Condomínio de alto padrão em Campo Grande passa por estudos arqueológicos exigidos pelo Iphan devido à proximidade com sítio pré-colonial cadastrado
A construção de um condomínio de alto padrão em Campo Grande levou o Iphan a exigir estudos arqueológicos na área, por estar a cerca de 4,5 quilômetros do Sítio Arqueológico Ribeirão das Botas 2, o que pode afetar vestígios ligados à ocupação humana antiga.
Exigência do Iphan
O empreendimento será implantado na região do Terras Alpha, nas proximidades do Jardim Montevidéu, onde já existem os residenciais Alpha 3 e 4.
O alerta foi acionado pela proximidade com o Ribeirão das Botas 2, sítio pré-colonial a céu aberto.
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Classificado como sítio lítico, o local reúne registros associados ao uso da pedra por grupos humanos anteriores à chegada dos europeus.
Esse tipo de área pode concentrar ferramentas de pedra, cerâmicas e outros artefatos utilizados por povos indígenas.
Diante desse cenário, o Iphan abriu processo e determinou a realização de estudos arqueológicos no terreno.
A medida busca prevenir danos ao patrimônio histórico-cultural e ampliar o conhecimento sobre a ocupação antiga e histórica da região.
Potencial arqueológico
Segundo João Henrique dos Santos, superintendente do órgão em Mato Grosso do Sul, a localização do empreendimento sugere potencial arqueológico.
A justificativa considera a proximidade com outros sítios já cadastrados, ligados a grupos pré-coloniais e ao período histórico de formação do município.
O novo residencial, vizinho ao Alphaville, terá 626 lotes, sendo 617 destinados ao uso residencial. A previsão é de ocupação total em 20 anos.
O projeto será implantado em área da antiga Fazenda Botas, na saída para Cuiabá, perto da BR-163.
Como será o estudo
O projeto do Iphan foi enquadrado no nível III, classificação que indica média a alta interferência no solo.
Por isso, a arqueologia preventiva na área prevê prospecções de superfície e subsuperfície para verificar a existência de vestígios.
Estão programados caminhamentos a cada 50 metros e a execução de 96 poços-teste. As escavações poderão chegar a um metro de profundidade, conforme o plano elaborado para avaliar o impacto do empreendimento sobre o patrimônio local.
Além da etapa técnica, o estudo prevê ações de educação patrimonial para a comunidade do entorno e para o público escolar.
O objetivo é conscientizar sobre a preservação cultural e ampliar o entendimento sobre a importãncia desses bens.
Liberação e responsabilidade
A liberação definitiva do empreendimento depende da aprovação dos relatórios arqueológicos.
Os resultados poderão permitir a continuidade das obras ou apontar a necessidade de novas pesquisas, caso sejam encontrados vestígios considerados relevantes.
Mato Grosso do Sul possui mais de 800 sítios arqueológicos cadastrados.
O Iphan informa que o processo de análise pode levar de quatro a seis meses, dependendo da complexidade do projeto e dos resultados obtidos em campo, em trabalhos feitos no local.
No documento processual, a Alphaville Urbanismo afirma estar ciente do processo. A empresa também se responsabiliza pelo estudo de impacto aos bens imateriais e se compromete a susspender obras ou atividades nas áreas onde houver identificação de bem cultural imaterial.
Com informações de Campo Grande News.
