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No meio da fazenda, pastor encontra fóssil de dinossauro de 20 metros na Patagônia e descoberta intriga cientistas por reunir traços que não se encaixam com clareza em um único grupo conhecido

Publicado em 20/04/2026 às 09:44
Atualizado em 20/04/2026 às 09:46
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© Crédito: SNSB/Pablo Puerta
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Descoberta do Bicharracosaurus na Patagônia argentina revela um saurópode de 155 milhões de anos com traços raros que ajudam cientistas a entender a evolução dos gigantes herbívoros no Hemisfério Sul

Com cerca de 155 milhões de anos, o Bicharracosaurus achado em Chubut, na Argentina, reúne traços de famílias de saurópodes e ajuda cientistas a explicar como herbívoros gigantes evoluíram no Hemisfério Sul.

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Fóssil de 155 milhões de anos amplia o quadro dos saurópodes

Um dinossauro de pescoço comprido recém-descoberto no sul da Argentina está ajudando cientistas a entender como herbívoros evoluíram em continentes antigos.

Chamado de Bicharracosaurus dionidei, ele chamou atenção por reunir características de famílias diferentes.

Essa combinação incomum é o ponto central da descoberta. Para os pesquisadores, ela torna o fóssil relevante no estudo dos saurópodes no Jurássico Superior.

O fóssil foi encontrado na província de Chubut e tem cerca de 155 milhões de anos. Os restos pertencem a um animal adulto e ajudam a ampliar o quadro conhecido dos gigantes herbívoros.

Os pesquisadores localizaram mais de 30 vértebras, além de costelas e parte de uma pélvis. Os ossos pertencem a um animal estimado em cerca de 20 metros de comprimento.

Mistura rara de traços dificultou a classificação do dinossauro

O que mais chamou a atenção dos cientistas foi a anatomia do Bicharracosaurus dionidei. De acordo com o estudo publicado no PeerJ, alguns ossos lembram os do Giraffatitan, um braquiossaurídeo encontrado na Tanzânia.

Essa semelhança aponta para um dos ramos da árvore genealógica dos saurópodes. Ao mesmo tempo, outras partes do esqueleto mostraram afinidades com um grupo diferente.

Partes da coluna vertebral, principalmente as vértebras dorsais, são muito parecidas com as do Diplodocus e de parentes da América do Norte. Reunir esses dois conjuntos de características em um único animal não é comum.

Essa mistura tornou a classificação mais difícil. Os pesquisadores precisaram avaliar com cuidado como cada parte do esqeuleto se relacionava com outras linhagens de saurópodes.

Estudo aponta primeiro braquiossaurídeo jurássico da América do Sul

Alexandra Reutter, da LMU Munique, que liderou a pesquisa, afirmou que a análise coloca o animal dentro do grupo Brachiosauridae. Isso dá ao achado peso especial na paleontologia sul-americana.

Segundo ela, as análises filogenéticas do esqueleto indicam que o Bicharracosaurus dionidei era aparentado aos Brachiosauridae.

Se essa interpretação estiver correta, ele seria o primeiro braquiossaurídeo do Jurássico encontrado na América do Sul.

Isso também marcaria a primeira identificação de um braquiossaurídeo do período no continente. A possibilidade reforça a relevância do achado para a reconstrução da história evolutiva dos saurópodes.

Patagônia ganha importância nas comparações entre continentes

Dinossauros como Diplodoco e Braquiossauro costumam ser usados como exemplos clássicos de gigantes de pescoço comprido.

Boa parte do conhecimento sobre esses animais veio de fósseis encontrados na América do Norte e em outras regiões setentrionais.

O fóssil veio da Formação Cañadón Calcáreo, na Patagônia, uma área que vem ganhando importância para a paleontologia.

O local passou a oferecer material relevante para comparar dinossauros de continentes diferentes.

Oliver Rauhut, das Coleções Estaduais de História Natural da Baviera, destacou que o conhecimento sobre a evolução dos saurópodes do Jurássico Superior se baseou inteiramente em fósseis da América do Norte e de outros sítios do Hemisfério Norte.

Durante muito tempo, havia poucas evidências fósseis do Hemisfério Sul. A Tanzânia era um dos poucos lugares nesse conjunto, o que limitava as comparações entre os registros dos dois lados do planeta.

Rauhut afirmou que o sítio fossilífero em Chubut, de onde vem o Bicharracosaurus dionidei, fornece material comparativo importante.

Esse conteúdo ajuda os pesquisadores a complementar e reavaliar a compreensão da história evolutiva desses animais.

Nome homenageia pastor que encontrou os ossos

Os primeiros restos do Bicharracosaurus dionidei foram encontrados por um pastor local. Dionide Mesa localizou os ossos de um animal gigante com cerca de 155 milhões de anos em sua fazenda na Patagônia.

O nome da espécie, dionidei, foi escolhido em homenagem a ele. Já bicharraco, usado no gênero, é uma palavra informal em espanhol que significa “animal grande”.

A escolha combina com o tamanho do dinossauro descrito pelos pesquisadores. Também registra a participação do morador que encontrou os primeiros vestígios do fóssil.

Com vértebras, costelas e parte da pélvis preservadas, o Bicharracosaurus ganha espaço nas comparações entre grandes herbívoros jurássicos.

A descoberta amplia o mapa fóssil desses animais e reforça o papel da Patagônia nessa hsitória evolutiva.

Com informações de Daily Galaxy.

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Romário Pereira de Carvalho

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