Engenheiros conseguem criar tijolo para a construção civil que é capaz de se auto-reproduzir e retirar o CO2 da atmosfera
Já imaginou um material sólido, que é perfeito para a área da construção civil, que é capaz de crescer sozinho como recifes de corais? É basicamente assim que funcionam os tijolos do laboratório do cientista Wil Srubar, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, as criações dos engenheiros da biotecnologia não estão apenas vivas, mas em processo de reprodução.
Leia também
Conhecidos como materiais vivos projetados (ELM), os tijolos são produzidos por bactérias e micróbios que convertem areia, nutrientes e outras matérias-primas em um biocimento, da mesma forma que os corais sintetizam recifes. Por isso, quando um dos tijolos é dividido ao meio, em questão seis horas, dois se formarão.
Com o ELM, é possível construir materiais estruturais inertes, como cimento endurecido ou substitutos semelhantes à madeira, com aplicações para a construção civil, já que podem ser base de pistas de aeroportos, que se autoconstroem, e bandagens vivas.
-
Robôs gigantes são usados para construir um bairro inteiro com 100 casas impressas em 3D nos EUA e mostram como a tecnologia está transformando a construção civil; conheça o Wolf Ranch
-
Enquanto moradores de Helsinque abrem a torneira, a água já percorreu 120 quilômetros por um túnel escondido na rocha, saiu de um lago e passou por tratamento antes de chegar à cidade
-
O rio artificial mais longo da América Latina está no Brasil: no sertão do Ceará, obra de 145,3 km leva água até o quilômetro 100 e chega a 92% de execução depois de décadas em que a seca decidiu o ritmo da vida na região
-
Com R$ 190 milhões na mesa, SENAI abre nova rodada de inovação para financiar fábricas brasileiras, reduzir risco das empresas e turbinar produtividade com projetos de PD&I em 2026
Tijolos feitos ecologicamente são muito úteis para construção civil
A novidade do biocimento de Srubar é que essa invenção consegue reter as células vivas, mesmo na estrutura final. Isso é possível porque os cientistas controlam a temperatura e a umidade, mantendo esses organismos vivos. E quando quiserem estabilizar o crescimento, basta desativar esses controles.
Até então, os tijolos são feitos, normalmente, com argila, areia, cal e água, que são misturados, moldados e aquecidos em olarias a mais de 1000 °C, em um processo que consome muita energia e gera centenas de milhões de toneladas de emissões de CO2 anualmente.
Engenheiros da bioMASON exploram uso de bactérias na fabricação de tijolos para construção civil
Em contrapartida, os engenheiros de uma empresa da Carolina do Norte, nos EUA, chamada de bioMASON, foi uma das primeiras a explorar o uso de bactérias na fabricação desse material. Nesse caso, os micróbios é que convertiam nutrientes em carbonato de cálcio, que endurece a areia e a transforma em um material ótimo, para a construção civil, e resistente à temperatura ambiente.
“Você poderia cultivar uma pista temporária em algum lugar semeando bactérias na areia e gelatina?” pergunta Sarah Glaven, microbiologista e especialista em ELM do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA. Em junho de 2019, engenheiros da Base da Força Aérea Wright-Patterson, em Ohio, criaram um protótipo como o questionado por ela, com 232 metros quadrados.
A esperança, explica Blake Bextine, que dirige um programa ELM para a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa dos EUA, é que, em vez de transportar toneladas de materiais para criar campos aéreos expedicionários, os engenheiros militares possam usar areia, cascalho e água locais e aplicar alguns “tambores” de bactérias — que produzem cimento — para criar novas pistas, em questão de dias. Esse movimento resultou em uma porção de grupos levando esse mesmo conceito adiante.
