O parque eólico flutuante no mar Jônico encontrou um navio grego perto da Calábria, revelou mais de 300 ânforas e fez o projeto mudar a área prevista para turbinas, cabos e estruturas antes do início da instalação no mar.
Antes de receber turbinas, um parque eólico flutuante em estudo no mar Jônico encontrou um navio grego com mais de 300 ânforas no fundo do mar, perto da Calábria, no sul da Itália. A embarcação foi datada entre os séculos V e IV a.C.
A descoberta foi divulgada em 29 de junho de 2026 por Acciona Energía, empresa espanhola voltada à produção de energia renovável. O achado apareceu durante os estudos de viabilidade, fase que analisa as condições do local antes de uma obra avançar.
O projeto ainda está em etapa de estudo. A presença do sítio arqueológico levou à revisão do desenho preliminar do parque eólico flutuante, para evitar uma área que preserva parte importante da história do Mediterrâneo.
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O navio apareceu antes da instalação das turbinas
O navio grego permaneceu escondido no fundo do mar por mais de dois mil anos. A descoberta ocorreu antes da instalação de turbinas, cabos, âncoras e outras estruturas necessárias para gerar energia com o vento no mar.
O ponto mais chamativo é a carga. O navio levava mais de 300 ânforas, recipientes antigos que ajudam a identificar produtos, rotas comerciais e relações entre povos que viviam em regiões diferentes do Mediterrâneo.

A área passou a exigir cuidados de preservação. O material encontrado entrou nos procedimentos de proteção do patrimônio cultural submerso, que reúne bens históricos localizados sob a água.
O que as mais de 300 ânforas podem revelar sobre o comércio antigo
As ânforas eram grandes recipientes de cerâmica usados para transportar produtos como vinho e azeite. Seu formato facilitava o armazenamento em embarcações e ajudava mercadores a levar mercadorias por longas distâncias.
Cada ânfora pode guardar pistas sobre a origem da carga e o caminho percorrido pelo navio. O tamanho, o tipo de cerâmica e os sinais deixados na superfície ajudam pesquisadores a entender a circulação de produtos em períodos antigos.
A carga encontrada perto da Calábria pode ampliar o conhecimento sobre rotas marítimas, trocas comerciais e distribuição de vinho na Magna Grécia. Esse nome era usado para áreas do sul da Itália que mantiveram forte presença grega antes do domínio romano.
Como funciona um parque eólico flutuante no mar
Um parque eólico flutuante usa turbinas instaladas sobre estruturas que boiam na superfície. Essas plataformas permanecem no local por meio de cabos de amarração e âncoras ligadas ao fundo do mar.
Isso explica por que o fundo do mar precisa ser estudado com cuidado. Não basta encontrar vento forte e profundidade adequada, pois o projeto também precisa avaliar o relevo, áreas ambientais sensíveis e possíveis vestígios históricos.
Uma escolha errada de local pode colocar equipamentos sobre uma região que abriga patrimônio arqueológico. No caso do mar Jônico, o estudo evitou que essa decisão fosse tomada sem conhecer o que existia abaixo da água.
Por que sonares e levantamentos podem mudar o lugar das turbinas
O sonar é um equipamento que usa ondas sonoras para criar mapas do fundo do mar. Ele ajuda a localizar obstáculos, identificar diferenças no relevo e encontrar objetos submersos, como navios antigos.

No projeto perto da Calábria, foram usadas tecnologias avançadas para analisar o fundo do mar. A pesquisa reuniu profissionais de arqueologia subaquática, geologia, biologia marinha e outras áreas científicas.
Esse tipo de levantamento evita que uma obra descubra problemas apenas depois da instalação. O mapeamento mostra onde estruturas podem ficar e quais pontos precisam ser preservados antes da chegada de equipamentos pesados.
Arqueologia preventiva muda o desenho do parque eólico flutuante
A arqueologia preventiva é uma pesquisa feita antes de uma obra começar. Ela procura sinais do passado no local para que projetos de energia, construção e infraestrutura não destruam objetos ou áreas históricas.
Acciona Energía, empresa espanhola voltada à produção de energia renovável, informou que o desenho preliminar do parque será ajustado para evitar o sítio arqueológico e outras áreas consideradas ambientalmente sensíveis.
A mudança não impede a continuidade dos estudos do parque eólico flutuante. Ela mostra que a geração de energia no mar precisa considerar o espaço ocupado por cabos, âncoras, vida marinha e patrimônios preservados no fundo do oceano.
O navio grego encontrado perto da Calábria colocou a história no caminho de um projeto de energia renovável. As mais de 300 ânforas fizeram o parque rever o lugar das turbinas antes que qualquer estrutura fosse instalada.
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