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No fundo do Mar do Norte, cientistas acharam vestígios surpreendentes de Doggerland, uma terra desaparecida que já ligou a Grã-Bretanha à Europa e escondia um passado muito mais verde

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 26/03/2026 às 20:15 Atualizado em 27/03/2026 às 23:59
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Análises de DNA ambiental mostram que Doggerland tinha florestas, grandes mamíferos e condições mais favoráveis à vida humana no fim da Era do Gelo

Doggerland, antigo território submerso sob o Mar do Norte, ganhou retrato em pesquisas recentes que apontam florestas, fauna e condições amennas há cerca de 16 mil anos, mudando a compreensão sobre clima, vegetação e ocupação humana no fim da última Era do Gelo.

Doggerland é a faixa de terra que ligava a Grã-Bretanha ao litoral de Holanda, Alemanha, Dinamarca e parte da Noruega.

Na última glaciação, o nível do mar estava mais baixo, deixando exposta uma planície coberta pelo Mar do Norte.

As novas evidências indicam que Doggerland não era apenas um corredor hostil, mas um ambiente produtivo, com ecossistemas complexos e potencial para ocupações prolongadas.

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Como o ambiente no fundo do mar foi reconstruído

O interesse por Doggerland cresceu com avanços em geologia, genética e arqueologia, que permitiram examinar o fundo do Mar do Norte com detalhe.

Modelos de relevo, mapeamento sísmico e perfurações ajudaram a reconstituir rios, vales, planícies e antigas bacias que conectavam áreas da Grã-Bretanha ao continente.

A etapa mais recente veio da análise de DNA ambiental, o eDNA, obtido de fragmentos genéticos preservados em lama marinha.

O método permite identificar espécies de plantas e animais por resíduos como pólen, raízes, fezes, pelos e outros vestígios guardados nos sedimentos.

Com dezenas de amostras, os pesquisadores reconstruíram quais espécies viveram em Doggerland ao longo de milhares de anos.

O que o DNA revelou

Os resultados mostram um cenário mais verde do que se imaginava. Em vez de um espaço dominado por tundra, Doggerland apresentava áreas de florestas temperadas por volta de 16 mil anos atrás.

Entre as evidências estão sequências de DNA compatíveis com árvores como uces, olmos e avelaneiras, sugerindo cobertura florestal densa.

Os estudos também identificaram vestígios de javalis, cervos, ursos e ancestrais selvagens do gado doméstico, sinalizando cadeias alimentares robustas.

Também apareceram registros de plantas que parecem ter resistido a fases frias, funcionando como refúgios para a flora europeia.

Os dados cronológicos reforçam a existência de ambientes amenos nesse período, desafiando a ideia de domínio da tundra sobre Doggerland.

O que isso indica sobre ocupação

Com esse quadro ambiental, especialistas descrevem Doggerland como refúgio ecológico em meio às oscilações climáticas do fim da Era do Gelo.

Para grupos caçadores-coletores, a região provavelmente oferecia condições favoráveis de vida e mobilidade.

Entre as oportunidades apontadas estão abundância de caça, acesso a frutas, sementes, raízes e plantas comestíveis, além de peixes e frutos do mar em rios, estuários e lagunas costeiras.

Vales, cursos d’água e linhas de costa teriam funcionado como rotas naturais de deslocamento.

Embora restos humanos diretos sejam raros, artefatos de pedra e objetos recolhidos por redes de pesca e dragas indicam atividade humana antes da inundação total.

O desaparecimento no fundo do mar e os desafios

O afogamento gradual de Doggerland mostra como a elevação do nível do mar transforma paisagens habitadas.

Estudos indicam que partes do setor sul permaneceram acima da linha d’água até cerca de 6 mil anos atrás, prazo ligeiramente maior que o previsto em modelos antigos.

Essa revisão ajuda a calibrar projeções sobre o comportamento futuro dos oceanos diante do derretimento de grandes massas de gelo.

A inundação ocorreu em etapas, convertendo planícies, vales fluviais e elevações em baías, bancos de areia e mar aberto.

Investigar Doggerland continua caro e complexo, porque a maior parte da área está sob as águas agitadas do Mar do Norte.

Além disso, a interpretação do DNA ambiental exige cautela, já que fragmentos podem ser transportados por correntes ou misturados em camadas de sedimentos.

Mesmo assim, a combinação entre DNA, mapeamento geofísico de alta resolução e achados arqueológicos de embarcações comerciais vem formando um quadro mais detalhado dessa tera perdida.

Com informações de Revista Oeste.

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Romário Pereira de Carvalho

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