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Nova tecnologia indiana cria tijolos com areia de fundição jogada no lixo, produz 5.000 unidades por dia e promete revolucionar obras, cortar aterros e poupar recursos naturais na construção civil

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Escrito por Carla Teles Publicado em 26/02/2026 às 21:43 Atualizado em 26/02/2026 às 23:08
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Tijolos com areia de fundição entram na construção civil, reaproveitam areia de fundição, poupam recursos naturais e fortalecem a economia circular.
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Eco inovação usa resíduos de fundições para produzir tijolos com areia de fundição, chega a 5.000 unidades por dia e reduz pressão sobre recursos naturais na construção civil

A ideia de fazer tijolos com areia de fundição parece, à primeira vista, um experimento de laboratório distante da rotina dos canteiros de obras. Mas um novo processo desenvolvido pelo instituto indiano CSIR-NIIST está tirando essa solução do papel e levando para a escala industrial, com potencial de mudar a forma como tijolos, pisos e elementos de pavimentação são fabricados.

Em parceria com uma empresa privada, o instituto colocou em marcha uma unidade capaz de produzir até 5.000 tijolos com areia de fundição por dia usando, como matéria-prima principal, um resíduo que antes era enviado para aterros. O que antes era custo ambiental para as fundições passa a ser insumo para a construção civil, alinhando economia, engenharia de materiais e redução de impactos.

O que são tijolos com areia de fundição e por que eles importam

A base da tecnologia está em aproveitar a areia usada na moldagem de peças metálicas, conhecida como areia de fundição.

Esse material sai dos processos de fundição exposto a altas temperaturas e a reações químicas com o metal derretido, o que o torna inadequado para novos moldes. Tradicionalmente, a solução tem sido descartar esse resíduo em aterros.

Com a nova tecnologia, essa areia deixa de ser problema e passa a fazer parte da formulação dos tijolos com areia de fundição, que também podem dar origem a pisos, blocos intertravados e outros elementos construtivos. O resultado é um portfólio de produtos estruturais que não consomem argila, areia natural ou brita, aliviando a pressão sobre jazidas e rios.

Como o laboratório transformou resíduo em produto de construção

Para chegar ao processo atual, os pesquisadores estudaram detalhadamente a reatividade da areia de fundição em combinação com cimento, cal, gesso e ligantes modificados por polímeros. O objetivo era encontrar uma formulação que garantisse boa trabalhabilidade na fábrica e alto desempenho depois da cura.

O passo seguinte foi levar essa receita para a escala industrial. O CSIR-NIIST prestou suporte técnico na escolha de máquinas, na definição do layout e no desenho da planta, garantindo que os tijolos com areia de fundição fossem fabricados com controle de compactação, cura e qualidade de mistura.

O processo foi pensado desde o início para ficar alinhado a normas técnicas de resistência e durabilidade, o que é decisivo para que o produto seja aceito em obras reais.

Produção em escala: 5.000 tijolos por dia e 30 toneladas de resíduo aproveitadas

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Na prática, a unidade instalada opera com cerca de 30 toneladas por dia de areia de fundição proveniente de fundições de ligas metálicas. Em vez de seguir para aterros, esse volume entra na linha de produção como matéria-prima principal dos tijolos.

A capacidade de produção de 5.000 unidades diárias mostra que não se trata apenas de um protótipo experimental.

É uma escala que já conversa com canteiros de habitação popular, pavimentação urbana e projetos públicos, abrindo caminho para que os tijolos com areia de fundição substituam parte dos blocos tradicionais em programas de infraestrutura.

Menos argila, menos areia natural, mais desempenho estrutural

Um dos pontos mais relevantes da tecnologia é que os produtos finais praticamente não dependem de recursos naturais como argila, areia industrial (M-sand) ou cascalho. A resistência é obtida pela combinação de cimento com compactação controlada, em um processo de moldagem por compressão.

Ensaios conduzidos pelo instituto mostram que os tijolos atingem patamares de resistência compatíveis com exigências normativas, o que os qualifica para uso estrutural e em alvenarias de vedação.

Além disso, o processo permite desenvolver peças em diferentes cores e formatos, com acabamento voltado tanto para fachadas quanto para interiores, o que amplia o apelo arquitetônico.

Impacto ambiental: do aterro à economia circular

A areia de fundição é um resíduo gerado continuamente pelas indústrias de fundição de metais. Cada tonelada descartada representa área ocupada em aterros, riscos de contaminação e custo logístico. Ao transformá-la em tijolos com areia de fundição, o projeto atua em duas frentes ao mesmo tempo:

De um lado, reduz a carga de resíduos enviada a aterros e diminui o passivo ambiental das fundições. De outro, substitui parte das jazidas de argila e da extração de agregados naturais que abastecem a construção civil. Isso se alinha ao conceito de economia circular, em que resíduos de um setor tornam-se insumo de outro.

O próprio instituto destaca que a tecnologia foi desenvolvida dentro de um programa voltado a transformar resíduos industriais em produtos de valor agregado, com foco específico em preservar recursos naturais usados em larga escala pelo setor de construção.

Habitação e obras públicas: onde os tijolos com areia de fundição podem entrar

Como se trata de um material com boa resistência mecânica e produzido em formatos padronizados, os tijolos com areia de fundição têm potencial de aplicação em vários tipos de projeto: habitação de interesse social, muros de arrimo, pavimentação de calçadas, praças e áreas públicas.

A expectativa dos desenvolvedores é que a planta ajude a abastecer obras apoiadas pelos governos estadual e central na Índia, reduzindo custos de matéria-prima, otimizando a logística e oferecendo um produto com pegada ambiental menor que a de tijolos convencionais.

A combinação de escala, padronização e uso de resíduo industrial torna o modelo especialmente atrativo para programas públicos.

Pesquisa, indústria e política pública caminhando juntas

Por trás da solução, há uma estratégia clara de aproximar pesquisa aplicada, indústria e políticas de gestão de resíduos.

O instituto posiciona essa tecnologia como parte de um eixo dedicado a resíduos sólidos industriais, sob o guarda-chuva de iniciativas de “waste to wealth”.

A mensagem central é que cada tonelada de areia de fundição reaproveitada como tijolo representa menos custo ambiental e mais valor econômico gerado.

Ao criar um produto competitivo, o projeto também convida fundições, construtoras e governos a adotarem critérios de compras e licitações que privilegiem materiais com maior conteúdo reciclado.

Para fechar, uma pergunta rápida para você: se tivesse a opção na sua cidade, você escolheria construir usando tijolos com areia de fundição em vez de tijolos comuns, desde que o preço fosse igual ou menor?

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Luis Carlos Silva
Luis Carlos Silva
01/03/2026 04:52

Me chamo Luis. Nós anos 80 trabalhei na fundição Tupy , naqueda época já tinha sugerido o uso do resíduo de areia para fabricação de tijolo para construção de casa popular. Disseram que era bobagem. A história é longa.

Antonio
Antonio
27/02/2026 10:45

Escórias de fundição tem substâncias pesadas que envenenam lençóis freáticos…foi usada no meu bairro infelizmente na pavimentaçao asfáltico.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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