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Novas ordens de Trump fecham a torneira do petróleo e podem deixar Cuba sem energia: a vida dos cubanos está sendo afetada todos os dias, mas tensão entre EUA e Venezuela podem esconder a dura realidade

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 23/01/2026 às 12:38
Assista o vídeoAtaques de Trump à Venezuela interrompem o fluxo de petróleo e agravam a crise energética em Cuba, elevando custos, apagões e tensões geopolíticas no Caribe.
Ataques de Trump à Venezuela interrompem o fluxo de petróleo e agravam a crise energética em Cuba, elevando custos, apagões e tensões geopolíticas no Caribe.
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Ataques de Trump à Venezuela interrompem o fluxo de petróleo e agravam a crise energética em Cuba, elevando custos, apagões e tensões geopolíticas no Caribe.

A frase “nem uma gota de petróleo” voltou a ecoar nos corredores do poder em Washington. Ao endurecer a ofensiva contra a Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recolocou Cuba no centro de uma disputa que ultrapassa fronteiras e afeta diretamente o cotidiano de milhões de pessoas. 

Além disso, o impacto do bloqueio ao petróleo venezuelano não se limita ao plano diplomático. Pelo contrário, ele agrava a crise energética da ilha, amplia os apagões e expõe a fragilidade de um sistema que ainda depende do combustível fóssil para funcionar.

Embora a retórica seja antiga, o contexto é novo. A economia cubana já enfrentava dificuldades profundas. 

No entanto, a interrupção de um dos principais fluxos de petróleo da região tornou o cenário ainda mais delicado. Assim, a energia, que deveria ser motor de desenvolvimento, tornou-se instrumento de pressão política.

A aliança Caracas-Havana e o papel do petróleo

Desde o início dos anos 2000, a relação entre Venezuela e Cuba foi determinante para a estabilidade da ilha. 

O acordo firmado por Hugo Chávez e Fidel Castro previa o envio de petróleo venezuelano em troca de serviços profissionais, especialmente nas áreas de saúde e educação. Dessa forma, criou-se um convênio de caráter não mercantil, que garantiu combustível em momentos críticos.

Ao longo do tempo, esse pacto ajudou Cuba a atravessar períodos de escassez e a se reerguer após o chamado “período especial”. 

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Entretanto, com a intensificação das sanções e dos ataques contra Caracas, essa engrenagem começou a falhar. Consequentemente, o petróleo, que antes fluía com regularidade, passou a ser alvo de ameaças diretas.

“Nem uma gota a mais”: a escalada das tensões

Nas últimas semanas, Trump reafirmou que não permitiria que o petróleo venezuelano chegasse à ilha. A declaração foi interpretada como mais um passo na estratégia de “máxima pressão”. 

Em outro momento, o presidente chegou a admitir que todas as medidas possíveis já haviam sido aplicadas, exceto uma invasão militar. “Não acho que se possa exercer muita mais pressão, a não ser entrar e destruir o lugar”, disse ele.

Essas palavras reforçam a dimensão do conflito. Não se trata apenas de sanções econômicas. Trata-se, sobretudo, de uma tentativa de asfixia energética. Como resultado, Cuba enfrenta um cenário de apagões constantes, redução da produção industrial e dificuldades no fornecimento de bens essenciais.

Atualmente, estima-se que Cuba consuma cerca de 120 mil barris de petróleo por dia para manter um funcionamento mínimo de sua economia. 

No entanto, apenas um terço desse volume é produzido internamente. O restante depende de importações. Entre os principais fornecedores estão Venezuela, México e Rússia.

Em 2025, estudos indicam que Caracas enviou entre 27 mil e 35 mil barris diários à ilha, o equivalente a aproximadamente 30% do consumo cubano. Portanto, qualquer interrupção nesse fluxo provoca um impacto imediato. 

Além disso, a falta de divisas torna quase impossível substituir rapidamente esse volume no mercado internacional.

Apagões, custos e bloqueio comercial

Os cortes de energia se tornaram parte da rotina. Residências, hospitais e indústrias sofrem com a instabilidade. Ao mesmo tempo, o bloqueio imposto pelos Estados Unidos encarece as importações. 

Empresas que negociam com Cuba e navios que transportam petróleo estão sujeitos a sanções. Por isso, o país chega a pagar até três vezes mais que o preço internacional pelo combustível.

Esse aumento de custos aprofunda a crise. A eletricidade, essencial para a produção e para a vida cotidiana, torna-se cada vez mais escassa.

Assim, o petróleo deixa de ser apenas um recurso energético e passa a ser um elemento central na disputa geopolítica.

Transição energética: esperança ainda distante

Nos últimos anos, Cuba iniciou um processo de transição energética com a instalação de parques fotovoltaicos. 

A ideia é reduzir a dependência do petróleo e diversificar a matriz. Contudo, cerca de 90% da eletricidade ainda vem de derivados fósseis. Ou seja, a mudança é lenta, cara e insuficiente para compensar a perda do fornecimento venezuelano.

Portanto, enquanto a energia renovável cresce, o petróleo continua sendo vital. E, nesse contexto, as ameaças de Trump funcionam como um gatilho para uma crise ainda mais profunda.

Você acredita que usar o petróleo como arma política pode mudar o equilíbrio de poder na região ou apenas piorar a vida de quem já sofre com a crise?

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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