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No interior de Santa Catarina, uma cidade com 34 mil habitantes é considerada a mais alemã do Brasil e “quase não tem brasileiros”: casas em estilo europeu, moradores que falam alemão no dia a dia e festas típicas fazem muita gente esquecer que ainda está no país

Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/02/2026 às 07:31
Pomerode (SC) preserva idioma, arquitetura enxaimel e festas como a Osterfest, reforçando a fama de “cidade mais alemã” do Brasil.
Pomerode (SC) preserva idioma, arquitetura enxaimel e festas como a Osterfest, reforçando a fama de “cidade mais alemã” do Brasil.
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Pomerode, em Santa Catarina, reúne referências da imigração alemã que aparecem no idioma, na arquitetura e nas festas tradicionais.

A cidade é citada como destino turístico por quem busca sinais culturais preservados no cotidiano, em meio a dados oficiais recentes sobre população e leis municipais relacionadas a línguas cooficiais.

Com pouco mais de 36 mil moradores na estimativa oficial mais recente do IBGE, Pomerode, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é frequentemente descrita como a “cidade mais alemã do Brasil” por manter referências da imigração no idioma, na arquitetura e em festas tradicionais que atraem turistas ao longo do ano.

Embora esteja em território brasileiro e tenha população formada por brasileiros, o município preserva traços culturais germânicos no cotidiano, com destaque para famílias e comunidades em que o alemão e o pomerano ainda aparecem na fala doméstica e em eventos locais.

A ideia de que a cidade “quase não tem brasileiros”, comum em relatos de visitantes e em textos de divulgação turística, costuma se apoiar em sinais visuais e culturais presentes em áreas de circulação e em roteiros voltados ao turismo.

Placas bilíngues, sobrenomes de origem germânica, cardápios com receitas associadas a tradições europeias e construções em estilo enxaimel compõem parte dessa percepção.

Ainda assim, os serviços públicos e a vida cotidiana funcionam em português, com rotinas semelhantes às de outras cidades catarinenses.

Imigração alemã e origem histórica de Pomerode

A história de formação de Pomerode se relaciona à chegada de imigrantes da Pomerânia no século XIX, movimento apontado em registros históricos como decisivo para a identidade local.

Diversas referências situam o início desse processo por volta de 1863, em conexão com a expansão da antiga colônia de Blumenau na região do Rio do Testo.

Para quem visita a cidade, um dos elementos mais evidentes é a paisagem urbana marcada por casas com madeira aparente, detalhes geométricos e cores associadas ao enxaimel.

Essa estética não aparece de forma uniforme em todo o município, mas se torna mais recorrente em áreas turísticas e em trajetos de interesse cultural, o que reforça a associação com pequenas vilas de origem germânica.

A gastronomia também funciona como vitrine de tradições preservadas.

Em confeitarias, cafés e restaurantes, é comum encontrar cucas, pães e receitas apresentadas como herança familiar, transmitida entre gerações.

Além disso, preparos com influência alemã aparecem com frequência em eventos comunitários e festas locais, o que amplia a oferta para quem busca esse tipo de experiência.

Língua alemã e pomerano: leis e uso no cotidiano

A presença do alemão no cotidiano de Pomerode é citada por moradores e por visitantes como um diferencial do município, especialmente em ambientes familiares e em contextos comunitários.

No campo institucional, a cidade aprovou uma lei municipal, em 1º de setembro de 2010, que instituiu a língua alemã como idioma complementar e secundário, ao lado do português, estabelecendo base legal para ações relacionadas ao tema no âmbito local.

Em 23 de maio de 2017, outra lei municipal cooficializou a língua pomerana no município, também ao lado do português.

O texto prevê iniciativas de valorização e possibilidades de uso do idioma em ações públicas, dentro do alcance administrativo do governo municipal.

Na prática, o português segue como idioma central de atendimento e de circulação em serviços, comércio e vida pública.

Já o alemão e o pomerano aparecem com maior frequência em redes familiares, em atividades culturais e em ações específicas que reforçam o patrimônio linguístico.

Por isso, turistas relatam surpresa ao ouvir conversas em alemão ou em variedades regionais do idioma em espaços cotidianos, embora essa vivência possa variar conforme bairro, faixa etária e contexto social.

Osterfest e turismo cultural em Santa Catarina

Além do idioma, festas tradicionais ajudam a explicar por que Pomerode passou a ser associada, nacionalmente, à imigração alemã e à preservação cultural.

Um dos eventos mais conhecidos é a Osterfest, programação de Páscoa que costuma integrar a agenda turística local e é divulgada por publicações do setor como uma das principais do país nesse período.

Em diferentes edições, a Osterfest foi relacionada a estruturas temáticas de grande porte.

Segundo informações divulgadas pelo governo de Santa Catarina em 2023, Pomerode conquistou um registro no Guinness World Records relacionado a um ovo decorado de grandes dimensões, incorporado à programação de Páscoa do município.

Esses eventos, somados à arquitetura e à gastronomia, formam uma combinação usada pela cidade para apresentar a herança cultural ao público visitante.

A proposta, em geral, é reunir em um mesmo roteiro elementos considerados típicos, como construções com referências europeias, culinária associada à imigração e celebrações tradicionais que mobilizam moradores e turistas.

População de Pomerode: Censo 2022 e estimativa do IBGE

O número de habitantes citado com frequência em textos sobre Pomerode nem sempre acompanha as atualizações oficiais.

O Censo 2022 registrou 34.289 moradores, dado que sustenta a referência a “34 mil habitantes” em materiais e descrições que continuam circulando.

Já a estimativa do IBGE com data de referência em 1º de julho de 2024 aponta 36.392 habitantes, indicando aumento populacional no período.

A diferença entre os números é relevante porque o porte do município costuma entrar nas explicações sobre preservação cultural.

Pesquisadores e especialistas em estudos migratórios e patrimônio cultural frequentemente apontam que redes comunitárias, associações e tradições familiares tendem a ter maior visibilidade em cidades menores, o que pode contribuir para a manutenção de festas, culinária e uso social de idiomas herdados.

Mesmo com a imagem turística construída em torno da herança germânica, Pomerode segue inserida no contexto brasileiro em termos administrativos, sociais e econômicos.

A expressão do título, nesse sentido, aparece mais como uma formulação usada para descrever a sensação de visitantes diante de sinais culturais concentrados do que como uma descrição literal sobre nacionalidade ou pertencimento da população.

Ainda assim, os dados verificáveis mostram um município que formalizou, por lei, o reconhecimento de idiomas associados à imigração e que organiza eventos que reforçam essa identidade no calendário cultural.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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