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Autoridades da Carolina do Sul transformaram um navio torpedeiro abandonado que vazava óleo em área protegida: após 4 anos preso num pântano, o casco foi limpo, levado a 32 milhas de Charleston e afundado para virar recife artificial em uma operação que troca ameaça ambiental por habitat marinho permanente

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 30/05/2026 às 14:16
Atualizado em 30/05/2026 às 14:21
Assista o vídeoHAZAR, navio militar abandonado na Carolina do Sul, foi removido de pântano costeiro, limpo e afundado como recife artificial a 32 milhas de Charleston.
navio militar abandonado na Carolina do Sul virou recife artificial
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HAZAR, navio militar abandonado na Carolina do Sul, foi removido de pântano costeiro, limpo e afundado como recife artificial a 32 milhas de Charleston.

Segundo o Post and Courier, na manhã de 7 de dezembro de 2025 um comboio de embarcações do South Carolina Department of Natural Resources, da Coastal Conservation Association da Carolina do Sul e da empresa Stevens Towing acompanhou o afundamento controlado do HAZAR a cerca de 40 milhas da costa de Charleston. O navio, um antigo recuperador de torpedos da Marinha dos Estados Unidos com 120 pés, cerca de 36 metros, havia sido abandonado por quatro anos em Bohicket Creek, numa área sensível de pântano costeiro.

O HAZAR foi descomissionado pela Marinha, vendido a um proprietário privado e depois deixado nos manguezais, onde bloqueava o fluxo de água, ameaçava espécies protegidas e vazava óleo e fluidos hidráulicos. Após investigação do SCDNR, o responsável foi preso, e o navio acabou transformado no 612º recife artificial da Carolina do Sul, ao afundar a 32 milhas de Charleston.

Navio abandonado em Bohicket Creek virou ameaça ambiental no pântano costeiro

Segundo o Post and Courier, o Bohicket Creek é um braço de maré que corta as ilhas Edisto, ao sul de Charleston, em uma região de pântano de maré altamente produtiva.

Esse tipo de ambiente funciona como berçário natural para camarão, caranguejo, peixes juvenis e aves migratórias, sendo um dos ecossistemas mais valiosos da costa leste americana.

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Um navio de aço com 36 metros encalhado nesse tipo de área cria vários impactos ao mesmo tempo. O casco bloqueia o fluxo natural da maré, altera a circulação da água, prejudica a reprodução das espécies e ainda libera contaminantes à medida que enferruja e degrada. Além disso, óleo combustível, fluidos hidráulicos e graxas vazam progressivamente para a água e para o sedimento do pântano.

O diretor do SCDNR, Tom Mullikin, resumiu o problema ao afirmar que embarcações abandonadas são perigosas tanto para navegadores quanto para o ecossistema. No caso do HAZAR, o abandono foi tratado como situação suficientemente grave para gerar investigação formal e prisão do proprietário.

Limpeza ambiental foi decisiva para transformar o HAZAR em recife artificial

Segundo o Post and Courier, antes de ser afundado no Atlântico, o HAZAR passou por um processo de limpeza ambiental que levou semanas e foi executado pela Stevens Towing. O objetivo era remover tudo o que pudesse contaminar o ambiente marinho depois do afundamento.

A equipe retirou o combustível remanescente, células de combustível, fluidos hidráulicos dos sistemas de governo e propulsão, motores e outros equipamentos mecânicos com fluidos, além de materiais que poderiam se fragmentar e gerar detritos problemáticos no fundo do mar.

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Mesmo assim, uma pequena mancha de óleo apareceu sobre o ponto de afundamento, reflexo de resíduos acumulados ao longo dos anos dentro do casco.

O navio foi posicionado no sítio Y-73, escolhido por profundidade e características de fundo favoráveis à formação de habitat marinho. Segundo Ryan Yaden, diretor do programa de recifes artificiais do SCDNR, a operação transformou uma embarcação degradada em uma estrutura com potencial de vida útil ecológica de pelo menos mais 25 anos.

Casco de aço afundado no Atlântico vira habitat vivo em poucos meses

Segundo o Post and Courier, a transformação ecológica de um casco de aço submerso começa quase imediatamente. Nas primeiras horas, microrganismos se fixam na superfície metálica. Em poucos dias, surge um biofilme de bactérias e microalgas.

Esse biofilme funciona como sinal químico para a chegada de larvas de cracas, mexilhões, ostras, poliquetas e esponjas, que começam a colonizar o casco nas semanas seguintes. Em poucos meses, a estrutura de aço deixa de parecer um navio e passa a funcionar como um recife artificial biologicamente ativo.

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A rapidez dessa colonização é favorecida pelas águas costeiras da Carolina do Sul, onde a produtividade biológica é alta e a temperatura é adequada para o assentamento de invertebrados. É justamente essa condição ecológica que torna o litoral da região especialmente favorável à conversão de embarcações em habitat marinho.

Programa de recifes artificiais da Carolina do Sul transformou problema em ativo ecológico

Segundo o Post and Courier, o HAZAR não foi o primeiro navio abandonado reaproveitado como recife artificial pelo estado. A Carolina do Sul mantém há décadas um programa de recifes artificiais que utiliza estruturas de concreto, embarcações aposentadas e outros materiais adequados para criar habitat offshore.

O sítio Y-73, onde o HAZAR foi afundado, já continha três rebocadores, módulos de concreto e resíduos de estruturas de construção. Com profundidade próxima de 100 pés, cerca de 30 metros, a área é acessível a mergulhadores recreativos com certificação básica e oferece condições favoráveis para espécies que preferem águas mais profundas e menos iluminadas.

Ao entrar nesse complexo, o HAZAR deixou de ser apenas um casco abandonado e passou a integrar uma infraestrutura ecológica criada para ampliar habitat marinho, atrair fauna e reforçar a produtividade biológica offshore.

Caso HAZAR virou teste de força para a lei de embarcações abandonadas

Segundo o Post and Courier, o caso do HAZAR foi o primeiro grande teste público da lei de embarcações abandonadas da Carolina do Sul, patrocinada pelo senador estadual Chip Campsen.

A legislação foi criada justamente para impedir que proprietários deixem embarcações deterioradas em pântanos, rios e vias aquáticas sem assumir custos ou responsabilidade.

Antes da lei, o padrão era simples: o dono abandonava o barco e o problema ficava para o estado. Com a nova regra, o abandono deliberado passou a gerar responsabilidade criminal, inclusive com possibilidade de prisão, como ocorreu nesse caso.

Para Campsen, a operação representou um triplo ganho: remoção de uma ameaça ambiental dos pântanos, responsabilização legal do proprietário e conversão do navio em reforço ao sistema de recifes offshore. É exatamente esse modelo que o estado pretende replicar para outras embarcações abandonadas que ainda poluem a costa e os pântanos da Carolina do Sul.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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