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Nordeste perde espaço nas energias renováveis; disputas políticas e lobby desviam foco da transição energética nacional

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 25/11/2025 às 17:33 Atualizado em 25/11/2025 às 17:34
Em meio a debates sobre energias renováveis, Jean Paul Prates critica o enfraquecimento da pauta e alerta para lobby que afasta investimentos em eólica, solar e hidrogênio verde no Nordeste.
Em meio a debates sobre energias renováveis, Jean Paul Prates critica o enfraquecimento da pauta e alerta para lobby que afasta investimentos em eólica, solar e hidrogênio verde no Nordeste.
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Em meio a debates sobre energias renováveis, Jean Paul Prates critica o enfraquecimento da pauta e alerta para lobby que afasta investimentos em eólica, solar e hidrogênio verde no Nordeste.

O debate sobre energias renováveis voltou ao centro das atenções após críticas contundentes de Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras e especialista em planejamento energético

Ele acusa setores influentes de atuar contra o avanço da energia solar, eólica e do hidrogênio verde, especialmente no Nordeste, região apontada como estratégica para o desenvolvimento de novas indústrias intensivas em eletricidade. 

As declarações surgem num contexto em que o Brasil parece redirecionar sua política energética, priorizando biocombustíveis enquanto, segundo Prates, temas essenciais da transição climática perdem espaço no governo federal.

As críticas ao sumiço das energias renováveis da pauta nacional

O ponto central das críticas de Prates é o afastamento das energias renováveis — especialmente eólica, solar e hidrogênio verde — das discussões governamentais. Segundo o ex-presidente da Petrobras, houve um esvaziamento proposital desses temas na preparação para a COP 30.

Ele argumenta que, apesar da insistência de embaixadores e representantes brasileiros, a agenda climática deixou de incluir assuntos essenciais. “Foi nesse momento que, na COP 30, o mundo percebeu que eles não estavam falando de eletromobilidade, isto é, de solar, eólica offshore, hidrogênio verde, nada disso estava ali, só o biocombustível”, afirmou.

De acordo com Prates, a justificativa de que haveria pressão de países produtores de petróleo não faz sentido histórico. Em sua visão, mesmo diante de interesses petrolíferos, a pauta das renováveis sempre avançou. Nesta edição, porém, o recuo se destacou.

Nordeste como vanguarda — e alvo de resistência

Prates reforça que estados como Ceará e Rio Grande do Norte possuem as melhores condições do país para liderar a instalação de indústrias limpas e de grande consumo energético. Ele ressalta que “o pessoal fez corpo mole, literalmente, em relação à verdadeira transformação energética que nós podemos fazer”.

Para o especialista, o Nordeste Setentrional está pronto para liderar projetos de energias renováveis no continente e no mar, incluindo eólicas offshore e parques solares de alta capacidade. No entanto, afirma que existe um movimento que tenta impedir esse avanço.

“Em vez de pelo menos deixar que nós joguemos o nosso jogo, os caras não só querem ganhar de todo o mundo, querem tomar o mercado, querem manter a sua reserva de mercado com subsídios pesados”, destacou.

Segundo ele, esse bloqueio beneficia setores que desejam manter o foco no biocombustível e nas formas convencionais de geração energética, mesmo que menos eficientes para grandes operações, como Data Centers e plantas industriais modernas.

Biocombustível: importante, mas não o futuro, diz Prates

Embora reconheça a relevância do setor, Prates é direto ao afirmar que o biocombustível não deve ser tratado como a solução energética do futuro. Ele observa que, internacionalmente, a produção de combustíveis agrícolas enfrenta limites ambientais e dificuldades de escala.

“É louvável falar de biocombustível, pois o Brasil tem muito a agregar neste particular, mas não se trata do combustível do futuro”, afirmou. E reforçou que grandes economias já optaram por pular essa fase, indo diretamente para fontes limpas como o hidrogênio verde.

O especialista lembra ainda que países com terras escassas, como os europeus, priorizam áreas férteis para agricultura, e não para combustíveis. Apenas Brasil, EUA e Índia mantêm produção intensa, mas, segundo ele, esse modelo deve se revelar insustentável no longo prazo.

Influência digital, críticas às renováveis e guerra de narrativas

Prates também mencionou a existência de campanhas financiadas que buscam desacreditar eólicas, plantas de hidrogênio verde e até Data Centers movidos por energia limpa. Para ele, as críticas são infundadas e fazem parte de uma “guerra de narrativas”.

“É por isto que você vê tanta postagem de influenciadores altamente financiados”, afirmou. Ele cita críticas sobre impacto nas comunidades, pesca e consumo de água como exemplos de discursos distorcidos.

Enquanto isso, pouco se fala — segundo o ex-presidente — sobre problemas associados à cadeia de biocombustíveis, como desmatamento, grilagem e casos de trabalho análogo à escravidão.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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