenrola precisa enfrentar
Os números que o programa encontra pela frente são alarmantes. Mais de 50% dos brasileiros estão inadimplentes de acordo com o Mapa da Inadimplência da Serasa do mês de março, proporção que significa que mais da metade da população adulta do país tem dívidas em atraso que restringem acesso a crédito, impedem contratação de serviços e comprometem qualidade de vida. O Desenrola se propõe a reverter parcela significativa dessa estatística ao facilitar acordos que permitam aos endividados reconquistar acesso ao sistema financeiro formal.
Em Santa Catarina, estado com renda per capita acima da média nacional, o endividamento também surpreende. Os 40,46% de moradores inadimplentes demonstram que a inadimplência não é exclusividade de regiões com menor renda, e a distribuição das dívidas revela que bancos (23%), cartões (18,77%), serviços (13,62%) e varejo (11,86%) contribuem para cenário em que quase metade da população catarinense precisa de programas como o Desenrola para regularizar sua situação financeira. A nova fase do programa chega como oportunidade que pode não se repetir com as mesmas condições, e quem está endividado precisa avaliar a adesão com atenção.
Como avaliar se vale a pena aderir ao Desenrola
A decisão de entrar no programa deve considerar tanto os benefícios quanto as condições impostas. Os descontos de até 90% e os juros de 1,99% são vantagens concretas que nenhuma renegociação individual com o banco ofereceria, e para quem tem dívidas de valor elevado acumulando juros compostos, o Desenrola pode significar a diferença entre pagar R$ 50 mil num débito que originalmente era de R$ 10 mil ou quitá-lo por R$ 5 mil com condições acessíveis. A matemática favorece a adesão na maioria dos casos em que o endividado tem capacidade mínima de pagamento.
O bloqueio de apostas online por um ano é condição que para alguns será irrelevante e para outros será o verdadeiro teste. Quem não aposta em plataformas digitais aceita a exigência sem impacto, mas quem desenvolveu hábito de jogo que contribuiu para o endividamento enfrentará período de abstinência forçada que pode ser tão desafiador quanto a reorganização financeira em si. O Desenrola força o participante a fazer escolha que deveria ser óbvia mas que para milhões de brasileiros presos no ciclo de apostas e dívidas não é: decidir entre continuar jogando e continuar devendo ou parar de apostar e recomeçar limpo.
E você, pretende aderir ao novo Desenrola? Acha justa a exigência de bloqueio das apostas online? Deixe sua opinião nos comentários.

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