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Natureza surpreende em Santa Catarina e cria sozinha uma nova variedade de banana que demora muito mais para escurecer depois de colhida, e agora a Clarinha tem registro oficial para ser vendida em todo o país

Publicado em 14/04/2026 às 11:34
Atualizado em 14/04/2026 às 23:40
A banana Clarinha surgiu por mutação natural em Santa Catarina e tem registro oficial do Ministério da Agricultura. A nova variedade escurece 43% mais devagar.
A banana Clarinha surgiu por mutação natural em Santa Catarina e tem registro oficial do Ministério da Agricultura. A nova variedade escurece 43% mais devagar.
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A banana Clarinha foi descoberta em Luiz Alves, no Vale do Itajaí, como mutação natural da caturra. Com 43% menos clorofila na casca, a nova variedade escurece mais devagar após a colheita e acaba de receber registro oficial do Ministério da Agricultura para comercialização em todo o Brasil.

Uma nova variedade de banana acaba de ganhar registro oficial no Brasil, e o mais surpreendente é que ninguém a criou em laboratório. A banana Clarinha (SCS455) surgiu espontaneamente no município de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, uma das principais regiões produtoras da fruta no país. Originada de uma mutação natural da banana caturra, a Clarinha apresenta casca mais clara e brilhante, com redução de aproximadamente 43% no teor de clorofila, uma característica que retarda significativamente o escurecimento da fruta após a colheita. A cultivar está agora inscrita no Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura (RNC-Mapa), sob o número 58.447.

A identificação da banana Clarinha não foi obra do acaso desatento. A Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) iniciou os estudos de validação em 2018, quando percebeu que algumas plantas em Luiz Alves produziam frutos visivelmente diferentes dos demais. Os ensaios confirmaram que a Clarinha mantém produtividade equivalente à banana caturra tradicional, mas agrega um diferencial estético que pode transformar a comercialização da fruta, especialmente no inverno, quando o escurecimento nas prateleiras é mais acentuado e as perdas comerciais aumentam.

O que torna a banana Clarinha diferente das variedades tradicionais

imagem;Canal Rural

Segundo informações do portal Canal Rural, a diferença mais evidente está na casca. A banana Clarinha tem uma coloração mais clara e brilhante do que a caturra convencional, resultado direto da redução de 43% no teor de clorofila. Essa menor concentração de clorofila é o que retarda o processo de escurecimento após a colheita, um problema que afeta toda a cadeia de comercialização da banana no Brasil, desde o produtor rural até a prateleira do supermercado.

Na prática, isso significa que a banana Clarinha permanece com aparência atrativa por mais tempo depois de colhida, reduzindo as perdas que ocorrem quando a fruta escurece rápido demais e o consumidor a rejeita por considerá-la velha. Para produtores e varejistas, essa característica tem valor econômico direto: menos banana descartada significa mais banana vendida com a mesma quantidade produzida. A mutação que a natureza criou em Luiz Alves resolve, de forma biológica e sem manipulação genética, um dos problemas mais antigos do comércio dessa fruta.

Como a natureza criou a banana Clarinha sem intervenção humana

A Clarinha é resultado de uma mutação somática espontânea, um processo biológico no qual o material genético de uma planta sofre alteração natural durante a divisão celular. Esse tipo de mutação ocorre sem qualquer interferência humana e pode gerar plantas com características novas, como cor diferente, tamanho alterado ou, no caso da Clarinha, menor teor de clorofila na casca. A banana caturra, da qual a Clarinha se originou, é uma das variedades mais cultivadas em Santa Catarina e no Brasil.

Em algum momento, uma planta de caturra em Luiz Alves sofreu essa mutação e começou a produzir cachos com frutos visivelmente mais claros. Produtores locais notaram a diferença e comunicaram a Epagri, que iniciou os estudos em 2018 para determinar se a variação era estável, reprodutível e comercialmente viável. Após anos de ensaios em campo e em laboratório, os pesquisadores confirmaram que a mutação se mantém nas plantas propagadas a partir da original, o que significa que a banana Clarinha pode ser multiplicada e cultivada em escala comercial sem perder suas características distintivas.

O que o registro oficial no Ministério da Agricultura significa para a banana Clarinha

Com a inscrição no Registro Nacional de Cultivares sob o número 58.447, a banana Clarinha passa a estar apta para uso comercial em todo o território brasileiro. As mudas poderão ser adquiridas junto a empresas produtoras registradas no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), o que garante rastreabilidade e controle de qualidade na propagação da nova variedade. Sem esse registro, a comercialização de mudas da Clarinha seria irregular.

O registro também posiciona Santa Catarina como referência em diversidade de cultivares de banana. Com a Clarinha, o estado passa a contar com seis variedades identificadas, com destaque para municípios como Luiz Alves e Corupá, que já são reconhecidos como polos produtores da fruta. “O registro de novas cultivares demonstra a capacidade de inovação da agropecuária catarinense e o papel do Ministério da Agricultura em garantir segurança, rastreabilidade e competitividade para o setor”, destacou Ivanor Boing, superintendente do Mapa em Santa Catarina.

Por que a banana Clarinha pode mudar o mercado no inverno

O escurecimento da banana nas prateleiras é um problema sazonal que se agrava no inverno. Com temperaturas mais baixas e menor luminosidade, o processo de amadurecimento e escurecimento da casca se acelera, fazendo com que a banana perca atratividade visual em menos tempo. Para supermercados e feiras, isso significa perdas que podem chegar a percentuais significativos do volume comprado, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

A banana Clarinha oferece uma vantagem natural para esse cenário. Como sua casca escurece mais devagar graças ao menor teor de clorofila, a fruta permanece com aparência comercial por mais tempo, o que pode reduzir as perdas no varejo e aumentar a rentabilidade dos produtores catarinenses, especialmente durante os meses frios. Se a Clarinha confirmar em escala comercial o desempenho observado nos ensaios da Epagri, ela pode se tornar a variedade preferida para comercialização no inverno, quando a banana convencional sofre mais com o escurecimento.

O que produtores interessados na banana Clarinha precisam saber

Para quem deseja cultivar a nova variedade, o primeiro passo é aguardar a disponibilidade de mudas certificadas. A banana Clarinha só pode ser propagada comercialmente por empresas registradas no Renasem, o que garante que as mudas vendidas mantêm as características genéticas da cultivar original. Comprar mudas de fontes não certificadas pode resultar em plantas que não reproduzem a casca clara e o escurecimento retardado que definem a Clarinha.

A produtividade equivalente à banana caturra tradicional é um dado importante para a decisão de plantio. Os produtores não precisam sacrificar volume de produção para obter o diferencial estético, o que torna a transição da caturra para a Clarinha economicamente viável sem aumento de risco. Para a bananicultura catarinense, que já responde por uma fatia relevante da produção nacional, a nova variedade pode representar uma vantagem competitiva que nasceu literalmente do chão, sem investimento em biotecnologia ou melhoramento genético convencional.

A natureza criou sozinha uma banana que escurece mais devagar, e agora a Clarinha tem registro oficial para ser vendida em todo o Brasil. Você compraria uma banana pela aparência da casca? Acha que variedades como essa podem reduzir o desperdício de alimentos? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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