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Nova superfibra criada por pesquisadores do Imperial College para “substituir as canetas emagrecedoras”e aprovada pela União Europeia promete aumentar a saciedade e ajudar a evitar o ganho de peso

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Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 03/07/2026 às 17:21 Atualizado em 03/07/2026 às 17:42
Superfibra IPE misturada em alimentos de consumo diário.
O IPE poderá ser incorporado a vitaminas, cereais e pães.
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Aditivo alimentar desenvolvido por cientistas do Reino Unido utiliza ingredientes naturais para estimular hormônios do apetite, recebeu aprovação da União Europeia e poderá ser incorporado a alimentos do dia a dia para auxiliar na prevenção da obesidade.

A busca por alternativas seguras para prevenir o ganho de peso acaba de ganhar um importante reforço. Pesquisadores do Imperial College de Londres e da Universidade de Glasgow desenvolveram uma nova fibra alimentar chamada éster de propionato de inulina (IPE). O composto recebeu aprovação da União Europeia e poderá, no futuro, integrar alimentos de consumo diário para ajudar no controle do apetite e na prevenção da obesidade.

A informação foi divulgada pela Comissão Europeia, após a publicação de estudos científicos conduzidos pelo Imperial College de Londres e pela Universidade de Glasgow. Segundo os pesquisadores, o novo ingrediente atua diretamente na liberação de hormônios responsáveis pela sensação de saciedade, reduzindo o consumo excessivo de calorias ao longo do dia.

Diferentemente dos medicamentos utilizados para emagrecimento, o objetivo do IPE não consiste em promover perda rápida de peso. Em vez disso, a tecnologia procura impedir o ganho gradual de peso que costuma ocorrer ao longo dos anos e que, muitas vezes, favorece o desenvolvimento da obesidade.

Como funciona a superfibra aprovada pela União Europeia

Pesquisadores desenvolvem superfibra alimentar em laboratório do Imperial College.
Cientistas criaram o IPE para estimular hormônios ligados à saciedade.

Os cientistas produziram o IPE combinando dois componentes naturais. O primeiro é a inulina, uma fibra presente naturalmente em alimentos como chicória e cebolas. O segundo componente é o propionato, um ácido graxo de cadeia curta produzido naturalmente pelo organismo.

Quando a pessoa consome o suplemento, o IPE leva o propionato diretamente até receptores específicos do intestino. Como consequência, o organismo aumenta a liberação de hormônios responsáveis pela regulação do apetite.

Segundo Douglas Morrison, professor da Universidade de Glasgow e um dos criadores da tecnologia, essa estratégia permite estimular os hormônios exatamente no local onde eles exercem maior efeito biológico.

Além disso, Morrison destacou que medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, apresentam excelentes resultados para perda de peso. Entretanto, o IPE poderá atuar de maneira preventiva, reduzindo o ganho de peso lento e contínuo que frequentemente leva pacientes a necessitarem desses tratamentos.

Os pesquisadores iniciaram o desenvolvimento do IPE no laboratório de Morrison. Posteriormente, a equipe iniciou uma colaboração científica de 15 anos com o professor Gary Frost, especialista em Nutrição e Dietética do Departamento de Metabolismo, Digestão e Reprodução do Imperial College de Londres.

Durante esse período, os cientistas realizaram diversos estudos clínicos para avaliar tanto a segurança quanto a eficácia do suplemento.

Estudos apontam benefícios além do controle do apetite

Os resultados obtidos até o momento mostram que os efeitos do IPE podem ir além da redução da ingestão calórica.

Algumas pesquisas indicaram que o suplemento também contribui para preservar a massa muscular, melhorar os níveis de gordura acumulada no fígado e favorecer a saúde metabólica. Além disso, os pesquisadores observaram possíveis benefícios para o sistema imunológico.

Outro dado importante envolve a quantidade necessária para produzir efeitos. Os estudos clínicos mostraram que aproximadamente 10 gramas por dia já conseguem influenciar os mecanismos responsáveis pela regulação do apetite.

Como o IPE apresenta a forma de um pó branco, os fabricantes poderão adicioná-lo facilmente a diferentes alimentos. Entre eles estão vitaminas, cereais, pães e outros produtos consumidos diariamente. Da mesma forma, o consumidor poderá utilizar o ingrediente como suplemento alimentar isolado.

Aprovação abre caminho para produção em larga escala

No fim de 2025, a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) emitiu o primeiro parecer favorável ao novo ingrediente após analisar dados toxicológicos, nutricionais e microbiológicos.

Agora, a Comissão Europeia concedeu a autorização definitiva e incluiu oficialmente o IPE na Lista da União Europeia de Novos Alimentos Autorizados.

Apesar da aprovação regulatória, o produto ainda não chegará imediatamente ao mercado. Antes disso, será necessário ampliar a capacidade de fabricação.

Para acelerar essa etapa, os pesquisadores criaram a empresa Satisfed. O objetivo consiste em encontrar parceiros industriais capazes de produzir o ingrediente em escala comercial.

Segundo Douglas Morrison, um pequeno excesso de calorias consumido diariamente pode provocar consequências importantes ao longo dos anos. O pesquisador explica que até mesmo um ganho médio de 1 kg por ano em adultos jovens pode favorecer problemas significativos de peso durante a meia-idade.

Além disso, ele lembra que o aumento do consumo de fibras já demonstra benefícios para o controle do peso corporal. Entretanto, a maioria das pessoas ainda consome quantidades muito inferiores às recomendações nutricionais.

Por isso, os pesquisadores acreditam que a incorporação do IPE em alimentos convencionais poderá facilitar o acesso da população a uma estratégia simples, eficaz e relativamente barata para aumentar a saciedade e ajudar no combate à crescente epidemia mundial de obesidade.

Se essa superfibra fosse disponibilizada no Brasil e tivesse comprovação de segurança e eficácia, você incluiria esse ingrediente na sua alimentação diária? Conte sua opinião nos comentários.

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