Irlanda ganha força entre brasileiros que buscam estudo, trabalho legal e carreira internacional, em meio à presença de multinacionais, regras específicas para estudantes estrangeiros e uma comunidade brasileira que já aparece entre as maiores da Europa, segundo dados oficiais e estimativas diplomáticas.
Com regras migratórias consideradas acessíveis para estudantes, presença forte de multinacionais e salário mínimo nacional de € 14,15 por hora para trabalhadores adultos desde 1º de janeiro de 2026, a Irlanda se consolidou como uma das principais rotas de brasileiros que buscam estudar, trabalhar legalmente e construir uma trajetória profissional na Europa.
Nos dados oficiais e nas estimativas diplomáticas, o avanço aparece de forma consistente: o Escritório Central de Estatísticas da Irlanda registrou 125,3 mil imigrantes no período de 12 meses encerrado em abril de 2025, quarto ciclo seguido acima de 100 mil chegadas ao país.
Entre os brasileiros, o crescimento também é expressivo, já que o censo irlandês registrava 13.640 residentes em 2016, enquanto o levantamento de 2022 apontou 39.556 pessoas nascidas no Brasil vivendo no país.
-
O rio que “morre” no deserto, nunca chega ao mar e ainda assim dá vida a um dos maiores refúgios naturais da África de forma verdadeiramente impressioante
-
Um pedestre que passou por obras em uma rodovia na Suíça notou pedras dispostas de forma estranha no solo, e o que parecia entulho de construção era na verdade a fundação de um edifício romano soterrado a centímetros do asfalto, que ninguém havia conseguido localizar desde que foi parcialmente escavado pela primeira vez em 1860
-
Um homem sem-teto virou o único “morador” da mansão mais cara de Londres, uma casa de £210 milhões com 45 cômodos que permanece vazia enquanto ele vive na entrada
-
O que acontece quando a borra de café vai parar no vaso sanitário e por que tanta gente está usando esse resíduo contra o mau cheiro
Em julho de 2025, o Itamaraty informou que cerca de 80 mil brasileiros moravam na Irlanda, contingente que colocou o país como a sétima maior comunidade brasileira na Europa, segundo a estimativa diplomática.
A mudança de perfil ajuda a explicar por que a Irlanda deixou de ser vista apenas como destino de intercâmbio e passou a atrair estudantes de inglês, profissionais de tecnologia, trabalhadores de serviços, famílias, empreendedores e brasileiros que procuram uma entrada regular no mercado europeu.
Há seis anos, Leandro Molina, hoje com 34 anos, saiu de São Paulo para Dublin depois de receber uma proposta de trabalho em tecnologia em uma big tech, movimento que abriu para ele uma oportunidade concreta de morar fora do Brasil com contrato profissional e perspectiva de carreira internacional.
“Eu vim com uma proposta, mas a maior parte dos brasileiros que vem para cá acaba vindo por facilidade de visto, porque é tudo muito tranquilo para fazer um curso de inglês e acabar conseguindo um emprego, permanecendo no país”, afirma Molina.
Em outro percurso, a jornalista Caroline Sassatelli, de 36 anos, chegou à Irlanda em 2022 para estudar inglês, voltou ao Brasil e decidiu retornar com o marido para uma nova temporada, agora em Galway, cidade no oeste do país.
“Aqui é tudo muito seguro e, mesmo em trabalhos fora da nossa área, temos um bom poder de compra, porque, entre os países da Europa, o salário-mínimo daqui é um dos melhores”, diz Caroline.
Para quem sai do Brasil, o clima aparece como uma das principais adaptações, e Caroline afirma que a chuva frequente pesa na rotina, embora veja compensações na segurança pública e nas paisagens naturais do país.
Estudo e trabalho legal ampliam interesse pela Irlanda
Entre os fatores que explicam a popularidade da Irlanda entre brasileiros está a permissão de trabalho concedida a estudantes estrangeiros enquadrados no Stamp 2, autorização que permite conciliar curso e emprego dentro de limites definidos pelas regras locais.
Essa autorização permite trabalhar até 20 horas por semana durante o período letivo e até 40 horas semanais nos meses de junho a setembro e entre 15 de dezembro e 15 de janeiro.
Na prática, o modelo permite que estudantes de inglês tenham contato com o mercado local enquanto fazem o curso, o que torna a experiência uma etapa inicial para quem tenta uma permanência mais longa por meio de emprego qualificado, nova formação ou planejamento familiar.
Leonardo Leão, CEO e fundador da Leao Group, consultoria jurídica internacional que orienta brasileiros em processos de migração, afirma que a Irlanda reuniu fatores que pesam na decisão de quem pretende sair do país.
