Vida fora do sistema, rotina extrema e escolhas que desafiam o modelo urbano moderno em um dos países mais preservados do mundo, com isolamento prolongado, sobrevivência prática, redução radical de bens e adaptação diária ao ambiente natural.
A holandesa Miriam Lancewood passou a ser conhecida após relatar uma mudança prolongada de estilo de vida, marcada pelo afastamento da rotina urbana e pela permanência em áreas remotas da Nova Zelândia.
Segundo reportagem publicada pelo jornal The Guardian, ela deixou para trás emprego fixo, uso regular de eletrônicos e hábitos associados à vida nas cidades para adotar uma rotina baseada em autossuficiência, sobrevivência prática e permanência em regiões isoladas, assumindo sozinha as tarefas centrais do cotidiano no mato.
Em entrevista ao jornal britânico, Miriam afirmou que a decisão foi consequência de um período de insatisfação com a vida convencional.
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“Eu estava sempre estressada, entediada e deprimida por pensar que faria aquilo para sempre”, disse ao The Guardian, ao relembrar a fase anterior à mudança.
A experiência foi posteriormente narrada no livro Woman in the Wilderness, publicado em 2017, além de entrevistas e perfis veiculados por diferentes veículos internacionais.

Vida sem eletricidade e rotina guiada pela natureza
Os relatos sobre esse período descrevem uma rotina marcada por escolhas práticas e pela ausência de infraestrutura moderna.
Não havia acesso à rede elétrica, geladeira ou outros equipamentos comuns em residências urbanas.
As atividades diárias passaram a ser organizadas a partir da luz natural e das necessidades básicas de subsistência.
Um perfil publicado pela New Zealand Geographic descreve Miriam durante uma temporada em um abrigo isolado dentro do Abel Tasman National Park.
De acordo com a publicação, o local apresentava estrutura mínima, sem eletricidade e sem instalações típicas de uma casa convencional.
Segundo apuração do jornal The Guardian, esse tipo de abrigo fazia parte de uma estratégia deliberada de simplificação, voltada apenas à proteção contra o clima, descanso e preparo de alimentos.
Ausência de tecnologia e rejeição ao consumo moderno
A ruptura com o modelo urbano também se refletia na ausência de objetos comuns ao cotidiano contemporâneo.

Não havia carro, smartphone, computador portátil ou relógio.
Conforme relatado pelo The Guardian, Miriam descreveu o período inicial de adaptação como fisicamente e mentalmente desafiador.
“Nos primeiros meses, achei que enlouqueceria de tédio”, afirmou ao jornal, ao comentar a dificuldade de se desligar dos estímulos constantes da vida urbana.
Com o passar do tempo, segundo o mesmo relato, a interação com o ambiente natural passou a ocupar o espaço antes preenchido por atividades mediadas por tecnologia.
Origem do projeto e primeiros anos na floresta
Informações biográficas indicam que Miriam chegou à Nova Zelândia após um período de viagens internacionais.
Já no país, trabalhou por algum tempo antes de iniciar a mudança de estilo de vida.
A New Zealand Geographic registra que, em 2010, ela deixou a vida convencional e passou a viver em áreas montanhosas e florestais do país.
Durante esse período, utilizou abrigos simples, barracas e cabanas rústicas, montados de acordo com cada local e com as condições climáticas enfrentadas.
O jornal The Guardian apontou que o plano inicial previa duração de um ano, mas acabou se estendendo conforme o modo de vida se consolidou.
Sobrevivência prática, caça e abrigo simples

Os relatos disponíveis indicam uma rotina baseada em deslocamentos frequentes, uso de abrigos temporários e obtenção de alimento por meio de fogo, coleta e caça.
Em entrevista publicada pelo The Guardian, o companheiro de Miriam, Peter Raine, descreveu a divisão de tarefas adotada durante esse período.
“Miriam é a caçadora e eu sou o cozinheiro”, afirmou ao jornal.
A própria Miriam declarou que assumia tarefas fisicamente exigentes e comentou diferenças de abordagem na atividade de caça.
“Somos menos movidas pela caça de troféus”, disse, ao falar sobre sua experiência.
O cotidiano é descrito com foco em procedimentos práticos voltados à alimentação, higiene e permanência prolongada em ambientes isolados.
Dinheiro reduzido ao mínimo e limites do isolamento
Entrevista publicada pelo site Now To Love informa que Miriam reduziu drasticamente seus bens antes de iniciar a vida no mato, em 2010.

Durante esse período, alternou estadias entre cabanas, abrigos rústicos e barracas, incluindo meses de inverno em áreas remotas.
Segundo o The Guardian, Miriam afirmou que o casal mantinha um orçamento reduzido, recorrendo a dinheiro apenas para itens essenciais.
“Vivemos de forma muito econômica, com cerca de 5.000 dólares neozelandeses por ano, basicamente para comida”, declarou ao jornal.
Os relatos não indicam ausência total de recursos financeiros, mas sim uma tentativa de minimizar a dependência de renda e consumo.
Reconhecimento internacional e transformação em livro
O relato da experiência ganhou projeção internacional após a publicação do livro Woman in the Wilderness.
A New Zealand Geographic informa que a obra se tornou um best-seller e alcançou leitores fora da Nova Zelândia.
O jornal The Guardian destacou que o livro atraiu principalmente leitoras interessadas em estilos de vida alternativos.
“Muitas mulheres me escrevem dizendo: ‘Você me inspirou’”, contou Miriam em entrevista ao jornal. A obra foi traduzida para outros idiomas, ampliando o alcance da história.
Rotina extrema e riscos reais da vida isolada
Os perfis publicados descrevem uma rotina marcada por exigências físicas, adaptação constante e tomada de decisões individuais.
Entre os desafios relatados estão o enfrentamento do frio, o planejamento de alimentos, a manutenção do fogo e longos deslocamentos a pé.
A New Zealand Geographic relata uma expedição solo no Kahurangi National Park em que o plano de viver apenas do que fosse encontrado não se mostrou viável.
O episódio é citado como exemplo de que a vida em isolamento impõe limites práticos, mesmo a pessoas com preparo prévio.
Na entrevista ao The Guardian, Miriam também mencionou dificuldades emocionais associadas ao isolamento prolongado. “O nada significava tédio, vazio e uma sensação de solidão que precisei aprender a enfrentar”, afirmou.
