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Mistura de raças no Brasil cria mutações jamais vistas: análise de 34 mil DNAs revela 8 milhões de variantes únicas no mundo

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/01/2026 às 11:32
Atualizado em 20/01/2026 às 12:08
Assista o vídeoSequenciamento de 34 mil DNAs no Brasil revela milhões de variantes genéticas inéditas e amplia diagnósticos, prevenção e tratamentos personalizados.
Sequenciamento de 34 mil DNAs no Brasil revela milhões de variantes genéticas inéditas e amplia diagnósticos, prevenção e tratamentos personalizados.
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Sequenciamento de genomas no país mapeia diversidade genética rara e amplia capacidade de diagnosticar doenças com precisão.

O sequenciamento completo de genomas no Brasil já identificou 8 milhões de variantes genéticas que não apareciam em outros bancos populacionais analisados até agora, segundo dados do Programa Genomas Brasil, do Ministério da Saúde.

Entre essas alterações, cerca de 37 mil foram classificadas como possivelmente deletérias, com indícios de associação a doenças ou a condições de saúde desfavoráveis.

O avanço é atribuído, em parte, ao retrato único da população brasileira, formada por séculos de miscigenação.

Na prática, isso amplia a chance de encontrar combinações raras de variantes e padrões de ancestralidade pouco representados em estudos internacionais, historicamente concentrados em amostras europeias e norte-americanas.

Ao mesmo tempo, pesquisas recentes com pessoas que chegaram a idades extremas voltaram a colocar a diversidade genética no centro do debate.

Um estudo ligado ao Genoma USP, publicado em 6 de janeiro em periódico científico, analisou casos de longevidade extrema e levantou a possibilidade de que a miscigenação contribua para mecanismos de resiliência biológica observados em supercentenários, grupo que ultrapassa os 110 anos.

Sequenciamento completo do DNA e o que ele revela

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A diferença entre o sequenciamento completo e exames mais limitados está na abrangência.

No chamado WGS, a leitura percorre o DNA base por base, o que permite mapear variações em regiões que costumam ficar fora de testes focados apenas em marcadores específicos.

Esse nível de detalhe é importante porque o DNA funciona como um conjunto de instruções para o corpo.

Genes, que são trechos do DNA, orientam a produção de proteínas envolvidas em tarefas essenciais, como metabolismo e resposta imunológica.

Ainda assim, nem tudo o que está escrito se manifesta do mesmo jeito em todas as pessoas, já que fatores ambientais e biológicos podem influenciar quando certos genes “ligam” ou “desligam”.

Mesmo com esse panorama, a mensagem central para a saúde pública é objetiva.

Quanto maior e mais representativo for o banco de genomas de uma população, maior a capacidade de interpretar variantes com precisão.

Isso reduz a dependência de referências estrangeiras e diminui o risco de classificar como “rara” ou “suspeita” uma alteração que, no Brasil, pode ser relativamente comum e inofensiva.

Programa Genomas Brasil e a expansão da base de dados

O Ministério da Saúde informou que o Programa Genomas Brasil tem como meta chegar a 100 mil genomas sequenciados até o final de 2026.

No balanço divulgado pela pasta, 36 mil já haviam sido sequenciados e outros 31 mil contavam com financiamento para a pesquisa.

Os primeiros resultados consolidados, que embasam a identificação dos 8 milhões de variantes inéditas, vieram de um estudo de referência conduzido em parceria com a Universidade de São Paulo.

A publicação foi destacada pelo próprio ministério ao anunciar que o trabalho foi divulgado na revista Science e que a primeira fase incluiu o sequenciamento completo de mais de 2,7 mil brasileiros.

Além do esforço nacional, uma frente em São Paulo busca ampliar a produção de dados dentro do projeto.

Em edital publicado pela FAPESP, pesquisadores do estado podem submeter propostas solicitando o sequenciamento de até 2.000 amostras por projeto, no contexto do Genomas SUS, iniciativa financiada pelo Ministério da Saúde com previsão de sequenciar 21 mil genomas no país.

