Pamonharia da Ana nasceu como renda extra para pagar a faculdade, viralizou nas redes sociais e alcançou faturamento de R$ 552 mil em 2025.
Vídeos de pamonhas recheadas com costela desfiada, queijo e goiabada ajudaram um pequeno negócio familiar de Anápolis, em Goiás, a alcançar milhões de visualizações e transformar o movimento da loja. Com produção mensal entre 3,2 mil e 4 mil unidades, a Pamonharia da Ana faturou R$ 552 mil em 2025 e pretende encerrar 2026 com receita entre R$ 500 mil e R$ 600 mil.
A empresa é comandada por Ana Paula Rodrigues, de 36 anos, que começou a vender pamonhas aos colegas de uma indústria farmacêutica enquanto cursava Farmácia. O que nasceu como uma atividade de fim de semana para ajudar no pagamento da faculdade cresceu até levá-la a abandonar um emprego mantido por 12 anos.
Hoje, a expansão do empreendimento está ligada à combinação de três elementos: divulgação profissional no Instagram, criação de sabores pouco comuns e participação direta da família na produção e no atendimento.
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Pamonharia da Ana transforma vídeos em picos de venda
A estratégia digital passou a ocupar uma posição central no crescimento da empresa. Ana Paula decidiu investir em vídeos profissionais que mostram o preparo das receitas, a textura dos recheios e os bastidores da cozinha. O perfil da Pamonharia da Ana no Instagram reúne mais de 17,3 mil seguidores.
O efeito das publicações não fica restrito às redes sociais. Nos dias em que um novo conteúdo é lançado, a equipe aumenta a preparação da cozinha porque já espera uma procura maior na loja.
“Quando os vídeos são lançados, já nos preparamos na cozinha porque sabemos que a procura vai aumentar”, explica a fundadora.
Um dos maiores resultados veio de uma publicação feita em 1º de fevereiro. O vídeo mostrava a montagem da pamonha Romeu e Julieta, preparada com queijo e goiabada, e ultrapassou 1,3 milhão de visualizações.

Outra gravação, publicada em 21 de junho, apresentou a versão recheada com costela bovina desfiada e superou 1,2 milhão de acessos.
Para Ana Paula, a exposição digital é responsável por levar o público até a empresa, mas não garante sozinha a continuidade das vendas. “Entendi que, por melhor que seja o produto, ele precisa ser visto. A divulgação abre as portas, mas é a qualidade que faz o cliente voltar”, afirma.
Negócio atende cerca de 2 mil clientes por mês
A operação registra aproximadamente 2 mil consumidores mensais e trabalha com tíquete médio de R$ 18,90. Nesse ritmo, a produção da Pamonharia da Ana varia entre 3,2 mil e 4 mil pamonhas a cada mês. A quantidade aumenta nos períodos de maior procura, especialmente durante os meses frios e chuvosos.
Na Região Centro-Oeste, essas condições climáticas favorecem o consumo de pamonhas e caldos. Em determinados períodos, o volume comercializado chega a dobrar.
Números atuais do empreendimento
- Produção mensal: entre 3,2 mil e 4 mil pamonhas;
- clientes atendidos por mês: aproximadamente 2 mil;
- tíquete médio: R$ 18,90;
- faturamento em 2025: R$ 552 mil;
- meta para 2026: entre R$ 500 mil e R$ 600 mil;
- seguidores no Instagram: mais de 17,3 mil;
- tempo de operação no ponto físico: três anos.
Os resultados mostram como uma produção inicialmente informal ganhou escala sem abandonar a estrutura familiar.
Costela desfiada virou o principal diferencial do cardápio
O sabor que se tornou destaque de vendas não surgiu de uma pesquisa formal de mercado. Ana Paula preparava uma costela que seria usada em um caldo quando observou a textura da carne desfiada e decidiu testá-la como recheio de pamonha.
“Um dia, enquanto eu preparava uma costela para fazer caldo, vi aquela carne bem desfiada e resolvi testar dentro de uma pamonha”, recorda.
Antes de oferecer a novidade ao público, ela enviou uma unidade para uma cliente frequente, conhecida por avaliar os produtos com franqueza. A aprovação serviu como validação para colocar a receita no menu.
A pamonha de costela passou a diferenciar a marca em uma região na qual os recheios salgados costumam utilizar carne seca. O desempenho da receita nas vendas e nas redes sociais mostrou que a inovação no cardápio poderia se tornar uma ferramenta de posicionamento para a Pamonharia da Ana.
Sabores provocam elogios e discussões na internet
As combinações apresentadas nos vídeos despertam reações que vão do entusiasmo à rejeição. Alguns usuários lamentam que a loja esteja distante de suas cidades. Entre os comentários publicados estão frases como “eu entrei em depressão quando vi que não era na minha cidade” e “favor, não viralizar em São Paulo”.
Outros questionam a existência de versões salgadas ou de misturas que se afastam da receita mais tradicional. “Pamonha para mim é doce e não se fala mais nisso, pamonha salgada é coisa de quem não tem o que fazer e fica inventando moda”, escreveu uma seguidora.
A crítica gerou respostas e debate na publicação. Ao mesmo tempo, consumidores que já provaram os produtos passaram a defender as receitas. “Essa pamonha com goiabada é a melhor que já comi na vida”, afirmou uma cliente.
Mesmo quando há discordância, a discussão amplia o alcance dos conteúdos e mantém os sabores da marca em circulação nas redes sociais.
Pamonharia da Ana começou para ajudar a pagar a faculdade
Em 2020, Ana Paula tinha 30 anos e enfrentava uma rotina dividida entre o trabalho formal e o curso superior. Ela era funcionária de uma indústria farmacêutica e cursava Farmácia em Anápolis. Para complementar a renda e ajudar no pagamento das mensalidades, começou a preparar pamonhas aos fins de semana.
Os primeiros compradores foram os próprios colegas de trabalho. À medida que os pedidos aumentaram, a produção deixou de ter apenas caráter eventual. Durante dois anos, a empreendedora manteve as duas atividades. De um lado, cumpria a jornada na indústria; de outro, preparava e comercializava as pamonhas.
O crescimento da demanda levou Ana Paula a encerrar o vínculo profissional que mantinha havia 12 anos e concentrar seus esforços na abertura de uma loja física. A decisão transformou uma alternativa para custear os estudos em sua principal fonte de renda.
Toda a família participa da operação
O funcionamento do negócio depende da divisão de tarefas entre parentes. Ana Paula trabalha na cozinha ao lado da mãe e do marido. Os filhos e a cunhada atuam no atendimento aos clientes e na organização do salão.
Essa estrutura mantém a operação sob controle da família, desde a fabricação das receitas até o contato com o público.

