O Mukaab teria 400 metros de cada lado, mais de 2 milhões de metros quadrados de área construída, um zigurate espiral por dentro e paredes internas que funcionariam como telas de alta definição — mas em janeiro de 2026, a Reuters revelou que as obras foram suspensas após a fase de escavação
Conforme reportou a Gazeta SP em 2026, a Arábia Saudita suspendeu a construção enquanto reavalia o financiamento e a viabilidade do projeto.
O Mukaab foi anunciado em 2023 pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman como a peça central do distrito New Murabba, no noroeste de Riad.
Segundo o projeto original, o edifício seria o maior do mundo em volume — capaz de abrigar 20 Empire State Buildings dentro de seu espaço interno.
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O exterior foi desenhado pela AtkinsRéalis e inspirado na arquitetura Najdi tradicional saudita.
A escala que desafia a imaginação: 4 mil piscinas olímpicas de terra removida
Para construir a fundação do Mukaab, as equipes removeram 10 milhões de metros cúbicos de terra — o equivalente a cerca de 4 mil piscinas olímpicas.
Além disso, até o momento da suspensão, 86% da escavação havia sido concluída e a fase de fundações estava avançada, com preparação para as estacas principais.
Uma ponte temporária foi construída sobre a King Khalid Road especificamente para reduzir 800 mil viagens de caminhão durante a obra.
Dessa forma, o projeto já consumiu anos de trabalho e recursos significativos antes de ser pausado.
O contraste entre o progresso físico e a decisão de parar é o que mais chama atenção. A escavação está quase pronta, mas o cubo em si nem começou a subir.

O que haveria dentro: hotel, museu, universidade e uma tela do tamanho de uma cidade
O interior do Mukaab não seria um prédio convencional. Seria uma cidade vertical.
De acordo com o CEO do projeto, Michael Dyke, as paredes internas funcionariam como telas de alta definição capazes de criar experiências imersivas.
“Tecnicamente, você pode dormir no Serengeti e acordar em Nova York”, afirmou Dyke sobre o conceito.
O plano incluía uma torre espiral interna, hotel, espaços de varejo, museu, universidade de tecnologia e design, e teatro imersivo.
Ao todo, o distrito New Murabba abrigaria 104 mil unidades residenciais, 980 mil metros quadrados de espaços comerciais e 1,4 milhão de metros quadrados de escritórios.
A população projetada era de mais de 400 mil pessoas vivendo em 18 comunidades dentro de uma área de 19 quilômetros quadrados.
De acordo com a Zap Aeiou, a suspensão surpreendeu engenheiros e investidores que já trabalhavam na preparação das fundações, levantando dúvidas sobre a credibilidade dos megaprojetos sauditas como destino de capital estrangeiro.
De 2030 para 2040: o prazo que dobrou antes mesmo da primeira parede subir
Originalmente, o Mukaab deveria ser inaugurado em 2030, coincidindo com a Expo 2030 em Riad.
No entanto, após a suspensão das obras, analistas estimam que o distrito completo pode não ficar pronto antes de 2040.
Consequentemente, o prazo de conclusão mais que dobrou — passando de 7 para potencialmente 17 anos a partir do anúncio.
Segundo a consultoria Knight Frank, o custo estimado para todo o distrito New Murabba era de US$ 50 bilhões — valor aproximadamente equivalente ao PIB inteiro da Jordânia.
Desse total, apenas cerca de US$ 100 milhões foram efetivamente contratados até a suspensão.
Em outras palavras, 0,2% do orçamento previsto se materializou em contratos reais.

O padrão que se repete: NEOM, The Line e agora o Mukaab
O Mukaab não é o primeiro megaprojeto saudita a ser redimensionado. É o terceiro em menos de dois anos.
O projeto mais emblemático é a NEOM/The Line — uma cidade linear de 170 quilômetros no deserto que prometia 9 milhões de moradores e investimento de US$ 500 bilhões.
Da mesma forma que o Mukaab, a The Line foi drasticamente reduzida. Apenas 2,4 km foram construídos, 35% dos operários foram embora e o projeto pode virar um parque de data centers.
Além disso, o resort de esqui Trojena — onde se realizaria parte dos Jogos Asiáticos de Inverno — teve a construção de seu principal túnel concluída recentemente, mas o cronograma geral enfrenta atrasos.
Sobretudo, todos esses projetos fazem parte do Vision 2030, o plano do príncipe Mohammed bin Salman para diversificar a economia saudita além do petróleo.
O problema é que o Vision 2030 custa mais do que o fundo soberano de US$ 925 bilhões consegue financiar simultaneamente.
Por que parou: entre ambição e realidade financeira
A suspensão do Mukaab reflete uma reavaliação mais ampla da estratégia saudita.
Por outro lado, o reino enfrenta uma queda nas receitas do petróleo desde que a instabilidade no Estreito de Ormuz reorganizou o mercado global de energia.
Ao mesmo tempo, a guerra no Irã redirecionou prioridades de segurança, com os sauditas investindo mais em defesa e menos em megaprojetos de prestígio.
O resultado é um padrão claro: anunciar o impossível, começar as fundações e depois recuar silenciosamente quando os custos se tornam reais.
Nesse sentido, a diferença entre o Mukaab e outros megaprojetos fracassados é que este nem chegou a levantar a primeira parede antes de ser pausado.

Portanto, o padrão saudita de megaprojetos parece seguir uma fórmula previsível: anúncio grandioso, início das fundações, reavaliação silenciosa e adiamento indefinido. A diferença é que cada novo projeto suspenso torna o próximo anúncio menos crível para investidores internacionais e opinião pública global.
Um buraco de 10 milhões de metros cúbicos e uma pergunta sem resposta
Ainda assim, a escavação existe. Dez milhões de metros cúbicos de terra foram removidos. Estacas estão sendo preparadas. Uma ponte temporária cruza uma avenida.
Contudo, nenhum metro de parede foi erguido. Nenhum dos 80 espaços de entretenimento planejados existe fora do papel. E a tela imersiva que faria você “acordar em Nova York” não passou de uma frase em uma apresentação de marketing.
A pergunta que ninguém na Arábia Saudita responde oficialmente é simples: o cubo de 400 metros será realmente construído, ou se tornará o maior buraco abandonado do deserto?
Por enquanto, o Mukaab é um monumento à ambição — literalmente. Um vazio de 10 milhões de metros cúbicos no meio de Riad, esperando uma decisão que pode nunca chegar.

Comparável às Pirâmides do Egito: um bando de atrasados, que não tem o que fazer com bilhões, ganhos a custa da escravidão, poluição, guerras, opressão, etc, investem em obras supérfluas, que não traz nenhum benefício à humanidade.
Robin, o debate sobre a origem da riqueza dos países do Golfo é legítimo e envolve questões complexas de direitos humanos e sustentabilidade. O artigo busca apresentar os dados técnicos da infraestrutura. Obrigado pelo ponto de vista.
Já passou da hora dessas realezas serem varridas do mapa… Uma meia dúzia de herdeiros bilionários, que literalmente te nadam em ouro e cujas fortunas quase senpre tem origens em centenas de anos de e.s.k.r.@.v.i.d.@.o.
Mario, a desigualdade nas monarquias do Golfo é de fato um tema muito debatido internacionalmente. Organizações como a OIT e a Human Rights Watch acompanham de perto as condições de trabalho na região. Obrigado pelo comentário.