Ministro diz que a negociação com a Mota-Engil está avançada e prevê retomada das obras em 2026, além de um novo prazo para entrega do trecho até 2033.
O governo federal trabalha para destravar a Fiol 1, um dos trechos mais sensíveis do corredor ferroviário Leste-Oeste, e a aposta agora está na Mota-Engil. Segundo agenciainfra.com, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o grupo português aguarda autorização da ANTT para assumir a concessão hoje sob controle da Bamin, que não vem cumprindo as obras previstas.
A movimentação pode mudar o ritmo de um projeto que virou peça-chave para a logística no Nordeste e para a ligação com o Porto Sul, em Ilhéus (BA). Santoro disse que os trâmites na reguladora estão “bem avançados” e que a expectativa é assinar o termo aditivo até agosto, com retomada das obras ainda em 2026.
O plano também traz um número que mostra o peso da aposta: cerca de R$ 7 bilhões em investimentos, incluindo o desenvolvimento do Porto Sul. Pelo desenho apresentado pelo ministro, a entrega do trecho deve ficar para 2033.
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Negociação avança com prazo para assinatura até agosto
Santoro afirmou que a operação de transferência da concessão está em fase avançada na ANTT. A futura entrada da Mota-Engil depende dessa etapa regulatória e, depois dela, o processo ainda seguirá para análise do Tribunal de Contas da União.
O trecho está hoje com a Bamin, que foi citada pelo ministro como inadimplente com as obras. A eventual troca de operador é vista como uma tentativa de recolocar o projeto nos trilhos depois de sucessivos atrasos e incertezas em torno da execução.
A Mota-Engil tem como acionista a chinesa CCCC, fator que reforça a leitura do governo de que o projeto pode atrair capital estrangeiro para a ferrovia e para os empreendimentos associados ao corredor.
R$ 7 bilhões e a aposta em uma ferrovia que depende do Porto Sul
O valor citado por Santoro inclui a conexão com o Porto Sul, em Ilhéus, ponto considerado decisivo para a viabilidade do corredor. Sem o porto, a atratividade da futura malha ferroviária fica mais frágil, segundo a avaliação apresentada pelo próprio ministério.
O corredor Fico-Fiol reúne trechos em estágios diferentes e depende de uma sequência de obras e decisões para sair do papel como um sistema integrado. Por isso, a retomada da Fiol 1 não é apenas uma obra isolada: ela interfere na engenharia financeira e logística de todo o projeto.
A estimativa oficial do governo é que as obras possam voltar em 2026, mas a conclusão total do corredor ainda é tratada como uma meta de longo prazo. Santoro mencionou a previsão de entrega do trecho até 2033 e, para o conjunto da malha, prazo entre 2037 e 2038.
Corredor ferroviário ainda depende de outras etapas para ganhar escala
Em janeiro, o Ministério dos Transportes concluiu o projeto final de concessão da Fico-Fiol, chamado de corredor ferroviário Leste-Oeste, e enviou a modelagem para a ANTT. Depois da análise do regulador, a proposta ainda terá de passar pelo TCU.
O desenho segue a estrutura levada à consulta pública no ano passado, mas sem incluir o trecho da Fiol 1. Já a Fiol 2, entre Caetité e Barreiras (BA), soma quase 500 quilômetros e está em construção pelo governo federal.
Depois disso, o plano prevê a ativação da Fiol 3, até Mara Rosa (GO), com quase 900 quilômetros. A partir dali, entra a Fico 1, com 364 quilômetros até Água Boa (MT), e depois a Fico 2, até Lucas do Rio Verde (MT), que deve ficar como investimento não obrigatório da futura concessão.
Governo tenta destravar uma malha que pode alcançar cinco portos
Na fala desta terça-feira, Santoro também ressaltou que a ferrovia totalmente operacional poderá levar cargas a pelo menos cinco portos já existentes: Itaqui (MA), Aratu (BA), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP), além do porto projetado para Ilhéus.
É justamente essa amplitude que faz o governo tratar o corredor como uma peça estratégica. Se a estrutura sair do papel, ela tende a ampliar a ligação entre áreas produtoras e terminais portuários, além de reduzir gargalos de escoamento em diferentes regiões do país.
Enquanto isso, o Ministério dos Transportes ainda trabalha para encaixar as próximas etapas do projeto no calendário de concessões. Também nesta semana, o governo deve anunciar uma nova linha de financiamento do BNDES voltada ao setor ferroviário, em movimento que pode atrair novos investidores para obras de longo prazo.
O avanço da Fiol 1 virou uma espécie de teste para o futuro do corredor ferroviário Leste-Oeste. Se a negociação com a Mota-Engil sair do papel, o governo ganha uma chance concreta de recolocar o projeto em marcha; se travar, a ferrovia segue cercada pelas mesmas dúvidas que vêm atrasando sua consolidação.
Se você acompanha infraestrutura, ferrovia e investimentos no país, vale seguir de perto essa negociação — e contar o que achou da possível mudança nos comentários.