A produção em grupo também se torna importante quando os vídeos aumentam repentinamente o número de pedidos. Como o impacto das publicações pode ser percebido na loja, os familiares precisam ajustar o trabalho conforme a procura.
Como as atividades são divididas
- Ana Paula, a mãe e o marido: produção na cozinha;
- filhos e cunhada: atendimento e gestão do salão;
- fundadora: desenvolvimento de sabores, divulgação e administração do negócio.
A participação coletiva acompanha a trajetória da empresa desde o período em que as vendas ainda eram realizadas de maneira informal.
Faturamento com pamonha chegou a R$ 552 mil em 2025
Com três anos de atividade no endereço físico, a Pamonharia da Ana alcançou receita de R$ 552 mil em 2025. Para 2026, a expectativa é encerrar o ano dentro de uma faixa entre R$ 500 mil e R$ 600 mil.
A oscilação está relacionada à sazonalidade do negócio e ao comportamento das vendas durante as diferentes épocas do ano. O consumo cresce especialmente quando as temperaturas diminuem e as chuvas aumentam. Nesses períodos, os clientes procuram tanto as pamonhas quanto os caldos vendidos pela empresa.
A estratégia digital ajuda a gerar movimento fora dos picos tradicionais, principalmente quando uma publicação alcança um público muito superior ao número de seguidores do perfil. Os vídeos de mais de 1 milhão de visualizações demonstram que o conteúdo pode levar a marca para consumidores que ainda não conhecem a loja.
Cardápio deve ganhar novas combinações
Depois do desempenho da pamonha de costela e da versão Romeu e Julieta, Ana Paula pretende continuar desenvolvendo receitas. A criação de novos sabores faz parte do planejamento de médio e longo prazo da empresa.
A estratégia permite renovar o interesse dos consumidores e, ao mesmo tempo, produzir novos conteúdos para as redes sociais. Cada lançamento pode se transformar em pauta para um vídeo, gerar comentários e provocar novos picos de procura.
A experiência com a costela também criou um modelo de teste: desenvolver a receita, submetê-la à avaliação e só depois incluí-la de maneira definitiva no cardápio. Esse processo reduz a possibilidade de lançar uma combinação sem aceitação e preserva o padrão de qualidade defendido pela fundadora.
Pamonharia da Ana mira filiais e modelo de franquias
Os próximos passos incluem a ampliação da capacidade produtiva e a abertura de novas unidades. Ana Paula pretende preparar o negócio para funcionar além do ponto atual em Anápolis. Para isso, será necessário organizar processos que possam ser repetidos sem comprometer o produto.
O objetivo final é transformar a Pamonharia da Ana em uma rede de franquias e levar a marca para fora de Goiás.

Planos de expansão
- aumentar a quantidade produzida;
- desenvolver novos sabores;
- abrir filiais;
- padronizar o funcionamento da empresa;
- estruturar um sistema de franquias;
- expandir a marca para outros estados.
A repercussão dos vídeos indica que já existe interesse de consumidores localizados fora da cidade. Os comentários de usuários que lamentam a distância funcionam como um sinal do alcance nacional conquistado pelo conteúdo.
Renda extra virou projeto de expansão nacional
A história da empresa começou com vendas feitas aos colegas de trabalho e uma necessidade imediata: completar o valor usado para pagar a faculdade.
Seis anos depois do início da produção, Ana Paula administra um empreendimento que fabrica milhares de unidades por mês, reúne milhões de visualizações em alguns conteúdos e avalia a possibilidade de crescer por meio de franquias.
O resultado também mostra que a inovação não ficou restrita ao recheio das pamonhas. A empreendedora combinou uma receita tradicional com divulgação profissional, testes de produtos e participação familiar.
Com faturamento de R$ 552 mil em 2025 e meta de até R$ 600 mil em 2026, a Pamonharia da Ana agora se prepara para transformar o reconhecimento alcançado na internet em expansão para além do estado de Goiás.
Com informações da Revista PEGN
