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Navio com 1,7 tonelada de ajuda humanitária do México e do Uruguai chegou a Havana nesta segunda-feira enquanto Cuba enfrenta apagões de até 22 horas por dia após o corte de fornecimento de energia pelos Estados Unidos, e as tensões entre os dois países aumentam com possível indiciamento de Raúl Castro

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 18/05/2026 às 23:54
Atualizado em 18/05/2026 às 23:57
Um navio com 1,7 tonelada de ajuda humanitária do México e do Uruguai chegou a Havana nesta segunda-feira enquanto Cuba enfrenta apagões de até 22 horas por dia após corte de energia pelos Estados Unidos. Tensões entre os países aumentam.
Um navio com 1,7 tonelada de ajuda humanitária do México e do Uruguai chegou a Havana nesta segunda-feira enquanto Cuba enfrenta apagões de até 22 horas por dia após corte de energia pelos Estados Unidos. Tensões entre os países aumentam.
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O navio Asian Katra chegou ao porto de Havana nesta segunda-feira (18) transportando cerca de 1,7 tonelada de suprimentos humanitários enviados pelo México e pelo Uruguai, em um momento em que Cuba enfrenta apagões de até 22 horas por dia após os Estados Unidos terem cortado o fornecimento de energia à ilha. Segundo informações da CNN Brasil, nas últimas semanas, o combustível acabou e a eletricidade ficou disponível apenas por uma ou duas horas diárias para a maioria da população cubana.

A remessa foi anunciada em 11 de maio pela presidente mexicana como parte de um esforço de assistência à ilha caribenha, cuja crise energética se agravou nas últimas semanas. As tensões entre Cuba e os Estados Unidos escalaram drasticamente no mesmo período: a Reuters noticiou na semana passada, citando uma fonte do Departamento de Justiça americano, que promotores planejavam indiciar o ex-líder cubano Raúl Castro pelo abate, em 1996, de dois aviões operados por um grupo humanitário. O governo cubano declarou que os Estados Unidos estão em um caminho que “pode levar a banho de sangue” na ilha, e o diretor da CIA se reuniu com autoridades cubanas em Havana em meio às negociações. Para os 11 milhões de cubanos que vivem quase sem eletricidade, a chegada de 1,7 tonelada de suprimentos é alívio imediato num cenário que piora a cada dia.

Apagões de 22 horas: a realidade diária em Cuba

A crise energética que Cuba enfrenta não é um evento pontual, mas um colapso progressivo que se agravou após o corte do fornecimento de energia pelos Estados Unidos. A eletricidade está disponível por apenas uma ou duas horas por dia na maior parte da ilha, o que significa que cubanos passam até 22 horas consecutivas sem energia para refrigerar alimentos, iluminar casas, operar equipamentos médicos ou manter negócios funcionando.

O combustível que alimentava as termelétricas cubanas acabou nas últimas semanas, e sem diesel ou gás natural suficiente para gerar eletricidade, a rede elétrica da ilha opera em regime de emergência. Hospitais dependem de geradores que também precisam de combustível. Alimentos estragam sem refrigeração em questão de horas no calor tropical. O transporte público, já precário, se torna ainda mais limitado quando os ônibus não têm diesel para rodar. Para a população, cada hora de energia é uma janela para cozinhar, carregar celulares e resolver necessidades básicas antes que a escuridão volte.

O Asian Katra e as 1,7 tonelada de suprimentos

O navio Asian Katra atracou em Havana transportando cerca de 1,7 tonelada de suprimentos humanitários enviados pelo México e pelo Uruguai. A carga inclui itens essenciais para uma população que enfrenta escassez simultânea de energia, alimentos e medicamentos, embora os detalhes específicos do conteúdo não tenham sido divulgados integralmente pela mídia cubana. A remessa representa a continuidade de um esforço humanitário que o México mantém com Cuba há décadas.

Para uma ilha de 11 milhões de habitantes em crise aguda, 1,7 tonelada de suprimentos é um gesto relevante, mas insuficiente para resolver a dimensão do problema. A ajuda humanitária pode aliviar necessidades imediatas em comunidades específicas, mas não substitui o fornecimento contínuo de combustível e eletricidade que Cuba perdeu. A logística de distribuição dos suprimentos dentro da ilha também enfrenta dificuldades, já que o transporte interno depende de combustível que é exatamente o recurso mais escasso no momento.

México e Uruguai: os aliados que enviam ajuda

O México mantém uma política de apoio a Cuba que atravessa diferentes governos e que se manifesta em remessas regulares de alimentos, medicamentos e combustível. A presidente mexicana anunciou em 11 de maio a nova remessa humanitária, reafirmando a posição do México de se opor ao isolamento econômico da ilha. O Uruguai, que também enviou suprimentos a bordo do Asian Katra, soma-se a um grupo de países latino-americanos que oferecem assistência apesar das pressões dos Estados Unidos para restringir o comércio com Havana.

A disposição de México e Uruguai em enviar ajuda humanitária a Cuba reflete uma divergência diplomática com Washington que se aprofunda à medida que as tensões aumentam. Para os Estados Unidos, a pressão econômica sobre Cuba é instrumento de política externa destinado a forçar mudanças no regime. Para México e Uruguai, a assistência humanitária é uma obrigação moral que não deve ser condicionada a alinhamentos políticos. A população cubana, que sofre as consequências diretas dessa disputa, recebe ajuda de onde ela vier.

A escalada das tensões entre Cuba e Estados Unidos

A crise energética em Cuba não existe isoladamente: ela se insere num contexto de deterioração acelerada das relações entre Havana e Washington. Na semana passada, a Reuters revelou que promotores do Departamento de Justiça dos EUA planejam indiciar o ex-líder cubano Raúl Castro pelo abate de dois aviões operados por um grupo humanitário em 1996, episódio que ocorreu há quase três décadas e que agora é resgatado num momento de máxima tensão bilateral.

O governo cubano respondeu declarando que os Estados Unidos estão em um caminho que “pode levar a banho de sangue” na ilha, linguagem que eleva o tom diplomático a um patamar raramente visto nas relações entre os dois países. Paralelamente, o diretor da CIA se reuniu com autoridades cubanas em Havana e os EUA pressionaram por reformas durante conversas na capital cubana. A combinação entre corte de energia, possível indiciamento de Raúl Castro e presença da inteligência americana em Havana cria um cenário onde a crise humanitária e a tensão geopolítica se retroalimentam.

Uma ilha entre a escuridão e a geopolítica

Cuba recebe ajuda humanitária do México e do Uruguai enquanto enfrenta apagões de até 22 horas por dia e tensões crescentes com os Estados Unidos. O navio Asian Katra trouxe 1,7 tonelada de suprimentos a Havana nesta segunda-feira, mas a crise energética da ilha exige muito mais do que remessas pontuais: exige combustível contínuo que a geopolítica atual impede de chegar. Os 11 milhões de cubanos que vivem quase sem eletricidade são a face humana de uma disputa entre governos que não mostra sinais de arrefecimento.

O que você acha da situação energética em Cuba? Conte nos comentários se acredita que a ajuda humanitária é suficiente, como avalia o papel do México e do Uruguai e se o corte de energia é uma ferramenta legítima de pressão política. Queremos ouvir a sua opinião.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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