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Multinacional brasileira com dívida superior a R$ 11 bilhões recorre à Justiça dos Estados Unidos e pede mais 75 dias para tentar evitar um colapso maior, preservar contratos e salvar 23 mil empregos

Escrito por Ana Alice
Publicado em 17/04/2026 às 23:42
Assista o vídeoAmbipar pede mais 75 dias à Justiça dos EUA, avalia o Chapter 15 e tenta preservar 23 mil empregos em reestruturação global do grupo. (Imagem: Ilustrativa)
Ambipar pede mais 75 dias à Justiça dos EUA, avalia o Chapter 15 e tenta preservar 23 mil empregos em reestruturação global do grupo. (Imagem: Ilustrativa)
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Entre tribunais no Brasil e nos Estados Unidos, a reestruturação da Ambipar avança sob pressão de credores, prazos e escolhas jurídicas que podem redefinir o rumo do grupo e afetar uma negociação acompanhada de perto pelo mercado.

A Ambipar Emergency Response, braço operacional do grupo Ambipar, pediu à Justiça dos Estados Unidos mais 75 dias de exclusividade para apresentar um plano de reorganização.

Ao mesmo tempo, a empresa informou que ainda avalia se seguirá no Chapter 11 ou se encerrará essa frente para buscar reconhecimento no país por meio do Chapter 15.

A audiência sobre o pedido está marcada para 13 de maio, no Texas, e parte dos detentores de títulos da dívida já se manifestou contra a prorrogação.

O movimento nos Estados Unidos ocorre em paralelo à recuperação judicial aberta no Brasil.

No processo brasileiro, o grupo informou que a reestruturação envolve dívidas superiores a R$ 11 bilhões e tem como um dos objetivos preservar cerca de 23 mil empregos diretos, além de manter contratos e a continuidade das operações enquanto negocia com credores.

Em 20 de outubro de 2025, a Ambipar Emergency Response ingressou com o Chapter 11 na Corte de Falências do Distrito Sul do Texas.

No mesmo dia, a Ambipar Participações e a Environmental ESG protocolaram o pedido de recuperação judicial no Brasil.

Poucos dias depois, em 30 de outubro, a Justiça do Rio de Janeiro deferiu o processamento da recuperação judicial.

Pedido da Ambipar na Justiça dos EUA

Na petição apresentada no Texas, a companhia afirma que o caso em tramitação nos Estados Unidos não corresponde a um Chapter 11 típico.

Segundo a empresa, a medida está inserida em uma reestruturação mais ampla do grupo, articulada em conjunto com o processo brasileiro.

Com esse argumento, a Ambipar sustenta que a manutenção do período de exclusividade pode favorecer negociações com credores e evitar a apresentação de planos concorrentes antes da definição do caminho jurídico que será adotado.

Em documento protocolado no processo, a empresa afirmou que esse cenário reduziria o risco de dispersão das tratativas em curso.

A discussão, porém, envolve mais do que a simples extensão de prazo.

Nos autos, a companhia reconhece que ainda não definiu se continuará no Chapter 11, com apresentação de um plano próprio nos Estados Unidos, ou se encerrará essa etapa para recorrer ao Chapter 15, mecanismo voltado ao reconhecimento de procedimentos de insolvência iniciados em outros países.

Essa indefinição passou a ser um dos pontos centrais do processo.

Para a empresa, a alternativa precisa permanecer aberta enquanto avança a coordenação da reestruturação em diferentes jurisdições.

Já os credores que contestam o pedido afirmam que a ausência de definição impede uma avaliação objetiva sobre a utilidade da prorrogação solicitada.

Ambipar argumenta que seu procedimento não é um Chapter 11 típico, porque o caso nos EUA é parte de uma reestruturação bem mais ampla do grupo Ambipar, que também ocorre no Brasil  • Divulgação
Ambipar argumenta que seu procedimento não é um Chapter 11 típico, porque o caso nos EUA é parte de uma reestruturação bem mais ampla do grupo Ambipar, que também ocorre no Brasil • Divulgação

Diferença entre Chapter 11 e Chapter 15

O Chapter 11 é o instrumento da legislação americana usado para reorganização de empresas em crise financeira.

Nesse modelo, o devedor segue sob supervisão judicial e pode apresentar um plano para renegociar obrigações, manter operações e tentar reestruturar sua situação financeira.

