Município cearense lidera indicador nacional de empregos criativos, supera capitais e chama atenção de especialistas por concentração inédita de trabalhadores formais no setor, segundo levantamento do CLP que avaliou centenas de cidades brasileiras de médio e grande porte.
Eusébio, município da Região Metropolitana de Fortaleza, aparece no topo de um recorte nacional sobre economia criativa ao liderar o indicador de geração de empregos formais no setor no Ranking de Competitividade dos Municípios, do Centro de Liderança Pública (CLP).
A cidade alcançou nota 100 e ficou à frente de outras 418 cidades brasileiras com mais de 80 mil habitantes avaliadas pelo levantamento, que considera a participação de trabalhadores com carteira assinada em atividades ligadas à economia criativa.
O desempenho chama atenção também pelo peso do setor criativo no mercado local.
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Segundo os dados divulgados, 13,42% da força de trabalho formal de Eusébio está empregada em empresas classificadas como economia criativa.
O percentual supera o observado em grandes centros urbanos e fica bem acima da mediana registrada no Ceará no mesmo indicador, de acordo com reportagens que repercutiram o resultado.
Ranking de competitividade e economia criativa
O Ranking de Competitividade dos Municípios reúne indicadores para comparar capacidade de gestão e ambiente de desenvolvimento em cidades brasileiras.
No recorte que colocou Eusébio na primeira posição, a análise considerou trabalhadores formais empregados em estabelecimentos vinculados à economia criativa.
Os dados têm como base o estoque de vínculos registrados em dezembro, conforme descrito nas matérias sobre a divulgação.
Embora a expressão “economia criativa” seja frequentemente associada a cultura e entretenimento, o conceito usado em estudos e políticas públicas costuma abranger atividades em que talento, conhecimento e inovação são os principais insumos.
Nesse conjunto, entram segmentos como publicidade e marketing, tecnologia, audiovisual, design, jogos digitais e áreas correlatas que combinam criação e serviços intensivos em capital intelectual.
Fortaleza no top 10 e desempenho do Ceará
Além de Eusébio, a capital cearense também aparece entre as dez primeiras colocadas no indicador.
Fortaleza ficou em 10º lugar, com nota 44,34, segundo as publicações que detalharam a lista.
O recorte sobre participação de trabalhadores formais no setor aponta diferenças importantes dentro do próprio estado.
Enquanto Eusébio tem 13,42% dos vínculos formais concentrados na economia criativa, Fortaleza registra 5,96%.
O número, apesar de menor, ainda se destaca no cenário nacional quando comparado a outras capitais citadas nessas reportagens.
No entanto, o avanço não se distribui de forma uniforme.
O material que repercutiu o ranking menciona que a mediana dos municípios cearenses nesse indicador é de 0,94%.
O percentual fica abaixo da mediana nacional, que é de 1,05%.
O dado reforça a concentração do dinamismo criativo em poucas cidades do estado.
Políticas públicas e o caso de Eusébio
Entre as explicações apresentadas para o resultado, o CLP atribui o desempenho a políticas voltadas à economia criativa e a um ambiente local que conseguiu atrair e reter atividades do setor.
Em reportagem do Diário do Nordeste, Pedro Trippi, coordenador de Inteligência Técnica do CLP, aponta o município como referência para outras cidades que tentam estruturar ações públicas voltadas a esse tipo de atividade econômica.
Na prática, o indicador funciona como um termômetro do quanto a economia criativa já está incorporada ao mercado de trabalho formal de cada cidade.
O caso de Eusébio ganha peso adicional por ser um município de porte médio no contexto nacional.
Ainda assim, conseguiu superar capitais e polos historicamente reconhecidos por produção cultural, serviços e inovação.
Economia criativa no Brasil e no Ceará
O resultado local ocorre em um momento em que a economia criativa aparece como parcela relevante da economia brasileira.
A Firjan informa, no Mapeamento da Indústria Criativa 2025, que a indústria criativa representou 3,59% do PIB do país.
O setor movimentou R$ 393,3 bilhões em 2023.
O mesmo conjunto de dados também é citado pela Agência Brasil, que reportou a estimativa e apontou o volume de empregos formais do segmento no país.
No Ceará, análises baseadas no mapeamento da Firjan indicam um ambiente com potencial para ampliar esse tipo de atividade.
O cenário combina formação profissional, cadeias de serviços e conexões logísticas.
Conteúdo do Sebrae Ceará, ao tratar do tema, cita que o PIB dos empreendimentos criativos cearenses somou R$ 9,1 bilhões em 2023.
O estado aparece entre os maiores do país nesse recorte.
Ainda assim, os próprios números destacados nas reportagens sobre o ranking sugerem um desafio central.
O desafio é transformar casos de alto desempenho em um movimento mais capilarizado.
A ampliação passa por maior participação de municípios fora das áreas metropolitanas.
Também envolve reduzir a dependência de poucos polos com forte concentração de empresas e empregos criativos.
Com Eusébio no topo e Fortaleza entre os dez primeiros, a questão que permanece é como outras cidades do Ceará e do Nordeste vão conseguir converter esse impulso em empregos criativos mais distribuídos e duradouros nos próximos anos.

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