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Mulher toca granja sozinha por anos, enfrenta rotina extrema com 30 mil aves, dorme no aviário para salvar pintinhos, até que filho assume em 2023 e dispara produtividade com gestão técnica moderna

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/04/2026 às 11:48
Atualizado em 23/04/2026 às 11:59
Assista o vídeoProdutora mantém granja com 30 mil aves por anos sozinha e vê produtividade crescer após sucessão familiar com gestão técnica moderna.
Produtora mantém granja com 30 mil aves por anos sozinha e vê produtividade crescer após sucessão familiar com gestão técnica moderna.
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Resistência no campo, rotina intensa e virada familiar marcam trajetória de produtora que sustentou granja sozinha por mais de uma década e viu a produtividade crescer com a chegada do filho e adoção de gestão técnica.

Maria Elisa construiu, em Orleans, no sul de Santa Catarina, uma trajetória marcada por trabalho contínuo, adaptação técnica e permanência no campo.

À frente de uma granja com capacidade para 30 mil aves, ela sustentou por 12 anos a operação praticamente sozinha, em uma rotina que combinava manejo intensivo, administração da propriedade e responsabilidades familiares.

Quando o filho Guilherme passou a assumir o comando da atividade, em 2023, a granja entrou em uma nova fase, com foco mais técnico e melhora de desempenho.

Da lavoura à avicultura: mudança que redefiniu a renda familiar

Antes de ingressar na avicultura, a produtora vinha de uma vida ligada à lavoura de fumo e milho.

Nesse período, o trabalho manual e a tração animal faziam parte do cotidiano desde a infância, em uma dinâmica comum a muitas famílias rurais do interior catarinense.

A mudança para a criação integrada de frangos ocorreu em 2012, quando a atividade passou a representar uma alternativa de renda mais previsível do que as safras expostas ao clima e às oscilações do campo.

Produtora mantém granja com 30 mil aves por anos sozinha e vê produtividade crescer após sucessão familiar com gestão técnica moderna.
Produtora mantém granja com 30 mil aves por anos sozinha e vê produtividade crescer após sucessão familiar com gestão técnica moderna.

O começo, porém, foi marcado por dificuldades operacionais e pela falta de experiência prévia com o sistema de produção.

Sem formação específica na área, Maria Elisa aprendeu o manejo no dia a dia, observando o comportamento das aves e ajustando a rotina conforme as exigências do lote.

Em uma das fases mais delicadas do processo, chegou a dormir dentro do aviário para acompanhar de perto a temperatura dos pintinhos e reduzir perdas nos primeiros dias de criação.

Esse esforço se deu em paralelo a outras demandas que pressionavam a rotina da família.

Além de manter a granja em funcionamento, a produtora ainda conciliava o trabalho com os cuidados dedicados aos pais doentes e às tarefas domésticas.

Ao recordar aquele período, resumiu a experiência como uma etapa de muito desafio e muito aprendizado.

Sucessão familiar no agro transforma gestão e produtividade

A sucessão familiar ganhou forma em 2023, quando Guilherme decidiu deixar a vida na cidade e retornar à propriedade.

A entrada dele não representou apenas a continuidade de uma atividade já consolidada, mas uma reorganização do trabalho dentro da granja.

Com duas pessoas diretamente envolvidas na operação, a família passou a dividir funções com mais clareza, preservando a experiência acumulada por Maria Elisa e abrindo espaço para uma condução mais voltada à técnica.

Na prática, a produtora permaneceu como referência no acompanhamento diário, enquanto o filho concentrou atenção em procedimentos de gestão, controle de desempenho e exigências produtivas mais específicas.

A combinação entre vivência prática e organização técnica alterou a dinâmica da propriedade.

O que antes dependia quase exclusivamente da resistência física e da observação constante de Maria Elisa passou a funcionar com maior planejamento e decisões orientadas por critérios operacionais.

Essa transição ajuda a explicar por que a granja passou a registrar melhora nos resultados após a chegada do sucessor.

O crescimento de produtividade, premiações e reconhecimento da qualidade do frango produzido na propriedade é associado diretamente à reorganização da rotina e ao foco exclusivo de Guilherme na atividade.

Mais do que uma troca geracional, o caso expõe um ponto recorrente na agropecuária brasileira: a dificuldade de manter os filhos no campo e garantir continuidade às propriedades familiares.

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Em muitas regiões, a saída dos jovens para centros urbanos interrompe ciclos produtivos e enfraquece negócios construídos ao longo de décadas.

No caso de Maria Elisa, o retorno do filho alterou esse percurso e transformou uma história de resistência individual em um processo de sucessão efetivamente colocado em prática.

Experiência prática e gestão técnica moldam nova fase da granja

A relevância dessa mudança se amplia quando se observa o tipo de conhecimento acumulado na granja ao longo dos anos.

Maria Elisa dominou o trabalho por observação, repetição e resposta rápida aos problemas do dia a dia, em uma lógica comum entre produtores que aprenderam a atividade na prática.

Guilherme, por sua vez, passou a atuar com foco em gestão técnica moderna, inserindo procedimentos mais sistemáticos em uma estrutura que já vinha funcionando com base em experiência direta.

O resultado dessa combinação aparece como um dos pontos centrais da história.

A mãe segue como mentora e braço direito na rotina produtiva, enquanto o filho assume parte da pressão por eficiência exigida pela indústria.

Essa divisão não elimina a importância do esforço anterior; ao contrário, mostra que o avanço da granja foi construído sobre um período prolongado de sustentação praticamente solitária.

Ao mesmo tempo, a trajetória ajuda a iluminar a presença feminina em um segmento ainda fortemente associado à liderança masculina.

Durante 12 anos, Maria Elisa conduziu sozinha uma estrutura de grande porte, responsável por dezenas de milhares de aves, enfrentando exigências físicas, riscos produtivos e decisões permanentes.

Nesse contexto, a granja deixou de ser apenas uma fonte de renda para se tornar o eixo de estabilidade da família e um símbolo concreto de permanência no meio rural.

A passagem da enxada e da tração animal para uma granja climatizada, operada com controle mais técnico, resume a transformação vivida pela propriedade.

Em vez de uma ruptura, o que se observa é uma continuidade adaptada ao tempo: a base do negócio permanece familiar, mas a gestão incorpora novos métodos e amplia a capacidade de resposta diante das exigências do mercado.

A experiência de Maria Elisa e a entrada de Guilherme mostram, assim, como tradição e técnica podem coexistir dentro da mesma estrutura produtiva.

Nesse arranjo, o ganho mais relevante para a família não se limita aos prêmios mencionados nem ao aumento de produtividade atribuído à nova fase.

O ponto central está na manutenção da atividade com participação de duas gerações, em um cenário em que continuar produzindo no campo já representa, por si só, um desafio econômico e social.

A granja segue operando com a segurança de quem atravessou anos de incerteza e conseguiu transformar esforço individual em legado compartilhado.

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Wilson andrade
Wilson andrade
25/04/2026 19:51

Desculpa tive granja de galinhas postura é impossível tocar uma grana com acima de 500 galinhas

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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