Variantes genéticas inéditas e impacto no diagnóstico

Encontrar milhões de variantes nunca descritas não significa, por si só, descobrir milhões de causas de doença.

A maior parte das alterações no DNA é neutra ou tem efeito pequeno. O desafio passa a ser separar o que é apenas diversidade do que pode representar risco.

Nesse ponto, a triagem depende de critérios técnicos e de interpretação especializada.

“A identificação das mutações às quais devemos ter mais atenção é feita com base em critérios de patogenidade”, afirmou o geneticista Guilherme Yamamoto, líder de Inovação Genômica e Bioinformática da Dasa, ao explicar como se priorizam variantes com maior probabilidade de causar doenças em meio a milhares por indivíduo e milhões em uma população.

Quando essa filtragem é combinada a informações clínicas e populacionais, o impacto tende a aparecer em áreas onde o diagnóstico é difícil ou demorado, como doenças raras e alguns tipos de câncer.

Outra consequência é mais direta. Bancos locais ajudam a interpretar resultados de pacientes brasileiros com menos incerteza, porque aumentam a referência do que é “esperado” dentro da própria população.

Genética do AVC isquêmico e medicina de precisão no SUS

Uma das aplicações citadas no escopo do Programa Genomas Brasil envolve o estudo de fatores genéticos ligados ao AVC isquêmico, tipo mais comum de acidente vascular cerebral.

A proposta é verificar se determinadas variantes influenciam o risco, o curso clínico e a resposta ao tratamento, com o objetivo de melhorar prevenção e personalização do cuidado.

No projeto Ártemis-Brasil, conduzido por centros distribuídos pelo país, a neurologista Ana Cláudia de Souza afirmou à Agência Brasil que mapear o genoma pode abrir caminho para tratamentos mais precisos, ao permitir avaliar não apenas o risco individual, mas também como o organismo responde a determinadas terapias.

A meta descrita na reportagem é chegar a mil participantes até o final de 2026, com a comparação entre pessoas que tiveram AVC isquêmico e um grupo controle sem histórico da doença.

A lógica é identificar alterações que se repitam com mais frequência nos pacientes e, a partir daí, testar como essas informações podem orientar cuidado e prevenção.

Supercentenários brasileiros e pistas sobre longevidade extrema

Enquanto estudos clínicos tentam antecipar riscos, a pesquisa com supercentenários segue outro caminho.

Entender como algumas pessoas atravessam décadas com alta resiliência biológica.

No trabalho divulgado em janeiro por pesquisadores ligados ao Genoma USP, a análise incluiu mais de 160 centenários e também participantes acima de 110 anos, explorando a hipótese de que a diversidade genética brasileira pode revelar variantes protetoras pouco observadas em populações mais homogêneas.

A abordagem, ainda em desenvolvimento, não parte de uma promessa de “gene da longevidade”. O que os pesquisadores buscam são pistas em conjunto.

Padrões de resposta imunológica, combinações de variantes e características genômicas que, somadas, possam ajudar a explicar envelhecimento com menor carga de doença ou com maior capacidade de recuperação, como apontado no relato de casos analisados pelo grupo.

Com mais genomas brasileiros entrando em bases públicas e projetos conectados ao SUS, a expectativa é que as descobertas se traduzam em menos diagnósticos tardios, protocolos mais ajustados à população local e pesquisas clínicas mais representativas.

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Andre Luiz de Almeida
Andre Luiz de Almeida
22/01/2026 19:46

Somos X-men.

Lenildo
Lenildo
22/01/2026 18:03

Resumo: somos VIRA-LATAS

Márcia
Márcia
22/01/2026 16:15

Percebam que os povos originários e os africanos (africanos de verdade, não os afro-descendentes), não se misturam, casam entre eles, entre os próprios povos. Ambos mantêm o sangue puro.

Lenildo
Lenildo
Em resposta a  Márcia
22/01/2026 18:02

Que bobagem essa história de “sangue puro”!
Seus antepassados eram neandertais.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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