Já o Chapter 15 tem natureza distinta.

Ele funciona como mecanismo de cooperação internacional e permite que a Justiça dos Estados Unidos reconheça um processo principal de insolvência que esteja em andamento em outro país, como é o caso da recuperação judicial brasileira.

Na prática, a diferença entre os dois caminhos afeta o alcance da atuação da corte americana.

No Chapter 11, a reorganização tramita diretamente nos Estados Unidos.

No Chapter 15, o foco costuma recair sobre o reconhecimento e a proteção, em território americano, de medidas adotadas no processo estrangeiro principal.

Segundo a posição apresentada pela Ambipar, a segunda alternativa passou a ser considerada porque a reestruturação do grupo tem eixo no Brasil.

A empresa informou à corte que avaliou inicialmente recorrer ao Chapter 15, mas optou, naquele momento, pela abertura do Chapter 11.

Credores contestam prazo e cobram definição

Parte dos detentores de títulos da dívida contesta o pedido de ampliação do prazo.

Em manifestação judicial, esse grupo afirma que a companhia não avançou de forma suficiente nas negociações ao longo dos últimos meses e sustenta que a prorrogação não estaria acompanhada de um plano concreto de reorganização.

Os credores também alegam que a empresa indicou em diferentes momentos que poderia nem sequer apresentar um plano sob o Chapter 11.

Na avaliação desse grupo, isso reforça a leitura de que o processo americano teria sido usado para conter medidas de cobrança nos Estados Unidos enquanto a companhia definia outra estratégia para a reestruturação.

Ainda segundo os bondholders, a extensão da exclusividade impediria, por mais tempo, a apresentação de alternativas por outros interessados.

A objeção apresentada ao tribunal afirma que, sem uma definição sobre o rumo do caso, o pedido de novo prazo não traz elementos suficientes para justificar a continuidade do benefício processual.

Do lado da empresa, a resposta foi no sentido de que o caso americano deve ser analisado em conjunto com a reorganização do grupo.

A Ambipar sustenta que as negociações precisam ser vistas no contexto de uma estrutura empresarial mais ampla, com operações em diferentes mercados e com passivos distribuídos em várias frentes.

Recuperação judicial da Ambipar no Brasil

Na petição apresentada à Justiça fluminense, o grupo descreveu uma estrutura com atuação em dezenas de países, centenas de bases operacionais e forte presença em serviços ambientais e de resposta a emergências.

No mesmo documento, a empresa informou que os salários dos mais de 23 mil empregados diretos estavam sendo pagos regularmente e que a recuperação judicial buscava preservar a continuidade das atividades.

A companhia também relacionou o pedido de proteção judicial à manutenção de contratos e ao esforço para evitar desorganização operacional durante a negociação com credores.

O processo brasileiro passou, assim, a funcionar como o eixo principal da tentativa de reestruturação do grupo, enquanto o caso americano seguiu como frente paralela.

Antes disso, em setembro de 2025, a Ambipar já havia recorrido à Justiça do Rio de Janeiro em meio a um litígio envolvendo o Deutsche Bank.

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Naquele momento, a empresa afirmou que a possibilidade de vencimento antecipado de dívidas poderia provocar efeitos em cadeia sobre outras obrigações financeiras, o que pressionava sua situação de caixa.

Esse histórico ajuda a explicar por que a disputa atual não se limita a uma discussão processual sobre prazos.

O que está em análise envolve a forma como a empresa pretende coordenar sua reorganização entre Brasil e Estados Unidos, além do impacto que essa definição pode ter sobre a negociação com credores e sobre a preservação das operações.

Audiência no Texas e próximos desdobramentos do caso

A audiência marcada no Texas deve tratar do pedido de ampliação do prazo de exclusividade e das objeções apresentadas por parte dos credores.

A depender da decisão da corte, a Ambipar poderá manter mais tempo para decidir se apresenta um plano no âmbito do Chapter 11 ou se redireciona a estratégia para um pedido sob o Chapter 15.

Enquanto isso, o processo brasileiro segue como referência para a reestruturação do grupo.

A definição da Justiça americana, portanto, deve indicar se a companhia continuará com uma reorganização formal nos Estados Unidos ou se passará a concentrar a articulação internacional do caso no reconhecimento da recuperação judicial já em curso no Brasil.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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