Ivoti, a Cidade das Flores no Rio Grande do Sul, reúne casas enxaimel históricas, colonização alemã e japonesa, feiras tradicionais e paisagens culturais únicas
Ivoti, conhecida como Cidade das Flores, fica a 55 km de Porto Alegre e reúne pouco mais de 23 mil habitantes. O município preserva patrimônio histórico, tradição cultural e paisagens marcadas pela imigração alemã e japonesa no Rio Grande do Sul.
Origem da Cidade das Flores remonta à imigração alemã no século XIX
A formação da Cidade das Flores começou por volta de 1826, quando famílias vindas da região alemã do Hunsrück abriram caminhos no vale do Arroio Feitoria. Entre os primeiros moradores estavam dois irmãos de sobrenome Berghahn.
O local recebeu inicialmente o nome de Berghanerschneiss, expressão que significa Picada dos Berghahn. Com o tempo, a área passou a ser chamada de Bom Jardim, referência ao solo fértil que favorecia o cultivo de flores.
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Em 1938 ocorreu uma mudança definitiva. A localidade passou a se chamar Ivoti, palavra originada do tupi-guarani ipoti-catu, que significa flor. A emancipação política foi oficializada apenas em 1964.
Mesmo com o crescimento urbano, o município preservou o costume de manter jardins floridos nas calçadas.
Por isso, o apelido Cidade das Flores tornou-se parte da identidade local e aparece em diferentes aspectos da paisagem cotidiana.
Vale do Buraco do Diabo virou uma das histórias mais conhecidas da região
Entre as narrativas curiosas ligadas à colonização alemã está a origem do nome Teufelsloch, conhecido popularmente como Buraco do Diabo. A história envolve um encontro inesperado entre colonos e um tamanduá.
Segundo o relato tradicional, os moradores nunca haviam visto o animal. Ao se sentir ameaçado, o tamanduá ficou de pé e abriu os braços, gesto que assustou um dos colonos.
O morador teria corrido gritando que havia encontrado o demônio. A expressão “Buraco do Diabo” acabou se espalhando e permaneceu associada ao vale do Arroio Feitoria.
Hoje o local integra um dos cenários naturais mais conhecidos da Rota Romântica. O episódio continua sendo uma das histórias populares ligadas à memória da região.
Patrimônio histórico e atrações marcam a Cidade das Flores
Entre os principais pontos visitados da Cidade das Flores está a Ponte do Imperador. A construção ocorreu entre 1857 e 1864 com recursos de Dom Pedro II, que destinou 30 contos de réis para a obra.
A ponte possui 148 metros de comprimento e três arcos em pedra grés. O conjunto foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1986.
Outro destaque é o Núcleo de Casas Enxaimel, formado por construções erguidas com encaixes de madeira, sem uso de pregos. O espaço abriga o Museu Cláudio Oscar Becker, a Casa do Artesão e a Cervejaria Adoma.
O Memorial da Colônia Japonesa também integra o roteiro. Inaugurado em 2011, o prédio possui 914 m² e reúne vestimentas, utensílios e documentos das 26 famílias japonesas que chegaram ao Vale das Palmeiras em 1966.
A Igreja de São Pedro Apóstolo completa o circuito histórico. O templo começou a ser construído em 1869, foi destruído por um incêndio em 1924 e depois reconstruído.
Gastronomia mistura tradições alemãs e japonesas na cidade
A culinária é um dos elementos mais marcantes da Cidade das Flores. Receitas coloniais seguem presentes no cotidiano, com cucas, roscas, schmier, nata e mel preparados por famílias locais.
Na Colônia Japonesa, a feira realizada no último domingo de cada mês apresenta peixe assado na taquara, sashimi e hortaliças colhidas no Vale das Palmeiras.
O principal evento gastronômico da cidade é a Feira do Mel, Rosca e Nata. A 18ª edição ocorre em maio de 2026 no Núcleo de Casas Enxaimel e reúne mais de 80 expositores com entrada gratuita.
Em outubro acontece a tradicional Feira das Flores, que celebra a vocação agrícola que deu origem ao nome da cidade.
Dados populacionais e localização reforçam características da cidade
De acordo com dados do IBGE, Ivoti possui população estimada em 23.566 pessoas distribuídas em uma área de 63 km². O município apresenta IDHM de 0,784.
A taxa de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos atinge 100%. O dialeto alemão-riograndense ainda é falado por parte da população e foi reconhecido como patrimônio cultural do estado em 2012.
A economia combina agricultura familiar, floricultura, indústria calçadista e turismo. Feiras coloniais, bandinhas típicas e jardins floridos fazem parte da rotina local.
A Cidade das Flores integra a Região Metropolitana de Porto Alegre, mas mantém características de interior. O acesso ocorre pela BR-116, no km 231 sentido norte, a cerca de 1 hora da capital.
Também é possível seguir por dentro da cidade rumo à Serra Gaúcha. O trajeto até Picada Café encurta cerca de 10 km e evita parte do tráfego da rodovia. O aeroporto mais próximo é o Salgado Filho, em Porto Alegre.
Entre pontes históricas, vales e feiras coloniais, a Cidade das Flores reúne elementos culturais distintos. Casas enxaimel, memórias da imigração e tradições japonesas compõem o cenário que marca o município gaúcho até hoje.
Com informações de O Antagonista.