“A Irlanda conseguiu unir fatores que hoje são extremamente relevantes para o brasileiro, como a possibilidade de estudar e trabalhar legalmente. Além disso, tem um mercado aquecido, possui um idioma globalmente valorizado e acesso facilitado ao restante da Europa”, afirma.
Na avaliação do consultor, o projeto migratório ficou mais planejado, pois a ida para outro país deixou de ser apenas uma tentativa de mudança de vida e passou a envolver carreira, mobilidade internacional e decisões familiares de médio prazo.
Multinacionais impulsionam vagas para estrangeiros
Com a presença de empresas globais, Dublin e outras cidades irlandesas ganharam relevância no mapa internacional de negócios, especialmente em setores ligados a tecnologia, ciências da vida, serviços financeiros e manufatura avançada.
O governo irlandês informa que mais de 1.800 multinacionais operam no país, em áreas que incluem nomes como Google, Meta e Pfizer, o que ajuda a sustentar a demanda por profissionais estrangeiros em diferentes níveis de qualificação.
Na capital, essas companhias mantêm estruturas estratégicas: o Google tem em Dublin sua sede europeia, enquanto a Meta inaugurou em 2023 um campus em Ballsbridge, apontado pela própria empresa como sede internacional, com mais de 2 mil empregados em tempo integral.
Esse ambiente fortalece a busca por profissionais estrangeiros, especialmente em tecnologia, engenharia, saúde, marketing e finanças, ainda que a demanda não se limite a cargos altamente especializados.
Setores como hospitalidade, logística e construção civil também absorvem imigrantes e mantêm procura constante por mão de obra, segundo Leonardo Leão.
“Existe também uma demanda constante em hospitalidade, logística e construção civil”, afirma Leonardo Leão.
Ao combinar vagas qualificadas, trabalho em serviços e possibilidade de estudar inglês, a Irlanda passou a atrair perfis variados de brasileiros, de jovens em início de carreira a profissionais experientes e famílias em busca de reposicionamento profissional e internacionalização.
Irlanda avança fora do eixo tradicional dos Estados Unidos
Em meio a regras migratórias mais rigorosas em países tradicionalmente buscados por brasileiros, especialmente os Estados Unidos, aumentou a procura por destinos alternativos que ofereçam idioma valorizado, mercado de trabalho ativo e caminhos legais de permanência.
Para Leão, esse cenário contribui para o redirecionamento, mas não explica sozinho a ascensão irlandesa.
“Sem dúvida houve aumento de interesse por alternativas internacionais fora do eixo tradicional americano”, afirma o consultor.
Segundo ele, a Irlanda se destaca porque combina oportunidade econômica real, língua inglesa, acesso à União Europeia e caminhos legais de permanência, conjunto que tornou o país mais competitivo diante de brasileiros antes concentrados em América do Norte, Portugal ou Reino Unido.
Apesar do avanço, a mudança exige cautela, já que a Irlanda enfrenta custo de moradia elevado, disputa por acomodações em grandes centros e pressão sobre serviços públicos, pontos que tornam o planejamento indispensável antes da viagem.
Custo para mudar exige reserva financeira
Mesmo com regras consideradas mais acessíveis, a mudança exige reserva financeira e avaliação prévia dos custos de curso, seguro, comprovação financeira e instalação nos primeiros meses, especialmente para quem chega por intercâmbio com permissão de trabalho.
Segundo Leonardo Leão, um projeto desse tipo costuma demandar investimento inicial entre € 8 mil e € 15 mil, embora processos profissionais ou familiares possam custar mais conforme o tipo de visto, o tamanho da família, a cidade escolhida e o tempo necessário para estabilização no país.
Quando exigida, a comprovação financeira segue como uma etapa relevante em determinadas categorias migratórias, ao lado do cumprimento dos requisitos formais definidos pelas autoridades irlandesas.
“O sucesso hoje depende menos da sorte e mais de estratégia e cumprimento rigoroso dos requisitos”, afirma Leão.
A experiência de brasileiros como Molina e Caroline mostra duas portas de entrada que se tornaram comuns: a contratação direta por empresas internacionais e o intercâmbio com autorização de trabalho.
Nos dois caminhos, a permanência depende de regularidade migratória, adaptação ao mercado local e capacidade de sustentar o projeto fora do Brasil, fatores que precisam ser considerados antes da decisão de mudança.
Cada vez menos associada a uma decisão improvisada, a Irlanda aparece como destino de mobilidade planejada para brasileiros que buscam estudo, trabalho, inglês e conexão com a Europa, embora o projeto também exija cálculo financeiro, atenção às regras de visto e disposição para enfrentar custos altos em moradia e adaptação cultural.

-
1 pessoa reagiu a isso.